29 de abril de 2015
One-Armed Swordsman (Espadachim de um Braço/1967)
21 de abril de 2014
Young and Dangerous Reloaded (Jovens e Perigosos: A Nova Ordem/2013)
Nova geração da Sociedade Hung Hing.
Ho-Nam, Chicken, Pou Pan e Tin-Yee são quatro jovens que deixam a escola para serem tríades. Eles acabam cruzando o caminho de Ugly Kwan, quando atacam seu protegido que havia estuprado a prima de Tin-Yee. Sob a ira de seu nêmese, o grupo encontra a proteção de Uncle Bee, onde aprenderão sobre honra e companheirismo.
Em termos de história, Young and Dangerous Reloaded é mais fiel ao material original. Porém, isso não resultado em maior qualidade. Apesar do roteiro ser mais coeso, a direção é péssima. Daniel Chan adotou o mesmo estilo de direção de Andrew Lau, mas com um resultado mais refinado próximo do que Ang Lee fez em Hulk. Porém o resultado é muito estilo para pouca substância.
O momento chave do filme é mal construído, onde Ho-Nam deveria escolher entre amor ou a vida de tríade. Him Law é tão apático quanto Ekin Cheng, porém o último ao menos é mais ator que o primeiro. Ekin Cheng conseguia ser carismático em alguns momentos, enquanto que Him Law mostra total insegurança e desconforto no papel mais importante de sua carreira. Assim como no original, o personagem Ho-Nam é ofuscado por Chicken. Para o lugar de Jordan Chan, Oscar Leung foi escalado. Em certos momentos, Oscar parece emular a interpretação de Jordan Chan, porém não é capaz de criar uma personalidade forte igual o último.
Esta nova encarnação da série apresenta o mesmo problema da adaptação anterior: um vilão mais carismático que toda a trupe liderada por Ho-Nam. Sammy Sum foi o elegido para ser Ugly Kwan, interpretado pelo icônico Francis Ng. Apesar de não ser tão épico, Sammy Sum consegue ser detestável como Ugly Kwan. Do outro lado temos Uncle Bee como mentor de Ho-Nam. Interpretado por Paul Wong, ele tem
Young and Dangerous Reloaded não é exatamente um remake do filme dirigido por Andrew Law e co-estrelado por Ekin Cheng e Jordan Chan. Apesar de cometer alguns erros iguais aos filmes originais, este filme é mais uma nova leitura das revistas em quadrinho que deu origem a série de filmes mais popular do cinema de Hong Kong na década de 1990. Algumas aparições especiais agradarão aos fãs da série original. Além disso temos uma dose de violência e nudez que surpreende e agrada, trazendo um tom mais sombrio ao filme. A cena final apresenta um importante personagem da série que cria uma expectativa para que a sequência corrija os problemas do filme.
Hong Kong feelings: 3/5
Título Original: 古惑仔:江湖新秩序 (Goo Wak Jai: Gong Wu Sun Dit Jui)
Diretor: Daniel Chan Yee-Heng
Elenco: Him Law, Oscar Leung Lit-Wai, Dominic Ho Hou-Man, Lam Chi-Sin, Philip Ng Won-Lung, Paul Wong Koon-Chung, Sammy Sum Chun-Hin, Michelle Hu, Jacqueline Chong Si-Man, Winnie Leung Man-Yi, Denise Ho Wan-Si, Sin Lap-Man, Joman Chiang Cho-Man, Felix Lok Ying-Kwan, Jim Chim Sui-Man, Bob Lam, Timmy Hung Tin-Ming, Tam Ping-Man, Simon Lui Yu-Yeung, Calvin Poon Yuen-Leung, Alex Man Chi-Leung, Kimmy Tong Fei
2 de março de 2014
Born to be King (Jovens e Perigosos 6/2000)
Young and Dangerous se tornou um fenômeno da cultura pop local. Todos os filmes da série foram sucesso de bilheteria, o que rendeu no total seis filmes e quatro spin-offs ao longo de quatro anos. Born to be King foi produzido com o desafio de trazer um final satisfatório para a série Young and Dangerous.
Filmes como A Better Tomorrow, de John Woo, e City on Fire, de Ringo Lam, transformaram os filmes de tríade no gênero mais importante da indústria na década de 80. No início da década de 90, houve uma saturação do gênero devido ao excesso de filmes de baixa qualidade lançados. A ascenção de Stephen Chow como o rei da comédia também colaborou para o seu declínio.
Apesar de estar a anos-luz dos filmes de John Woo, os filmes foram produzidos com o objetivo de serem entretenimento puro para uma audiência mais jovem. Porém Young and Dangerous foi responsável por popularizar esse gênero em decadência. Mais do que isso transformou duas jovens estrelas em mega astros.
Ekin Cheng e Jordan Chan se transformaram em queridinhos pela mídia de Hong Kong. A parceria entre os dois sempre foi o ponto alto de Young and dangerous. E neste sexto filme não é diferente. Chicken foi planejado para ser somente um personagem coadjuvante. Porém a popularidade do personagem foi tamanha que a cada filme, ele ganhava mais em importância.
Neste filme, a história é claramente focada no personagem de Jordan Chan. Chicken é nomeado para ser líder da Sociedade San Suen em Taiwan, porém existe uma rejeição por conta de seus laços com a Sociedade Hung Hing, que tem Ho-Nam como seu novo líder. No meio de tudo isso, Chicken e Ho-Nam acabam sendo envolvidos nas disputas internas de uma Yakuza. Roy Cheung retorna para interpretar mais uma vez um vilão, dessa vez interpreta o braço direito do clã Yamada.
Born to be King se esforça em ser um filme de tríade, com uma história intrincada sobre disputa de poder entre as máfias orientais. O filme claramente tenta ser um filme de tríades, investido menos no melodrama e mais nos personagens. No fim cumpre com seu papel de ser um filme pipoca. Sendo o último filme da série, Born to be King encerra satisfatoriamente as aventuras de Ho-Nam e Chicken. E de quebra consegue ser o melhor filme da série.
Hong Kong feelings: 4/5
Título original: 勝者為王 (Sheng Zhe Wei Wang)
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Ekin Cheng Yi-Kin, Jordan Chan Siu-Chun, Shu Qi, Gigi Lai, Sonny Chiba, Peter Ho Yun-Tung Jerry Lamb Hiu-Fung, Chin Kar-Lok, Jason Chu Wing-Tong, Michael Tse Tin-Wah, Roy Cheung Yiu-Yeung, Sandra Ng Kwun-Yu, Wan Yeung-Ming, Blacky Ko Sau-Leung, Spencer Lam Seung-Yi, Chan Chung-Yung, King Shih-Chieh, Anya, Alex Man Chi-Leung.
31 de janeiro de 2014
Young and Dangerous 5 (Jovens e Perigosos 5/1998)
Ekin Cheng (esq.) e Danny Lee (dir.) discutem negócios
Young and Dangerous 5 entrou em cartaz em meio as comemorações do Festival Lunar, que comemora a passagem do ano no calendário chinês. A produção do filme foi feito às pressas o que traz diversos problemas ao filme, cuja fórmula já está desgastada pelas inúmeras sequências.
O primeiro problema reside no vilão. Dessa vez Ho-Nam deverá enfrentar seu xará Setzo Ho-Nam (Mark Cheng) da odiada fação rival Sociedade Tung Sing. Apesar da abordagem diferente, com um vilão mais metódico e menos alegórico, o resultado acaba desapontando uma vez que o grande trunfo da série estava em seus vilões cartunescos e megalomaníacos.
