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11 de outubro de 2013

The Big Heat (Esquadrão de Elite/1988)

bigheat Waise Lee (esq.) e Philip Kwok (dir.)

O policial Wong Wai Pong sofre danos no nervo da mão direita, que o impede de atirar em momentos cruciais. O inspetor está prestes a assinar sua carta de demissão e dedicar mais tempo a sua noiva Maggie. Porém quando ele descobre que seu amigo e parceiro foi morto na Malásia, Wong não descansará enquanto não encontrar o responsável.

A produção extremamente conturbada acabou afetando a qualidade do filme. Andrew Kam era o diretor principal de The Big Heat, porém Tsui Hark considerou o trabalho dele insatisfatório. O produtor trouxe Johnnie To para consertar o filme, porém o último também abandonou a barca, ou foi chutado dela. Por fim Tsui Hark terminou o filme por conta própria refilmando diversas cenas. Por conta disso o filme é insípido, inexpressivo e banal.

A primeira metade do filme é chato, com os diretores falhando em desenvolver os personagens em cima do drama do Inspetor Wong. The Big Heat jamais consegue ser emocionalmente engajante, por mais que tente emular A Better Tomorrow. Culpa disso é do ator escalado para o papel principal. Waise Lee como Inspetor Wong é completamente apático. Philip Kwok como ator é medíocre, já como diretor de ação mostra mais talento. Inclusive em seu currículo é creditado como um dos diretores de ação do filme “007: O Amanhã Nunca Morre”.

O filme parece engrenar na segunda metade, porém inexplicavelmente tem um ritmo arrastado mesmo com mais cenas de ação. O destaque fica para a cena de tiroteio no hospital que remete a Hard Boiled. O final deveria ser uma carnificina, mas é esquecível. O que salva a produção são esses momentos de ação ultraviolentas, pendendo para o grotesco de tão exageradas. Pena que são poucas.

Hong Kong feelings: 2,5/5

Título Original: 城市特警 (Seng fat dak ging)

Diretor: Johnnie To Kei-Fung e Andrew Kam Yeung-Wah

Elenco: Waise Lee Chi-Hung, Joey Wong Cho-Yin, Philip Kwok Chun-Fung, Matthew Wong Hin-Mung, Paul Chu Kong,Michael Chow Man-Kin

27 de setembro de 2013

Rock‘n Roll Cop (Dois Tiras da Pesada/1995)

rnrcop É dever de todo policial ajudar uma dama em um concurso cultural.

Um grupo de meliantes assaltam uma casa de mahjong em Hong Kong. Em uma fuga alucinante, eles matam reféns e inocentes, conseguindo cruzar a fronteira com a cidade vizinha de Shenzen. A polícia de Hong Kong se vê obrigada a enviar Inspetor Hung para auxiliar um grupo de policiais de Shenzen chefiados pelo Capitão Wong Kun para capturar os assaltantes.

No entanto, Inspetor Hung e Capitão Wong Kun deverão resolver suas diferenças primeiro. Um é despojado, o outro é sério. Um sempre tenta malear as regras, enquanto que o outro as segue cegamente. Visualmente é fácil observar quem é quem. O policial de Hong Kong tem um visual que remete a Bono Vox. Com um cavanhaque e sempre vestido com uma jaqueta preta,  Inspetor Hung não perde uma oportunidade de falar quão superior a polícia de Hong Kong é.

Apesar das abordagens completamente diferentes, ambos conseguem contribuir, cada um ao seu modo, para as investigações. As atuações de Anthony Wong, como Inspetor Hung, e Wu Xing Guo, como Capitão Kun, são boas apesar de não serem algo especial. Faltou ao diretor Kirk Wong explorar mais essas duas personalidades conflitantes. Além disso, o filme foi prejudicado pela inclusão de duas subtramas românticas, cada uma relacionada a um dos policias. A sua inclusão quebra o ritmo do filme sendo completamente questionável a escolha do diretor. Mesmo com esse deslize no meio do filme, Kirk Wong consegue se recuperar a tempo para o último ato.