Para compensar a fraca história, o roteiro usa dois interessantes personagens que surgiram no filme Young and Dangerous: The Prequel. Big Head é apresentando como um ex-membro da tríade Hung Hing. Ao invés de Daniel Wu, o personagem é interpretado por um competente Chin Kar-Lok. A primeira namorada de Ho-Nam também aparece, em ambos os filmes ela é interpretada pela Shu Qi.
De personagens novos podemos destacar a presença de Danny Lee como um detetive que possui métodos poucos ortodoxos e que se torna um importante aliado de Ho-Nam. Certamente a adição de Danny Lee é muito bem vinda, pois seu ambíguo detetive acaba sendo o grande ponto positivo do filme. Porém o que realmente mais impacta no filme é ausência de Jordan Chan como Chicken, devido à conflitos de agenda. Eki Cheng faz um bom trabalho de carregar o filme sozinho, porém o problema reside na falta de carisma dos personagens de suporte para suprir a ausência de Chicken.
Certamente, o filme é capaz de entreter os fãs da franquia. Porém, o filme mostra falta de inspiração tendo que se apoiar na excelente prequência. Muita da história de Young and Dangerous 5 requer ter assistido Young and Dangerous: The Prequel, principalmente para entender quem é Big Head, uma vez que este acaba se tornando o braço direito de Ho-Nam no último terço do longa. Apesar dos problemas, a popularidade da série em nada impactou.
Hong Kong feelings: 3/5
Título original: 98古惑仔之龍爭虎鬥 (98 Goo Waak Chai Ji Lung Chang Foo Dau)
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Ekin Cheng Yee-Kin, Shu Qi, Mark Cheng Ho-Nam, Danny Lee Sau-Yin,Chin Kar-Lok, Paul Chun Pui, Jerry Lamb Hiu-Fung, Jason Chu Wing-Tong,Sandra Ng Kwun-Yu, Wan Yeung-Ming,Alex Man Chi-Leung, Ng Chi-Hung, Law Lan, Lee Siu-Kei, Anthony Wong Chau-Sang, Wong Tin-Lam, Wong Chi-Yeung,Billy Chow Bei-Lei, Simon Lui Yu-Yeung,Kwan Hoi-San, Ronald Wong Ban
20 de janeiro de 2014
Young and Dangerous: The Prequel (Adolescentes e Perigosos/1998)
Tentativa fracassada de formar uma boy band.
Diretor Andrew Lau expande o universo da popular série Young and Dangerous ao contar como Ho-Nam se tornou membro da Sociedade Hung Hing (Nicholas Tse). Jovem Ho-Nam passa seus dias flertando a colega de classe Kelly (Lillian Ho) e saindo com amigos Pou Pan (Tsui Ka-Ho), Chow Pan (Benjamin Yuen), e inseparável Chicken (Sam Lee). Porém ele acaba sendo atraída para o mundo tríade quando ele encontra-se desencantado com a escola, e com a vida alienada dentro de sua casa.
Eventualmente Ho-Nam conhece seu mentor. A relação entre Big Brother Bee (Ng Chi-Hung) e Ho-Nam é a mais clichè possível, porém a dinâmica entre os dois é muito boa. Se no primeiro filme Bee era um personagem coadjuvante, aqui Chi-Hung explora o rígido código de ética e o forte senso de companheirismo de Bee que moldaria a personalidade de Ho-Nam.
Nicholas Tse, astro pop juvenil, consegue ser mais expressivo em sua atuação o que faz da versão mais jovem de Ho-Nam, um adolescente menos apático. Porém, assim como nos filmes principais quem se destaca é o co-protagonista. Para interpretar a versão mais jovem de Chicken, Sam Lee foi o escolhido. Apesar de ser um estilo completamente diferente do personagem estabelecido por Jordan Chan, Sam Lee mantêm o personagem tão interessante quanto o interpretado por Jordan Chan.
Francis Ng retorna a franquia para interpretar novamente Ugly Kwan. Dessa vez sua atuação é mais comedido, uma vez que a interpretação exagerada e cômica do primeiro filme teria destoado com a narrativa mais série deste filme. Ainda sim a essência do personagem foi mantida, um grande filho da puta. Shu Qi retorna a franquia depois de Portland Street Blues para viver outra personagem, dessa vez ela é Fei a primeira namorada de Ho-Nam. Ainda no elenco, o filme conta com a participação de Daniel Wu como Big Head e braço direito de Big Brother Bee.
Andrew Lau cometeu alguns deslizes na direção, como a tentativa de situar o filme em paralelo ao massacre de estudantes na Praça Celestial o que se fica totalmente desconexa e sem sentido. No entanto, com um ótimo elenco, esta prequela apresenta história e personagens interessantes. O estilo de direção mais sóbrio eleva a qualidade do filme, o que faz de Young and Dangerous um filme mais de tríade do que de drama adolescente.
Hong Kong feelings: 4/5
Título original: 新古惑仔之少年激鬥篇 (San Goo Waak Chai Ji Siu Nin Gik Dau Pin)
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Nicholas Tse Ting-Fung, Sam Lee Chan-Sam, Francis Ng Chun-Yu, Ng Chi-Hung, Shu Qi, Lillian Ho Ka-Lei, Daniel Wu, Yu Ka-Ho, Benjamin Yuen Wai-Ho, Law Lan, Chan Wai-Man, Joe Junior, Sandra Ng Kwun-Yu, Kristy Yeung Kung-Yu, Yuen Bun, Lee Siu-Kei
12 de janeiro de 2014
Young and Dangerous 4 (Jovens e Perigosos 4/1997)
O quarto filme de Young and Dangerous começa com a Sociedade Hung Hing procurando um novo líder. O escolhido acaba sendo o irmão do Sr. Chiang. Quando o chefe da região Tuen Mun é morto, Chiang abre uma disputa democrática para eleger o novo ´chefe de Tuen Mun. Os candidatos são Chicken e Barbarian.
Diversos personagens novos são introduzidos sem qualquer explicação de suas vidas egressas. A Sociedade Hung Hing apresenta novos chefes em sua composição, Sup (Sandra Ng) é a líder lésbica de Portland Street enquanto que Ben Hon é irmão do chefe de Tuen Mun assassinado. Apesar de Barbarian ser o antagonista deste filme, o personagem é burro como uma pedra o que garante divertidas cenas, o verdadeiro vilão é interpretado por Roy Cheung. A volta do ator gera confusão por ser também da tríade rival Tung Sing, apesar de interpretar um personagem totalmente diferente.
A volta de Roy Cheung, apesar de ser um problema inicialmente, é muito bem vinda, seu Yiu-Yeung é um personagem bastante interessante. Calmo e metódico, ele arquiteta uma guerra civil na Sociedade Hung Hing. Secretamente ele promove Barbarian, a quem é facilmente manipulado.
A história é cheia de segmentos que se intercalam de forma forçada. Enquanto Chicken está focado em conseguir a indicação para ser o novo líder de Tuen Mun, Ho-Nam tenta superar a perda de Smartie. Quem fica incumbida desta missão é a professora Yan-Kin, interpretada pela belíssima Michele Reis.
O filme recicla diversas ideias dos filmes anteriores, como a disputa de poder entre as facções da Sociedade Hung Hing. Além disso, o defeito da série é reforçado pelo desenvolvimento extremamente raso dos personagens. Fato agravado por um elenco inchado. Ainda temos no elenco, Tai Fai (Anthony Wong) como ex-rival e amigo de Ho-Nam e Wasabi (Karen Mok) como a namorada de Chicken.
Infelizmente Young and Dangerous 4 é o filme mais fraco da série. O filme se apoia em excesso na carisma dos personagens já estabelecidos sem oferecer algo realmente de novo. As cenas de ação praticamente inexistem. Os fãs da série se sentirão satisfeitos com o que o filme oferece, onde o vilão é mais foda que os personagens principais.
Hong Kong feelings: 3/5
Título original: 97古惑仔戰無不勝 (97 goo waak jai: Jin mo bat sing)
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Ekin Cheng Yee-Kin, Jordan Chan Siu-Chun, Michelle Reis, Karen Mok Man-Wai, Alex Man Jin-Leung, Ng Chi-Hung,Roy Cheung Yiu-Yeung, Michael Tse Tin-Wah, Jerry Lamb Hiu-Fung, Jason Chu Wing-Tong, Anthony Wong Chau-Sang, Sandra Ng Kwun-Yu, Pinky Cheung Man-Chi, Wan Yeung-Ming,Spencer Lam Wai-Leung, Ken Lo Wai-Kwong, Lee Siu-Kei, Samuel Leung Cheuk-Moon, Nam Yin, Chan Chui-Fung, Michael Lam Wai-Leung
9 de janeiro de 2014
Once Upon a Time in Triad Society (Era Uma Vez na Tríade/1996)
Não há dúvidas de que o melhor personagem da série Young and Dangerous foi Ugly Kwan. A popularidade do vilão foi tamanha que Once Upon a Time in Triad Society é o primeiro spin-off da série Young and Dangerous. O filme se passa em um universo paralelo à série, com Kwan como personagem principal.
O filme num primeiro momento se apresenta como um filme que conta as origens de Ugly Kwan. Mas a medida que a história vai se desenrolando, esta se torna confusa e sem sentido. Parece que os produtores tentaram produzir uma paródia com Kwan e alguns outros personagens secundários, porém o resultado final é extremamente infeliz.
Apesar da proposta de um filme baseado em Kwan ser boa, a narrativa em off é eloquente e irritante. A boa atuação de Francis Ng consegue entreter em poucas cenas, mas não é o suficiente para salvar o filme. Alguns personagens conhecidos como o padre (Spencer Lam) dão uma familiaridade ao filme que no primeiro momento é bacana.
Criar um filme para o personagem mais divertido do primeiro Young and Dangerous foi uma ideia. É uma pena que a execução tenha sido horrível. Once Upon a Time é completamente desnecessário que não acrescenta em nada ao universo construído pela série Young and Dangerous.
Hong Kong Feelings: 2/5
Título original: 旺角揸Fit人 (Wong Kok cha 'fit' yan)
Diretor: Cha Yuen-Yee
Elenco: Francis Ng Chun-Yu, Loletta Lee Lai-Chun, Edmond So Chi-Wai, Pauline Chan Bo-Lin, Spencer Lam Seung-Yi,Michael Chan Wai-Man, Allen Ting Chi-Chun, Farini Chang, Jamie Luk Kin-Ming, Bat Leung-Gum
7 de janeiro de 2014
Young and Dangerous 3 (Jovens e Perigosos 3/1996)
Homens de preto: jovens e perigosos.
O terceiro filme de Young and Dangerous começa exatamente onde terminou o último filme. Hung Hing (Ekin Cheng), Chicken (Jordan Chan), que havia acabado de matar sua amante, e Nam (Dior Cheng) estavam de luto por Smartie (Gigi Lai), que ficou em coma depois de Young & Dangerous 2. O terceiro filme se inicia com Chicken reingressando à Sociedade Hung Hing, Smartie despertando do coma, mas com amnésia, e Ho-Nam ganha mais responsabilidades de seu benevolente patrão Simon Yam.
No hall de antagonistas que são mais fodas que os personagens principais, temos Roy Cheung. Ele é Crow, um membro da Sociedade Tung Sing, rival da Sociedade Hung Hing. Junto com Tiger (Ng Chi-Hung), eles arquitetam um plano para aniquilar Ho-Nam de Causeway Bay. Com uma atuação tão boa quanto de Francis Ng, é fácil odiar o personagem de Roy Cheung.
Se nos dois primeiros filmes Young and Dangerous tentava ser um filme de tríade, neste terceiro filme da série abraça de vez a temática novelesca adolescente. O filme gasta mais tempo desenvolvendo os personagens, levando a um final surpreendentemente climático. A tensão e o suspense são bem desenvolvidos, pontuados por boas cenas de ação.
A cada filme, o elenco vai ficando mais qualificado o que também melhora na qualidade da série. Karen Mok se perfazendo de uma adolescente biruta e par romântico de Chicken é hilário. Mas o que realmente torna o filme bom é um interessante desenvolvimento de Ho-Nam e Chicken. Tanto Ekin Cheng quanto Jordan Chan evoluíram bastante no papel corrigindo os defeitos de atuações passadas, além de aprimorarem a química existente.
Com o sucesso de bilheteria dos dois primeiros filmes, o orçamento do filme inflou o que resultou em melhor roteiro e melhores locações, incluindo uma bonita sequência em Amsterdã. As cenas de ação melhoraram em grandeza também. Young and Dangerous evolui a cada filme em termos de entretenimento cinematográfico.
Hong Kong feelings: 3,5/5
Título original: 古惑仔3之隻手遮天 (Goo waak jai 3: Ji jek sau je tin)
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Ekin Cheng Yee-Kin, Jordan Chan Siu-Chun, Gigi Lai Chi, Roy Cheung Yiu-Yeung, Ng Chi-Hung, Chan Wai-Man, Anthony Wong Chau-Sang, Jerry Lamb Hiu-Fung, Michael Tse Tin-Wah,Jason Chu Wing-Tong, Lui Chun,Halina Tam Siu-Wan, Blacky Ko Sau-Leung, Simon Yam Tat-Wah, Spencer Lam Seung-Yi, Lee Siu-Kei, Bonnie Lai Suk-Yin, Samuel Leung Cheuk-Moon
6 de janeiro de 2014
Young and Dangerous 2 (Jovens e Perigosos 2/1996)
Altas aventuras em Macau com Jordan Chan (esq.) e Ekin Cheng (centro)
Nesta rápida sequência de Young and Dangerous, a história é centrada em Chicken (jordan Chan). A primeira parte do filme é um longo flashback contando as peripécias do personagem em Taipei, depois que fugiu pra lá por conta dos eventos do filme anterior. Acompanhamos suas aventuras ao lado do seu primo na Gangue San Luen. Eventualmente Chicken se torna importante dentro da organização, ajudando o líder Lui Kung a obter uma cadeira do parlamento taiwanês.
Depois do flashback, vemos o atual chefe de Chicken em terras hongkonesas. Infelizmente não será para passar férias, o que criará tensão entre a Sociedade Hung Hing e a Gangue San Luen. Chicken e Ho-Nam terão seus laços de amizade e lealdade testados. Uma pena que o diretor tenha preferido explorar a temática de forma passável e esquecível. A história supera em qualidade o seu antecessor, mas o filme falha novamente em criar algo de qualidade se comparado aos outros filmes do gênero.