Se em OCTB, o tiroteio final acaba sendo anticlimático, dessa vez Kirk Wong acerta no tom. O ato final surpreende positivamente por ser uma perseguição tensa e enérgica. Porém, o diretor acaba escorregando na última cena, que destoa completamente de todo o filme. Mas o que realmente importa é que as cenas de ação em Rock‘n Roll Cop se equiparam em diversos momentos às melhores cenas de tiroteio de John Woo.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título Original: 省港一號通緝犯 (Saang Gong yat ho tung chap faan)

Diretor: Kirk Wong Chi-Keung

Elenco: Anthony Wong Chau-Sang, Wu Xing-Guo, Yu Rong Guang, Carrie Ng Ka-Lai, Jennifer Chan Ming-Chun

29 de abril de 2013

Organized Crime And Triad Bureau (OCTB/1994)

octb Cindy (Cecília Yip) e Tung (Anthony Wong)

O chefe da divisão contra crime organizado e tríades da polícia de Hong Kong (em inglês Organized Crime and Triad Bureau) fará de tudo para prender o líder de uma tríade especializado em assaltos a joalherias. Para capturá-lo, Inspetor Lee desafiará os limites da lei. Então começa uma caçada que se torna cada vez mais pessoal.

Em filmes do gênero policial/tríade, usualmente temos um inescrupuloso chefe da tríade que adora matar inimigos de várias formas criativas e que vive cercado de belas mulheres. Do outro lado, temos o policial mocinho que trabalhará dia e noite para capturar o vilão. O roteiro de OCTB contém todos esses elementos, porém com algumas modificações. O mocinho não é tão mocinho, nem o vilão é tão vilão.

O senso de justiça do Inspetor Lee é totalmente questionável, porém sua paixão pela profissão consegue de alguma forma cativar compensando suas ações. A interpretação de Danny Lee é muito boa, mesmo sendo impossível odiar ou adorar seu personagem policial. Do outro lado, Anthony Wong mostra ser um dos atores mais talentosos do cinema de Hong Kong. Não há ninguém melhor para interpretar personagens ambíguos como ele. A sua atuação neste filme não é de longe a melhor de sua carreira, mas é impossível não simpatizarmos com Tung e não torcer para que ele consiga fugir do obcecado inspetor.

Da dupla de atores principais não se poderia esperar menos que uma boa atuação. Apesar dos antagonistas serem o centro das atenções quem surpreende mesmo é Cecília Yip. A atriz interpreta Cindy, amante de Tung e cúmplice nas atividades criminosas do amado. A medida que a história avança compreendemos a lealdade e o amor que Cindy nutre pelo chefe de tríade. A química entre os dois é excelente e é um dos pontos mais interessantes do filme.

Organized Crime and Triad Bureau tem uma boa história, sólidas atuações, porém falha em sua execução. O filme demora para atingir seu clímax. O tiroteio que encerra o filme é pífio, mesmo descontando o fato que Kirk Wong não tem a mesma capacidade técnica em filmar cenas de tiroteio como seu contemporâneo John Woo. Apesar disso a cena final encerra satisfatoriamente a história.

Kirk Wong foi mais um que entrou para a lista de diretores hong kongneses formada por nomes como John Woo, Tsui Hark e Ringo Lam que migraram para Hollywood. Inclusive o seu estilo de direção se assemelha ao do último. No entanto o diretor está vários degraus abaixo da santa trindade de diretores da década de 80. Mas isso não impediu de Hollywood contratá-lo para dirigir Tiro e Queda (1998), estrelado por Mark Wahlberg.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original:重案實錄O記 (Chung Ngon Sat Luk O Gei)

Diretor: Kirk Wong Chi-Keung

Elenco: Danny Lee Sau-Yin, Anthony Wong Chau-Sang, Cecilia Yip Tung, Roy Cheung Yiu-Yeung, Parkman Wong Pak-Man, Elizabeth Lee Mei-Fung, Fan Siu-Wong, Michael Lam Wai-Leung.