Paralelamente surge Tai Fai, um membro da Sociedade Hung Hing que disputa com Ho-Nam pela cadeira vaga do falecido Bee. Para o lugar de Francis Ng, Anthony Wong foi escalado para ser o antagonista que dificultará a vida do grupo liderado por Ho-Nam. Apesar de ser tão repulsivo quanto Kwan, Tai Fai é mais escatologicamente escroto do que realmente perigoso.
Esta sequencia apresenta o mesmo defeito do predecessor, desenvolvimento insatisfatório do protagonista. Tanto que o filme abre mais espaço para o personagem de Jordan Chan. A atuação de Ekin Cheng continua sendo apática, apesar de demonstrar a mesma rigidez moral. Uma adição bem-vinda no elenco é a de Yau Chingmy, que interpreta a namorada do Sr. Lui Kung e amante de Chicken.
Como um filme de puro entretenimento, é uma boa sequência que mantêm as qualidades e os defeitos do primeiro filme. As cenas de ação são escassas e de qualidade próxima do medíocre. Young and Dangerous mostrou ter capacidade de oferecer um bom drama, mas acabou falhando em sua execução ao se limitar a ser um filme comercial mais preocupado em entreter do que ser um bom filme de tríade.
Hong Kong feelings: 3,5/5
Título original: 古惑仔2之猛龍過江 (Goo waak jai 2: Ji maang lung gwoh gong)
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Ekin Cheng Yee-Kin, Jordan Chan Siu-Chun, Gigi Lai Chi, Chingmy Yau Suk-Ching, Anthony Wong Chau-Sang,Jerry Lamb Hiu-Fung, Michael Tse Tin-Wah, Jason Chu Wing-Tong, Lui Chun,Halina Tam Siu-Wan, Moses Chan Ho,Blacky Ko Sau-Leung, Simon Yam Tat-Wah, Spencer Lam Seung-Yi, Lee Siu-Kei
5 de janeiro de 2014
Young and Dangerous (Jovens e Perigosos/1996)
Amigos para sempre: Jordan Chan (esq.), Ekin Cheng (centro), e Gigi Lai (dir.)
Muito antes de dirigir Infernal Affairs, Andrew Lau já tinha feito seu nome no cinema de Hong Kong com a série de filmes protagonizados por Ekin Cheng e Jordan Chan. Os dois últimos, graças ao sucesso de Young and Dangerous, se tornaram duas das mais badaladas estrelas da cultura pop local. Além disso o filme se tornou um fenômeno pop entre os adolescentes.
Ao longo do filme acompanhamos as aventuras de um grupo de jovens delinquentes liderados por Ho-Nam (Ekin Cheng). Seus caminhos acabam se cruzando com as ambições de Kwan (Francis Ng). Enquanto Ho-Nam lidera seus companheiros com um código de honra tirado direto dos filmes de heroic bloodshed de John Woo, Kwan é um cara sórdido que fará de tudo para se tornar líder da Sociedade Hung Hing.
Além dessa trama principal, existem outras diversas subtramas. Porém ao invés de reforçar a trama principal, acaba diluindo. A falta de foco é um grande problema. Ainda sim, o filme é capaz de oferecer personagens interessantes como Chicken (Jordan Chan), o braço direito de Ho-Nam. Jordan Chan faz um bom trabalho ao mostrar bem a transição de um subordinado de Ho-Nam à alguém com a mesma importância e poder. Porém atuação apática de Ekin Cheng é problemática uma vez que ele é o protagonista, além do roteiro pouco desenvolver o personagem.
No entanto o grande destaque do filme é o antagonista. Kwan é um grande filho da puta. Sem escrúpulo algum, ele arma uma armadilha envolvendo Chicken, Ho-Nam e suas respectivas namoradas. A atuação de Francis Ng é absurdamente exagerada, mas extremamente cômica e incrivelmente ameaçadora. Seu personagem caricato é o grande destaque do filme. Além disso temos alguns outros rostos conhecidos como o de Simon Yam que interpreta Sr. Chiang, líder da tríade.
Apesar do sucesso comercial, o filme está longe de ser algo especial. É bom filme pipoca, mas isso não o coloca no panteão do gênero de tríades como, por exemplo, A Better Tomorrow e The Mission. Young and Dangerous é o primeiro filme de uma série de sete filme. A popularidade do filme foi tamanha que gerou mais outros cinco spin-offs. O filme é uma adaptação de uma história em quadrinho homônima.
Hong Hong feelings: 3,5/5
Título Original: 古惑仔之人在江湖
Diretor: Andrew Lau Wai-Keung
Elenco: Ekin Cheng Yee-Kin, Jordan Chan Siu-Chun, Gigi Lai Chi, Francis Ng Chun-Yu, Jerry Lamb Hiu-Fung, Michael Tse Tin-Wah, Jason Chu Wing-Tong, Ng Chi-Hung, Simon Yam Tat-Wah,Spencer Lam Seung-Yi, Ha Ping, Shing Fui-On, Dion Lam Dik-On, Lee Siu-Kei,Joe Cheng Cho
11 de outubro de 2013
The Big Heat (Esquadrão de Elite/1988)
Waise Lee (esq.) e Philip Kwok (dir.)
O policial Wong Wai Pong sofre danos no nervo da mão direita, que o impede de atirar em momentos cruciais. O inspetor está prestes a assinar sua carta de demissão e dedicar mais tempo a sua noiva Maggie. Porém quando ele descobre que seu amigo e parceiro foi morto na Malásia, Wong não descansará enquanto não encontrar o responsável.
A produção extremamente conturbada acabou afetando a qualidade do filme. Andrew Kam era o diretor principal de The Big Heat, porém Tsui Hark considerou o trabalho dele insatisfatório. O produtor trouxe Johnnie To para consertar o filme, porém o último também abandonou a barca, ou foi chutado dela. Por fim Tsui Hark terminou o filme por conta própria refilmando diversas cenas. Por conta disso o filme é insípido, inexpressivo e banal.
A primeira metade do filme é chato, com os diretores falhando em desenvolver os personagens em cima do drama do Inspetor Wong. The Big Heat jamais consegue ser emocionalmente engajante, por mais que tente emular A Better Tomorrow. Culpa disso é do ator escalado para o papel principal. Waise Lee como Inspetor Wong é completamente apático. Philip Kwok como ator é medíocre, já como diretor de ação mostra mais talento. Inclusive em seu currículo é creditado como um dos diretores de ação do filme “007: O Amanhã Nunca Morre”.
O filme parece engrenar na segunda metade, porém inexplicavelmente tem um ritmo arrastado mesmo com mais cenas de ação. O destaque fica para a cena de tiroteio no hospital que remete a Hard Boiled. O final deveria ser uma carnificina, mas é esquecível. O que salva a produção são esses momentos de ação ultraviolentas, pendendo para o grotesco de tão exageradas. Pena que são poucas.
Hong Kong feelings: 2,5/5
Título Original: 城市特警 (Seng fat dak ging)
Diretor: Johnnie To Kei-Fung e Andrew Kam Yeung-Wah
Elenco: Waise Lee Chi-Hung, Joey Wong Cho-Yin, Philip Kwok Chun-Fung, Matthew Wong Hin-Mung, Paul Chu Kong,Michael Chow Man-Kin
5 de outubro de 2013
Running on Karma (O Ciclo do Carma/2003)
Biggie (Andy Lau) e Yee (Cecilia Cheung) unidos pelo carma.