3 de dezembro de 2012

Overheard (Overheard–Informações Sigilosas/2009)

overheard Daniel Wu  (esquerda), Lau Ching-Wan (centro) e Louis Koo (direita)

Dos aclamados diretores da trilogia Infernal Affairs, Alan Mak e Felix Chong retomam a parceria para mais um filme de suspense envolvendo policiais, mas que neste filme enfrentam criminosos de colarinho branco. Com uma dupla renomada de diretores e um elenco respeitável, a enorme expectativa criada sobre Overheard é mais do que justificado.

O resultado é filme comercial sólido, com boas atuações e uma narrativa com poucos tropeços. O filme colheu críticas boas em geral e foi um sucesso de público. Alan Mak e Felix Chong entregam um filme que consegue entreter com bastante tensão e algumas surpresas. Porém não espere por um novo Infernal Affairs, apesar de guardar alguns resquícios do filme mais sucedido da dupla.

A história de Overheard gira em torno de três policiais do Departamento de Crimes Comerciais (CCB) da Polícia de Hong Kong. O trabalho de Johnny (Lau Ching-Wan), Gene (Louis Koo) e Max (Daniel Wu) é de espionar a empresa E&T suspeita de manipular suas próprias ações na bolsa de valores e de outros esquemas ilegais. As câmeras e os microfones escondidos no escritório transformam o trabalho dos policiais numa espécie de Big Brother. A princípio nada de suspeito acontece, no máximo flagram um dos executivos, Sr. Low (Waise Lee), dando uns amassos na deliciosa atriz Queenie Chu. Porém quando o trio de policiais escutam sobre o esquema de manipulação das ações se sentem tentados a aproveitar para ganhar uma grana preta.

Claro que tal atitude é completamente antiético, porém cada um têm suas motivações para se inclinarem a cometer tal delito. Gene sofre de câncer terminal e, sem dinheiro, ele observa aquilo como uma oportunidade de deixar para sua família um bom patrimônio. Max se deslumbra com a possibilidade de ficar rico e logo apoio a ideia de apagar as gravações incriminadoras para tirar vantagem das informações privilegiadas. Já Johnny é um policial correto e se sente incomodado com aquela situação. Não somente pela conduta dos seus colegas, mas pelo seu próprio dilema moral: Johnny tem um caso com Mandy (Zhang Jingchu), a mulher de seu amigo e também policial Kelvin (Alex Fong).

Porém seguindo um ditado de Wall Street, não existe almoço grátis. O uso dessas informações logo trará problema para os policias. E é nesse ponto do filme que surge o vilão Sr. Ma, responsável por todas essas falcatruas e manipulações, interpretado epicamente pelo péssimo Michael Wong. É incrível como ele consegue permanecer na indústria apesar de ser muito fraco tecnicamente. Descendente de chinês, ele nasceu nos EUA. Depois de formar no ensino médio, Wong decidiu cruzar o Pacífico e tentar a sorte em Hong Kong como ator. Fluente em inglês mas não em cantonês, tal peculiaridade é sua marca registrada. Michael Wong mescla frases em chinês e inglês numa combinação bizarra, mas nunca sabemos se isso é improvisado ou faz parte embebedar os roteiristas e incluir linhas de diálogo apropriadas para o calibre do ator.

Ao menos, a atuação de Michael Wong é balanceada pela boa atuação do trio de atores principais. Louis Koo demonstra uma evolução constante e interpreta bem a fragilidade e desespero de Gene. Daniel Wu encarna perfeitamente o ingênuo policial Max. Já Lau Ching-Wan, o melhor ator disparado do elenco do filme, interpreta com bastante efetividade a ambiguidade de Johnny.