A primeira vista Running on Karma é mais uma comédia romântica de Johnnie To feita para as massas. Nas próprias palavras do diretor, filmes comerciais como Loving on Diet e Needing You são necessários para financiar projetos pessoais como The Mission e Sparrow. O par principal é estrelado pelos astros Andy Lau e Cecília Cheung. Porém a adição de Wai Ka-Fai como codiretor torna o filme uma grata surpresa que subverte completamente as expectativas.
Andy Lau é Biggie, um go go boy que faz a alegria da mulherada com seu corpo de fisiculturista. Em uma batida policial, ele acaba conhecendo a policial novata Yee interpretada pela Cecilia Cheung. Biggie sabe que uma morte terrível aguarda Yee, pois ele tem o dom de ver o carma de qualquer ser vivo. A história fica ainda mais estranha quando sabemos que antes Biggie era um monge budista, mas que abandona o seu mosteiro depois de um trágico incidente.
Os dois acabam se aproximando, e Biggie passa a questionar se é justo uma pessoa tão bondosa e inocente quanto Yee merecer um destino tão terrível por conta das atrocidades cometidas pela sua vida egressa. Contra os princípios budistas ele tenta ajudá-la a pegar um impiedoso assassino na esperança de que seja possível reverter o carma.
A trama se desenvolve entrelaçada a uma enorme mistura de gêneros. Do suspense sobre o passado de Biggie e o futuro de Yee aos elementos de ação e comédia, Running on Karma é soberbo em todos os gêneros que transita. As cenas de ação remetem aos filmes de kung fu de época fantásticos, onde Biggie escala paredes e dá saltos sobrehumanos em uma cidade moderna ao invés de uma vila medieval. O resultado é extremamente cartunesco, mas que graças a excelente coreografia fica longe de ser ridículo.
Até o final do segundo ato, temos um filme extremamente divertido e inteligente que mescla perfeitamente cenas humoradas e de ação com uma trama sobre redenção. Porém o grande trunfo do filme é que uma vez engajados emocionalmente com os dois personagens principais, no terceiro ato o filme se torna sombrio e se revela, na verdade, como um profundo drama moralista sobre autoconhecimento. Porém a falta de conhecimento prévio sobre a filosofia budista pode acabar gerando confusão nesse ponto. O carma é um dos conceitos budistas mais complicados de compreender com diversas definições e interpretações. Mas o roteiro de Wai Ka-Fai oferece uma excelente explicação que se infunde perfeitamente a narrativa.
Running on Karma é uma peculiar mistura de gêneros que desobedece quase todas as regras relacionadas a como fazer um filme pipoca, e ainda sim sucede de forma espetacular. As atuações de Andy Lau e Cecilia Cheung são excelentes. O primeiro consegue retratar muito bem o cara que tenta fazer a coisa certa mas incapaz de compreender o que é o certo. Já Cecilia Leung transmite uma doçura e inocência que nenhuma outra atriz de Hong Kong é capaz. A narrativa fluída de Johnnie To e o rico roteiro de Wai Ka-Fai, fazem do filme o melhor da parceria desses dois gênios do cinema de Hong Kong.
Hong Kong feelings: 5/5
Título original: 大隻佬 (Daai zek lou)
Diretores: Johnnie To Kei-Fung e Wai Ka-Fai
Elenco: Andy Lau Tak-Wah, Cecilia Cheung Pak-Chi, Eddie Cheung Siu-Fai, Karen Tong Bo-Yu, Chun Wong, Yuen Bun.
27 de setembro de 2013
Rock‘n Roll Cop (Dois Tiras da Pesada/1995)
É dever de todo policial ajudar uma dama em um concurso cultural.
Um grupo de meliantes assaltam uma casa de mahjong em Hong Kong. Em uma fuga alucinante, eles matam reféns e inocentes, conseguindo cruzar a fronteira com a cidade vizinha de Shenzen. A polícia de Hong Kong se vê obrigada a enviar Inspetor Hung para auxiliar um grupo de policiais de Shenzen chefiados pelo Capitão Wong Kun para capturar os assaltantes.
No entanto, Inspetor Hung e Capitão Wong Kun deverão resolver suas diferenças primeiro. Um é despojado, o outro é sério. Um sempre tenta malear as regras, enquanto que o outro as segue cegamente. Visualmente é fácil observar quem é quem. O policial de Hong Kong tem um visual que remete a Bono Vox. Com um cavanhaque e sempre vestido com uma jaqueta preta, Inspetor Hung não perde uma oportunidade de falar quão superior a polícia de Hong Kong é.
Apesar das abordagens completamente diferentes, ambos conseguem contribuir, cada um ao seu modo, para as investigações. As atuações de Anthony Wong, como Inspetor Hung, e Wu Xing Guo, como Capitão Kun, são boas apesar de não serem algo especial. Faltou ao diretor Kirk Wong explorar mais essas duas personalidades conflitantes. Além disso, o filme foi prejudicado pela inclusão de duas subtramas românticas, cada uma relacionada a um dos policias. A sua inclusão quebra o ritmo do filme sendo completamente questionável a escolha do diretor. Mesmo com esse deslize no meio do filme, Kirk Wong consegue se recuperar a tempo para o último ato.
Se em OCTB, o tiroteio final acaba sendo anticlimático, dessa vez Kirk Wong acerta no tom. O ato final surpreende positivamente por ser uma perseguição tensa e enérgica. Porém, o diretor acaba escorregando na última cena, que destoa completamente de todo o filme. Mas o que realmente importa é que as cenas de ação em Rock‘n Roll Cop se equiparam em diversos momentos às melhores cenas de tiroteio de John Woo.
Hong Kong feelings: 3,5/5
Título Original: 省港一號通緝犯 (Saang Gong yat ho tung chap faan)
Diretor: Kirk Wong Chi-Keung
Elenco: Anthony Wong Chau-Sang, Wu Xing-Guo, Yu Rong Guang, Carrie Ng Ka-Lai, Jennifer Chan Ming-Chun
24 de setembro de 2013
Magic Cop (Detetive Espiritual/1989)
Uncle Feng é um policial especializado em casos sobrenaturais. Ele aparece para solucionar uma série de assassinatos misteriosos em Hong Kong. Feng ao usar suas técnicas taoístas descobre que alguém está transformando os mortos em vampiros e usando-os como mulas para transportar drogas. Ao longo do filme ele terá a ajuda do cético sargento Lam.
A trama do filme poderia ser perfeitamente uma descarada mistura entre Arquivo X e A Chinese Ghost Story. Ao manter o tom da narrativa leve, Magic Cop perde uma oportunidade de explorar melhor o ceticismo do sargento Lam, além de não ser capaz de criar a tensão necessária para que o filme funcione plenamente.
A tentativa de ser mais comédia e menos suspense acaba atrapalhando os atores também. O personagem de Wilsom Lam ao não ter uma abordagem mais séria, acaba quebrando um pouco o fantasioso. Sua interpretação acaba sendo razoável. Já Uncle Feng parece ter sido transportado direto de A Chinese Ghost Story com suas técnicas taoístas expurgar os espíritos malignos, além de um kung fu apurado. Porém a atuação Lam Ching-Ying também não consegue criar o contraste necessário para que as diferentes crenças ente Feng e Lam seja interessante ou pelo menos engraçada.
Magic Cop marca a estreia de Stephen Tung na direção. Como ator, ele tem várias participações medíocres. Porém, Tung tem uma carreira destacada como diretor assistente de ação. Em seu currículo estão filmes como A Better Tomorrow e As Tears Go By. As melhoras partes do filme são exatamente as cenas de ação.