O principal defeito do filme é quando o roteiro se vê obrigado a apagar o tom cinza da narrativa para atender aos interesses comerciais. Infelizmente, a China continental se tornou o principal mercado do decadente cinema de Hong Kong e os filmes devem passar antes pela censura chinesa para que possam ser comercializados por lá. Overheard sofreu muitos problemas, inclusive obrigando os codiretores a refilmar cenas e editar outras, para atender as exigências do órgão de censura chinesa. A cena final, onde o bem triunfa sobre o mal, é ridícula, talvez até sendo, ouso dizer, uma crítica velada ao problema de censura que o filme sofreu durante a sua produção.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 竊聽風雲 (Sit yan fung wan)

Diretor: Alan Mak Siu-Fai, Felix Chong Man-Keung

Elenco: Lau Ching-Wan, Louis Koo Tin-Lok, Daniel Wu, Alex Fong Chung-Sun, Zhang Jingchu, Lam Ka-Wah, Michael Wong Mun-Tak, Waise Lee Chi-Hung, William Chn Wai-Tung, Sharon Luk Tze-Wan, Stephen Au Kam-Tong, Queenie Chu Wai-Man, Felix Lok Ying-Kwan, Henry Fong Ping.

30 de outubro de 2012

Motorway (Motorway - Dirigindo sem limites/2012)

motorway‘Need for Speed’ feelings

Motorway é o mais novo filme da Milkyway, produtora do lendário diretor Johnny To. O filme se passa em Hong Kong cuja polícia possui um grupo chamado de “Esquadrão Invisível”, policiais que andam em carros comuns para pegar em flagrante os motoristas que se acham pilotos de corrida.

A trama é a mais genérica possível. Cheung (Shawn Yue) é um dos membros desse esquadrão, e que nas horas vagas é um piloto de racha que tenta fazer justiça com as próprias mãos quando não consegue prender como um agente da lei. Tal vida dupla não traz problemas para ele, inclusive é aceita pelo seu parceiro. O parceiro e mentor do impulsivo Cheung é o veterano policial Lo (Anthony Wong).

Porém tudo muda quando Jiang (Guo Xiaodong) aparece em parceria com o criminoso Wong (Li Hai-To). Jiang é um lendário piloto que nunca foi preso pela polícia. Cheung casualmente tentará prendê-lo, mas no primeiro encontro descobre que sua técnica de pilotagem é muito inferior. Além de preparar com cuidado suas rotas de fuga, Jiang usa técnicas pouco ortodoxas para se livrar de seus perseguidores, como por exemplo criar uma cortina de fumaça queimando os pneus. Apesar de Jiang ser o personagem mais interessante, o papel somente exige de Guo Xiadong uma cara calma de quem tem sempre controle da situação.

No elenco temos nomes familiares em produções da Milkyway. Gordon Lam interpreta o chefe de Cheung e Lo, respectivamente Shawn Yue e Anthony Wong. Assistir o veterano ator é sempre divertido, mesmo sendo clichê dos clichês o seu policial estar contando os dias da aposentadoria. Shawn Yue oferece uma atuação sem falhas, mas nada brilhante por conta de um personagem com desenvolvimento incompleto. O roteiro poderia muito bem explorar a relação ambígua de Cheung com a lei e sua paixão pela velocidade. A relação entre pupilo e mestre funciona graças a boa química que existe entre ambos os atores.

Essa relação entre pupilo e mestre também pode ser estendida a direção. A cada filme que dirige, Soi Cheang mostra nítida evolução nos aspectos técnicos. O diretor parece ter herdado do produtor Johnnie To o talento para filmar cenas visualmente apuradas e impecáveis. Ainda está longe de chegar perto do nível do mestre, precisando evoluir outros aspectos. Mas isso só acontecerá quando aparecer as oportunidades de dirigir projetos mais pessoais.

Do ponto de vista técnico, Motorway é impecável com cenas de perseguição muito bem filmadas, sendo algumas bastante criativas. Porém sendo um filme produzido pela Milkyway, talvez o aspecto decepcionante seja a falta de personagens memoráveis. O personagem mais interessante acaba sendo Jiang, pois sempre ficamos na expectativa do que ele fará para se livrar dos policiais em seu encalço. Ainda que filme recicle várias ideias de filmes, inclusive, da própria produtora, este diverte bastante ao que se propõem.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 車手 (Che Sau)

Diretor: Soi Cheang Pou-Soi

Elenco: Shawn Yue, Anthony Wong Chau-Sang, Guo Xiao-Dong, Barbie Hsu, Michelle Ye, Gordon Lam Ka-Tung, Josie Ho Chiu-Yi, Li Hai-Tao, Li Guagjie, Wilfred Lau Ho-Lung, Anson Leung Chun-Yat.

22 de outubro de 2012

PTU (PTU:Unidade de Força Tática/2003)

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Depois de quatro anos fazendo filmes comerciais, principalmente comédia romântica, Johnnie To retorna ao gênero que o consagrou. Para elevar ainda mais a ansiedade dos fãs, entre várias pausas das filmagens o filme levou quase um ano para ser produzido.

O filme começa quando Sargento Lo Sa (Lam Suet) perde sua arma depois de apanhar para um grupo de delinquentes. Um grupo de policiais da PTU se prontificam em ajudar o companheiro à encontrar sua arma. O veterano policial Mike (Simon Yam) lidera o grupo pelas vielas e prédios abandonados de Hong Kong. Já a Inspetora Cheng lidera um grupo de políciais da CID que investiga a morte de Ponytail, chefe do grupo de delinquentes que atacaram Sargento Lo. O método de investigação pouco ortodoxo de ambos os grupos é até certo ponto eficiente, mas questionável. O tom cinza impera entre os personagens, principalmente entre os agentes da lei.

Johnnie To sutilmente discute a disputa de egos que existe entre as facções dentro da polícia de Hong Kong e dentro das tríades. Essas cenas possuem diálogos mínimos como é marca registrada do diretor. Para PTU, Johnny To chamou Lam Suet para interpretar o Sargento Lo, tendo uma das melhores atuações de sua carreira. Simon Yam, outra figura carimbada na filmografia do diretor, imbuí Mike de uma ambiguidade que é fascinante. Ruby Wong e Maggie Siu são adições bem vindas, ao quebrar um pouco o paradigma de um universo tipicamente masculino, apesar de seus personagens não serem tão interessantes assim.

No entanto, o personagem principal do filme sem sombra de dúvidas é uma Hong Kong soturna. Ambientação noturna confere a cidade uma aura completamente diferente da metrópole frenética mundialmente conhecida. E dentro dela acompanhamos as idas e vindas de dois grupos de patrulha da Unidade de Força Tática (PTU), outro grupo da Divisão de Investigação Criminal (CID), duas facções da tríade e o Sargento Lo nadando entre esses tubarões. Nessa longínqua noite, uma espiral de eventos acaba culminando em uma verdadeira guerra.

No entanto, o final é totalmente anticlimático. A cena final de profunda ironia não é o problema, pelo contrário. Mas a reviravolta envolvendo Mike é bem decepcionante, principalmente por apelar para o clichê do novato relembrando o veterano do seu dever como policial. Outro problema do filme é o seu ritmo excessivamente cadenciado. Mas o esmero visual com que Johnnie To filma as cenas compensam em parte os problemas.

PTU não é um filme brilhante, não chega nem perto da obra-prima The Mission.  Porém, o diretor oferece uma visão ímpar de Hong Kong, serena mas igualmente perigosa.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: PTU

Diretor: Johnnie To Kei-Fung

Elenco: Simon Yan Tat-Wah, Lam Suet, Maggie Siu Mei-Kei, Ruby Wong Cheuk-Ling, Raymond Wong Ho-Yin, Eddie Ko Hung, Wong Tin-lam, Lo Hoi-Pong, Kenneth Cheung.

11 de outubro de 2012

City on Fire (Perigo Extremo/1987)

image Danny Lee (esquerda) e Chow Yun-Fat (direita): amigos ou inimigos?

A parceria entre Chow Yun-Fat e John Woo foi uma das mais vitoriosas do cinema de Hong Kong. Mas outro diretor que teve um papel importante na carreira do ator foi certamente Ringo Lam. Em City on Fire, o diretor preferiu investir no drama, com poucas cenas de tiro e nenhuma chegando perto do nível técnico estabelecido por John Woo.