A produção toda parece um filme B, porém não é. A trama sobrenatural, a produção de baixo orçamento, elenco pouco estelar remetem a um filme de B. Ao invés de investir no gore, o diretor preferiu investir em comédia. O resultado é um filme incapaz de se destacar em nenhum gênero que o compõe. No fim, Magic Cop acaba divertindo pela sua temática taoísta e pelas cenas de ação bem executadas.
Hong Kong feelings: 3/5
Título original: 驱魔警察 (Qu Mo Jing Cha)
Diretor: Stephen Tung Wai
Elenco: Lam Ching-Ying, Wilson Lam Chun-Yin,Miu Kiu-Wai, Wong Mei-Wah, Michiko Nishiwaka, Wu Ma, Billy Chow Bei-Lei, Chan Chi-Leung, Wong Yuk-Hang, Sung Yat-Lin
24 de agosto de 2013
Overheard 2 (Overheard 2–Nos Bastidores do Poder/2011)
Déjà vu: Daniel Wu (dir.) e Louis Koo (esq.) reencenam passagem de Infernal Affairs
Overheard foi um sucesso comercial e recebeu várias críticas positivas. Para essa sequência, a dupla de diretores Alan Mak e Felix Chong retornam na direção. O trio de atores principais Louis Koo, Lau Ching-Wan e Daniel Wu também retornaram para a franquia. Overheard 2 é uma sequência só no nome, pois a história e os personagens são novos.
No primeiro filme, acompanhamos um suspense sobre três policiais que durante o trabalho tinham em mãos informações privilegiadas e que poderiam obter uma fortuna com essas. Cada um tinha suas motivações para usar aquelas informações, porém havia um preço bem caro a pagar. Porém desta vez, o trio de personagens estão em lados diferentes.
A história do filme é centrada em um grupo de empresários que manipulam a bolsa de valores de Hong Kong conhecido como Landlord Club. Lau Ching-Wan é Manson Law, um dos integrantes desse misterioso clube. Ficamos sabendo que originalmente o clube foi fundado com o objetivo de impedir que grupos estrangeiros lucrassem de forma parasitárias os empresários locais. Porém, o policial Jack Ho investiga Manson Law com o objetivo de obter mais informações sobre as operações ilegais do grupo, mesmo que não tenha provas de sua existência. Em meio a esse conflito, aparece Joe espionando Manson. A princípio suas intenções não são claras, mas a medida que o filme evolui seu personagem se torna central na trama.
Lau Ching-Wan, Louis Koo e Daniel Wu novamente oferecem sólidas atuações. A dinâmica antagônica entre o trio é interessante. Sempre estamos nos perguntando quais são as reais motivações de cada um. Já o vilão deste filme é bem mais interessante e bem melhor interpretado que o de Michael Wong. Kenneth Tsang interpreta muito bem o líder do Landlord Club. Tony é um personagem embriagado pelo poder e pela ganância. Esse pano de fundo relacionado ao mercado financeiro acaba sendo interessante, principalmente com a crise de 2008 ainda bem recente na memória. Mesmo intercalando cenas de perseguição automobilísticas, o filme demora a engrenar. O meio do filme acaba sendo arrastado demais, com muitos diálogos expositivos na tentativa de construir o suspense acerca da intrincada história.
Se o primeiro filme já se parecia muito com uma produção hollywoodiana, a sequência dá um passo a frente nessa direção ao incluir cenas de perseguição dignas do cinema yankee. Novamente o tom cinza impera na narrativa do filme, exceto pelo final quando os personagens são divididos em mocinhos e vilões. Sem problemas com a censura chinesa, Overheard 2 consegue concertar alguns problemas do primeiro filme, principalmente oferecendo uma cena final que não fosse ridículo mesmo sendo politicamente correta. Nessa sequência os diálogos não são tão afiados, porém o filme mantem as boas atuações e uma boa história de suspense.
Hong Kong feelings: 4/5
Título Original: 竊聽風雲2
Diretor: Alan Mak Siu-Fai, Felix Chong Man-Keung
Elenco: Louis Koo Tin-Lok, Lau Ching-Wan, Daniel Wu, Huang Yi, Michelle Ye, Kenneth Tsang Kong,Wu Fung, Lisa Chiao Chiao, Matthew Chow Hoi-Kwong, Wilfred Lau Ho-Lung,Joman Chiang Cho-Man, Kong Ngai, Felix Lok Ying-Kwan, Samuel Kwok Fung, Ben Yuen Fu-Wah, Dion Lam Dik-On, Alex Fong Chung-Sun
26 de junho de 2013
Sparrow (Sparrow/2008)
Na cena que abre Sparrow acompanhamos o grupo de batedores de carteira liderado pelo charmoso Kei. Toda a ação do bando é executada com uma sincronia perfeita e uma precisão absurdamente linda . Com uma cena tão simples, Johnnie To já dita o tom divertido do filme e estabelece aqueles personagens.
No seu tempo livre, Kei aproveita para curtir seu hobby de tirar fotos com uma antiga câmera. Porém uma misteriosa mulher cruza o seu caminho, chamando sua atenção. Mas não é somente ele quem ela enfeitiça com seu charme. Por um motivo inicialmente desconhecido, ela também aborda os outros membros do grupo com o mesmo modus operandi.
Apesar da trama ter vários furos, o filme não exige esforço para entender e acompanhar o enredo. Mesmo que a atitude de alguns personagens não faça muito sentido, o que o filme te exige é saber desfrutar uma narrativa divertida e inteligente. Temas caros ao diretor, como companheirismo e honra, são apresentados, porém não são discutidos.
Esta é a obra mais pessoal do diretor. As cenas foram sendo filmadas ao longo de três anos, quase que uma obra indie e com os atores filmando e refilmando cenas a medida que Johnnie To montava o filme entre um trabalho e outro.
Mesmo com uma forte influência do cinema europeu, Johnnie To mantém sua marca registrada. A trilha sonora, que mistura blues e jazz com um toque oriental, é uma das mais fantásticas e envolventes da filmografia de To. A cena final meticuloso, complexo, belo e caótico é uma homenagem ao musical francês Umbrellas of Cherbourg.
Ademais, as atuações são fantásticas, como sempre o uso de diálogos são mínimos. Rostos conhecidos como o de Simon Yam, Lam Suet, Gordon Lam, Lo-Hoi Pang oferecem atuações simplesmente deliciosas. Mas quem realmente se destaca e surpreende é Kelly Lin. A atriz taiwanesa consegue ser mais do que um colírio para os olhos, sua atuação é imprescindível para que o filme todo funcione.
O filme é uma verdadeira carta de amor de Johnnie To à Hong Kong. Cada quadro é filmado com uma beleza e esmero ímpar. A escolha de filmar em áreas onde ainda se mantém uma arquitetura tradicional dá uma atmosfera completamente diferente da metrópole frenética conhecida pelo mundo inteiro. Sparrow é um delicioso sorbet para qualquer fã do diretor saborear.