Neste filme, Chow Yun-Fat é o policial Ko Chow que age infiltrado no submundo do crime. O filme explora o conflito moral de Ko, pois este sabe que a qualquer momento terá que prender aqueles com quem construiu laços de lealdade. Apesar de Ko Chow estar cansado dessa vida dupla, Inspetor Lau (Sun Yueh) sempre insiste em um último trabalho. Além disso sua namorada Hung (Carrie Ng) lhe dá um ultimato. Para a angústia de Ko, ele acaba sempre aceitado colocar o chamado do dever acima de sua felicidade.

Eventualmente Ko Chow se torna amigo de Fu, um ladrão de joalherias, interpretado por Danny Lee. Ambos tem bastante características em comum, aliado à atuação carismática de seus respectivos atores, o que torna o destino dessa amizade bastante trágica.  Ao mesmo tempo, o policial infiltrado tem sob seu encalço um detetive novato e extremamente ambicioso interpretado por Roy Cheung que quer ocupar a posição do Inspetor Lau. A tensão é muito bem construída até o seu clímax, onde Ko deverá fazer sua derradeira escolha entre lealdade e justiça.

Ringo Lam consegue explorar toda a versatilidade de Chow Yun-Fat. Ao lidar com cada vez mais dilemas, o seu personagem vai se tornando mais angustiado. Nos simpatizamos com Ko ainda mais quando Chow transmite um fio de esperança nos momentos que o personagem se permite descontrair por um breve momento antes que a sua vida de policial infiltrado caia como um martelo em sua cabeça.

Para quem já viu Cães de Aluguel, dentre as milhares de referências que o filme de Tarantino faz algumas são em relação à City on Fire. Por exemplo, os eventos após um desastrado assalto à uma joalheria. O próprio diretor estadunidense é um fã assumido deste filme.

City on Fire investe em uma trama rica com diversos choques de interesses entre os vários personagens. Esses diversos personagens, inclusive os secundários, são bens desenvolvidos. Chow Yun-Fat e Danny Lee oferecem sólidas atuações, mesmo não sendo suas melhores. Outro que está acima da média é o subestimado e versátil Roy Cheung que transforma o seu detetive em um personagem extremamente detestável. Com poucos defeitos, City on Fire é um dos melhores filmes de Ringo Lam. Uma pena que o diretor tenha cruzado o Pacífico para ser diretor de Jean Claude Van Damme em filmes, na sua maioria, lançados diretos para o mercado de DVD.

Hong Kong feelings: 4/5

Título orignal: 龍虎風雲 (Lung Fu Fong Wan)

Diretor: Ringo Lam Ling-Tung

Elenco: Chow Yun-Fat, Danny Lee Sau Yin, Roy Cheung Yiu-Yeung, Sun Yueh, Carrie Ng Kai-Lai, Ho Ka-Hui, Tsui Kam-Kong, Lau Kong, Parkman Wong Pak-Man, Tommy Wong Kwong-Leung, Maria Cordero.

15 de abril de 2012

Protègè (O Protegido/2007)

protege Da direita para esquerda: Louis Koo, Anita Yeun, Andy Lau, Daniel Wu e Zhang Jingchu

O policial Nick está há mais de 7 anos infiltrado nas operações de um mega-traficante de heroína. Nesse meio tempo ele se torna o braço direito de Quin. Acompanhamos o seu dia a dia, quando Nick, ironicamente, conhece Jane, uma usuária de heroína. Ao mesmo tempo que tenta lidar com a problemática vizinha, ele tem que gerenciar os choques de interesse entre seus dois “patrões”.

Além da temática sobre drogas, outras questões são exploradas pelo filme. A principal delas é a relação ambígua de Nick com a polícia e o crime organizado. Ao longo do filme essas intricadas relações que cerceiam ele vão ficando cada vez mais complexa. Ao mesmo tempo que este é o elemento que torna o filme interessantíssimo é também o mais frágil.

O diretor Derek Yee conduz bem a trama, com o filme ganhando ritmo e tensão no seu desenrolar. O diretor lança questões interessantes como a falta de interesse de Quin em entender os seus “consumidores” ao mesmo tempo que se sente frustrado diante de sua filha adolescente fumante e problemática. Outra cena provocante é quando traficante e produtor de ópio fazem uma avaliação econômica do mercado com dados da ONU. Porém o potencial total do enredo não é atingido seja pela falta de profundidade dos temas abordados, seja pelo desenvolvimento incompleto dos personagens.

Assim como o roteiro, as atuações são boas porém nada que seja brilhante. Daniel Wu como Nick lhe falta intensidade para um personagem que deveria estar a beira do abismo. Já Andy Lau consegue interpretar muito bem a fragilidade de Quin, causado por problemas renais, ao mesmo tempo que seu personagem amoral se sente incerto sobre seu futuro por conta da doença. Ora o simpatizamos, ora repudiamos. Zhang Jingchu mostra competência ao interpretar Jane. O destaque negativo é Louis Koo. Apesar do pouco tempo de tela e um personagem secundário destoante, o ator consegue entregar uma péssima atuação. A relação conturbada entre Jane, seu marido, a filha e as drogas acaba sendo mal discutida.

Derek Yee não entrega o que prometeu na cena de prólogo, mas ainda sim é um filme sólido com poucas falhas. Nick se defronta com vários dilemas, mas o personagem parece conseguir lidar com certa tranquilidade a maioria delas. Este detalhe é o que faz o filme ser bom, quando poderia ser excelente. A grande cena fica sendo sua mensagem anti-drogas que desfecha o filme.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 門徒 (Moon to)

Diretor: Derek Yee Tung-Sing

Elenco: Daniel Wu, Andy Lau Tak-Wah, Louis Koo Tin-Lok, Anita Yuen Wing-Wee, Zhang Jingchu, Derek Yee Tung-Sing, Liu Kai-Chi

11 de março de 2012

Infernal Affairs III (Conflitos Internos 3/2003)

infernalaffairs3É complicado a vida de espião: Ming (Andy Lau) à direita e Yan (Tony Leun) à esquerda.

Infernal Afffairs III encerra a trilogia iniciada pelo arrasa-quarteirão Infernal Affairs, seguido da sensacional prequela Infernal Affairs II. Com o destino de Yan, Inspetor Wong e o chefe da tríade selados, neste terceiro ato conheceremos o destino de Ming, o tríade infiltrado na polícia. Os diretores Andrew Lau e Alan Mak retornam para dirigir um intrincada trama que traz todo o elenco do filme original.

A citação budista que dá nome ao título original ganha mais relevância na história do terceiro filme. Aliás, o filme todo se desenvolve em torno do conceito do inferno contínuo, o mais baixo nível do inferno budista. Os flashbacks teoricamente reforçam este movimento cíclico e inexorável, mas na prática são confusos e excessivos, soando mais como desculpa para trazer os atores que morreram no primeiro filme.

Andy Lau volta a interpretar o policial Ming. Apesar de ter se safado dos eventos do primeiro filme, o personagem passa ser atormentado pelo seu passado. O descenso ao inferno é óbvio, tendo que lidar com o fim de um casamento assim como a carreira em declínio. Os personagens femininos do primeiro filme ganham mais destaque na história. E elas estão presentes nas melhores cenas do filme. Tony Leung, Anthony Wong e Eric Tsang retornam com sólidas atuações, mas nada que supere os filmes anteriores. O roteiro também prejudica inclusive a atuação do ator principal. Andy Lau consegue interpretar razoavelmente a paranoia que cerceia Ming, principalmente após a aparição de um novo personagem.

Ming suspeita que o inspetor Yeung está por trás da queima de arquivo contra os infiltrados de Sam para se proteger. O jogo de gato e rato se torna desinteressante, principalmente por conta do ator escalado para interpretar Yeung. A variedade de expressões faciais de Leon Lai é tão impressionante quanto ao de Keanu Reeves. E isso prejudica muito a dinâmica entre Ming e Yeung. Outro problema do filme é a subtrama envolvendo Yan e outro personagem novo. Shen é um chefe do crime da China continental que fez negócios com Sam (Eric Tsang). Poucas informações sobre o personagem interpretado por Chen Dao-Ming são disponibilizadas, o que torna a sua relação com Yan bem confusa. No final das contas, é quase incompreensível como que as subtramas se cruzam para determinar o destino de Ming.