Hong Kong feelings: 4,5/5
Título Original: 文雀 (Mah Jeuk)
Diretor: Johnnie To Kei-Fung
Elenco: Simon Yam Tat-Wah, Kelly Lin, Gordon Lam Ka-Tung, Law Wing-Cheong, Kenneth Cheung, Lo Hoi-Pang, Lam Suet
23 de junho de 2013
A Better Tomorrow 3: Love & Death in Saigon (Um Dia Melhor 3: Réquiem de Saigon/1989)
Uma divergência criativa entre Tsui Hark e John Woo sobre o enredo de A Better Tomorrow 3 levou os dois cineastas a caminhos separados. John Woo ficou com o roteiro e foi filmar Bullet in the Head. Tsui Hark ficou com os direitos de A Better Tomorrow e foi filmar sua visão própria sobre a guerra do Vietnã. Se Bullet in the Head está para Apocalipse Now, A Better Tomorrow 3 está mais para Platoon.
A Better Tomorrow 3 é um prequela do primeiro filme que conta o passado de Mark. O pano de fundo é a guerra do Vietnã e ao longo da projeção acompanhamos as idas e vindas de Mark e suas complexas relações com seu melhor amigo Mun e com a female fatale Ying-Kit. Tsui Hark investe bastante no triângulo amoroso, sendo o elemento primordial que faz mover a história do filme. O contexto da Guerra do Vietnã é muito mal utilizado, mas faz sentido dentro da cronologia da série.
A atuação de Chow Yun-Fat não é tão poderosa quanto nos filmes anteriores, mas ainda sim seu Mark continua sendo um personagem absurdamente carismático. Ver Ying-Kit como uma espécie de tutora de Mark é um deleite para os olhos. Foi uma excelente sacada de Tsui Hark fazer a Chiu-Sing repetir as mesmas acrobacias de Mark. A dinâmica entre Ying-Kit e Mark é o ponto alto do filme. Completando o triângulo temos Tony Leung Ka-Fai interpretando Mun.
Em termos de narrativa e história, o terceiro filme é superior a A Better Tomorrow 2. A narrativa mais fluída nos permite observar com mais profundidade cada uma das faces do triângulo amoroso formado por Mark, Mun e Ying-Kit. Os sentimentos que cada um nutrem pelos outros é muito bem trabalhado pelo diretor e fica ainda mais complicado quando aparece um quarto indivíduo. Mas ao contrário de John Woo, Tsui Hark não transforma essas intricadas relações num turbilhão de emoções, preferindo disseca-las.
Porém, ao fim do primeiro ato, a sensação é de que o filme terminou ali. O segundo ato estranhamente parece mais um epílogo, com os personagens vagando sem um rumo definido. É necessário o terceiro ato para preparar o esperado derramamento de sangue. Porém, Tsui Hark não é John Woo, muito menos tentou imita-lo. O tiroteio final não tem a mesma epicidade e carga dramática, apesar do diretor investir forte no melodrama.
A mudança de direção teve pontos positivos e negativos. De negativo as cenas de tiro medianas. As atuações não são tão viscerais. Porém o filme não recicla o enredo do primeiro filme como foi o segundo, mesmo não aprofundando tanto a temática da série que sempre buscou discutir qual a essência de um herói. Tsui Hark nos oferece um filme romântico onde exalta o companheirismo entre Mark e Mun. A Better Tomorrow 3 pode não ser um filme que muitos fãs da série esperavam, mas certamente é satisfatório.
Hong Kong feelings: 3/5
Título original:英雄本色III -夕陽之歌(Jing Hung Bun Sik Saam – Zik Joeng Zi Go)
Diretor: Tsui Hark
Elenco: Chow Yun-Fat, Anita Mui Yim-Fong,Tony Leung Ka-Fai, Shih Kien, Tokito Saburo, Maggie Cheung Ho-Yi, Nam Yin
22 de junho de 2013
Return to 36th Chamber (Retorno a 36ª Câmara do Templo Shaolin/1980)
Chun Jen-Chieh se perfazendo de San Te.
Return to 36th Chamber é uma sequência do excelente The 36th Chamber of Shaolin. Neste filme somos apresentado a um novo personagem principal, porém com uma cara familiar. Chun Jen-Chieh é um artista de rua que tenta enganar os outros como forma de ganha pão. Quando os trabalhadores da tinturaria onde seu irmão trabalha começam a ser oprimidos pelos Machúrios, seus colegas o convencem a se perfazer como lendário monge shaolin San Te para intimidar os opressores.
Claro que tudo dá errado e Chun Jen-Chieh jura aprender kung fu shaolin com o verdadeiro San Te e livrar seus amigos da opressão. Gordon Liu volta a interpretar o papel principal. A princípio é meio confuso essa questão de Gordon Liu de ao mesmo tempo interpretar e não interpretar o seu personagem do filme anterior. Mas sua atuação neste filme mesmo com outro personagem continua igualmente prazeroso e divertido. O monge San Te continua fazendo parte do universo do filme porém interpretado por outro ator e com o status de um respeitado mestre de kung fu shaolin.
O filme tem um ritmo mais cadenciado e adiciona um humor que não havia no original, porém mantendo o elemento forte da série: o nosso herói deverá dominar os desafios da câmara do templo shaolin. No entanto, somente a 36ª Câmara comandada pelo Monge San Te é apresentada ao nosso herói Chu Jen-Chieh. Apesar do tempo de filme menor dedicado ao treinamento e do risco de cair na mesmice, Return to 36th Shaolin Chamber consegue entreter muito com os criativos treinos improvisado.
Return to 36th Chamber,ao invés de seguir a história do monge San Te, busca reaproveitar o mesmo enredo do seu antecessor mas com personagens principais novos. O grande barato do filme era ver justamente o personagem principal superando os desafios de cada câmara do templo shaolin. Dessa vez somos apresentados somente a 36º câmara criada por San Te no filme anterior, mas essa parte do treinamento continua sendo muito divertido. Além disso, o principal “defeito” do primeiro filme é corrigido para a alegria dos puristas que criticavam a falta do embate final entre o herói e o vilão. Vemos Chu Jen-Chieh usar todo o seu kung-fu shaolin improvisado para chutar a bunda do chefe manchúrio, sendo a luta ao mesmo tempo cômico e muito bem coreografado.
Hong Kong feelings: 4/5
Título original: 少林搭棚大師 (Siu Lam Ta Pung Tai Si)
Diretor: Lau-Kar-Leung
Elenco: Gordon Liu Chia-Hui, Johnny Wang Lung-Wei, Chen Szu-Chia, Kara Hui Ying-Hung, Hsiao Hou, Wong Gam-Fung, Cheng Wai-Ho, Wong Ching-Ho, Wa Lun, Lee King Chue, Yau Chiu-Ling, Cheng Miu, Kong Do
2 de junho de 2013
Jorney to the West–Conquering the Demons (Jornada ao Oeste-Expurgando os Demônios/2013)
Jorney to the West é o primeiro filme de Stephen Chow em cinco anos. As expectativas sobre o filme não poderiam ser maiores. Apesar de Chow não estar no elenco, a sua presença na direção mais que garante o sucesso comercial. Com adiamentos da data de lançamento e um orçamento inflado, sendo o maior de todos os tempos para uma produção de Hong Kong, Journey to the West busca um lugar ao sol entre as inúmeras adaptações do livro homônimo.
Na cena de abertura somos apresentado a Xuanzhang (Wen Zhang), um caçador de demônios que segue os preceitos budistas. O nosso jovem herói tenta salvar o vilarejo do ataque. A cena é muito bem elaborada, porém peca em gastar tempo demais sem estabelecer a história do filme e os personagens principais, chegando a ser alienante. Se esperávamos uma história centrada no Macaco-Rei, o filme traz um frescor ao contar a origem do monge Tripitaka e como ele recruta seus discípulos para a jornada em busca dos sutras buditas. Porém este é somente um sub-enredo. A história central do filme foca no romance entre Xuanzhang e Miss Duan (Shu Qi), que remete a mesma temática explorada na adaptação dirigida por Jeff Lau com Stephen Chow como Joker/Macaco-Rei.
Por falar em A Chinese Odyssey, a sua trilha sonora é tão marcante que algumas composições de Jorney to the West são inspirados no filme de Jeff Lau. O momento mais inspirador certamente é da Shu Qi cantando a música Love of a Lifetime. Impossível não lembrar da cena final de A Chinese Odyssey Part II: Cinderella que encerra magistralmente a história de Joker e Zixia após uma longa jornada de amor dedicado e arrependimento irreconciliável. Ao mesmo tempo a cena é um ponto negativo para Journey to the West, apesar do casal Xuanzhang e Senhorita Duan seguirem os mesmos passos de Joker e Zixia não existe o mesmo peso emocional.
O elenco pouco estelar evidencia a crise que se passa no cinema de Hong Kong. O nome de maior apelo comercial acaba sendo o Shu Qi, uma atriz/modelo famosa mais por sua beleza do que por boas atuações. Sua atuação é totalmente inconsistente, incapaz de interpretar uma personagem durona de forte personalidade. O que é um grave problema, pois a Senhorita Duan forma o casal de personagens principais do filme. Todo o peso acaba caindo nas costas de Wen Zhang. Seu Xuanzhang funciona, no final, como um típico herói muito atrapalhado que descobre ser dono de um grande poder. Um papel que Stephen Chow teria interpretado a perfeição. Porém, o elenco não está a altura do talento de Chow. Inclusive o roteiro não colabora. Chen Bingqian e Shing Cheung-Lee interpretam respectivamente KL Hog e o demônio da água, mesmo na forma humana, o máximo que os atores tem que fazer é grunhir.
Por ser um filme de Stephen Chow é mais do que esperado cenas de comédia, porém além delas Journey to the West tem uma direção surpreendentemente sombria. Muitas mortes são chocantes criando um forte contraste com a sensação de um clima familiar na maior parte do filme. Temos uma mistura de gêneros, porém não funciona tão bem quanto em Shaolin Soccer ou King of Comedy.
O filme é uma fantasia com seres místicos e sobrenaturais, porém as escolhas de estética e figurino dos personagens são estranhas. Os demônios são retratados como seres bestiais numa modelagem mais realista, porém não ajudam a criar um ambiente fantástico. A falta de uma identidade visual própria é agravada pelo uso excessivo de computação gráfica para gerar paisagens simplesmente genéricas. Mesmo assim, tais cenas são as melhores que o cinema chinês já ofereceu, porém, anos-luz atrás de Hollywood.
Infelizmente, Jorney to the West é um dos filmes mais fracos de Stephen Chow. Há algumas cenas bem engraçadas, o que mostra que o rei da comédia não perdeu seu instinto cômico. Porém, Chow parece mostrar sinais de estar enferrujado depois de tanto tempo sem dirigir um filme. O filme tem um ritmo estranhamente cadenciado, como se não soubessem qual direção tomar. O drama e o romance não funcionam, no entanto parte da culpa reside na falta de química entre Wen Zhang e Shu Qi. As referências à Dragon Ball Z no final do filme, infelizmente, fazem um desserviço aos fãs. A imensa expectativa criada somente aumenta a decepção. É um filme que pode ser considerado bom para os padrões atuais de Hong Kong, porém mediano para os padrões do diretor.
Hong Kong feelings: 2,5/5
Título original:西遊.降魔篇 (Xi You Xiang Mo Pian)
Diretor: Stephen Chow Sing-Chi, Derek Kwok Chi-Kin
Elenco: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Luo, Chrissie Chau Sau-Na, Lee Sheung-Ching, Chen Bing-Qiang, Xing Yu, Zhang Chao-Li, Cheng Sihan, Chiu Chi-Ling, Lu Zhengyu, Yang Di, Ge Xing-Yu, Fung Min-Hun, Xie Jingjing, He Wen-Hui, Tang Yi-Xin.
29 de abril de 2013
Organized Crime And Triad Bureau (OCTB/1994)
Cindy (Cecília Yip) e Tung (Anthony Wong)
O chefe da divisão contra crime organizado e tríades da polícia de Hong Kong (em inglês Organized Crime and Triad Bureau) fará de tudo para prender o líder de uma tríade especializado em assaltos a joalherias. Para capturá-lo, Inspetor Lee desafiará os limites da lei. Então começa uma caçada que se torna cada vez mais pessoal.
Em filmes do gênero policial/tríade, usualmente temos um inescrupuloso chefe da tríade que adora matar inimigos de várias formas criativas e que vive cercado de belas mulheres. Do outro lado, temos o policial mocinho que trabalhará dia e noite para capturar o vilão. O roteiro de OCTB contém todos esses elementos, porém com algumas modificações. O mocinho não é tão mocinho, nem o vilão é tão vilão.
O senso de justiça do Inspetor Lee é totalmente questionável, porém sua paixão pela profissão consegue de alguma forma cativar compensando suas ações. A interpretação de Danny Lee é muito boa, mesmo sendo impossível odiar ou adorar seu personagem policial. Do outro lado, Anthony Wong mostra ser um dos atores mais talentosos do cinema de Hong Kong. Não há ninguém melhor para interpretar personagens ambíguos como ele. A sua atuação neste filme não é de longe a melhor de sua carreira, mas é impossível não simpatizarmos com Tung e não torcer para que ele consiga fugir do obcecado inspetor.
Da dupla de atores principais não se poderia esperar menos que uma boa atuação. Apesar dos antagonistas serem o centro das atenções quem surpreende mesmo é Cecília Yip. A atriz interpreta Cindy, amante de Tung e cúmplice nas atividades criminosas do amado. A medida que a história avança compreendemos a lealdade e o amor que Cindy nutre pelo chefe de tríade. A química entre os dois é excelente e é um dos pontos mais interessantes do filme.
Organized Crime and Triad Bureau tem uma boa história, sólidas atuações, porém falha em sua execução. O filme demora para atingir seu clímax. O tiroteio que encerra o filme é pífio, mesmo descontando o fato que Kirk Wong não tem a mesma capacidade técnica em filmar cenas de tiroteio como seu contemporâneo John Woo. Apesar disso a cena final encerra satisfatoriamente a história.
Kirk Wong foi mais um que entrou para a lista de diretores hong kongneses formada por nomes como John Woo, Tsui Hark e Ringo Lam que migraram para Hollywood. Inclusive o seu estilo de direção se assemelha ao do último. No entanto o diretor está vários degraus abaixo da santa trindade de diretores da década de 80. Mas isso não impediu de Hollywood contratá-lo para dirigir Tiro e Queda (1998), estrelado por Mark Wahlberg.
Hong Kong feelings: 3,5/5
Título original:重案實錄O記 (Chung Ngon Sat Luk O Gei)
Diretor: Kirk Wong Chi-Keung
Elenco: Danny Lee Sau-Yin, Anthony Wong Chau-Sang, Cecilia Yip Tung, Roy Cheung Yiu-Yeung, Parkman Wong Pak-Man, Elizabeth Lee Mei-Fung, Fan Siu-Wong, Michael Lam Wai-Leung.