O filme possui ideias boas, mas que foram mal executadas. Para os fãs ardorosos, certamente assistirão para saber o fim que Ming terá. Claramente, os diretores não quiseram escolher o caminho mais fácil para contar essa história, tal esforço foi capaz de gerar boas cenas como a que junta Ming e Yan no consultório da psiquiatra Dra. Lee. Os elementos de drama e suspenses estão presentes nesse filme, mas não foi possível repetir a mesma qualidade do filme original. Infelizmente, Infernal Affairs sofreu do mesmo mal que as trilogias de Hollywood com uma última parte fraquíssima.

Hong Kong feelings: 2,5/5

Título original: 無間道 III (Mou Gaan dou III)

Diretor: Andrew Lau Wai-Keung, Alan Mak Siu-Fai

Elenco: Tony Leung Chiu-Wai, Andy Lau Tak-Wah, Leon Lai Ming, Chen Dao-Ming, Anthony Wong Chau-Sang, Eric Tsang Chi-Wai, Sammi Cheng Sau-Man, Kelly Chen, Elva Hsiao, Chapman To Man-Chat,Gordon Lam Ka-Tung, Edison Chen, Shawn Yue, Ng Ting-Yip, Carina Lau Ka-Ling, Waise Lee Chi-Hung

16 de dezembro de 2011

Infernal Affairs II (Conflitos Internos II/2003)

IA2  Shawn Yue (esquerda) e Anthony Wong (direita). Nesse cemitério faltam três lápides.

Infernal Affairs II é uma prequela do aclamado Infernal Affairs. A história começa dez anos antes dos eventos do primeiro filme. Vemos os primeiros anos de Ming como cadete e Yan como espião infiltrado na tríade. O passado dos dois são explorados com mais profundidade.

Descobre-se que inicialmente Yan não foi enviado para espionar Sam mas sim seu meio-irmão Hau, patriarca da poderosa família Ngai. Aliás Sam é somente um sub-chefe da tríade comandada por Hau. Este último assume a cabeça da organização após o seu antecessor, pai dele  e de Yan, ser assassinado por Ming a mando de Mary, esposa de Sam.

Dessa trama emerge uma envolvente história de lealdade e ambição. Porém o foco do filme não é nos dois protagonistas do filme anterior, mas sim em Sam e superintendente Wong. Eric Tsang e Anthony Wong retornam para interpretar seus personagens. Os dois entregam atuações ainda melhores graças a trama que adiciona elementos que tornam os dois personagens ainda mais interessantes. Eles têm o suporte de novos personagens. Francis Ng interpreta Hau com grande intensidade, apesar do personagem demonstrar serenidade na maior parte do tempo. Somado a sua astúcia, se revela uma mistura perigosa. Mary, interpretada por Carina Lau, usa todo o seu charme para manipular as pessoas ao seu redor. Inteligente, ela tenta colocar Sam no topo da organização. Ainda há Hun Jun que interpreta o antecessor e amigo do superintendente Wong. Carismático, o ator imbuí Luk de uma moralidade e retidão capaz de inspirar a todos, principalmente a Wong e Yan.

Shawn Yue e Edison Chen voltam a interpretar, respectivamente, as versões jovens de Yan e Ming. Dessa vez não se restringem a aparições em flashbacks. Shawn Yue se destaca inclusive ao incorporar alguns maneirismos do personagem interpretado por Tony Leung. Já Edison Chen entrega uma atuação apática, porém não compromete o filme nem o personagem estabelecido por Andy Lau.

O filme é dividido em três arcos, cada arco se passando em um ano. A disputa pelo poder no submundo vai se acirrando com intervenções diretas e indiretas da polícia de Hong Kong. Inclusive, o filme possui várias referências e elementos semelhantes à trilogia ‘O Poderoso Chefão’. Porém isso não distorce o filme ou o deixe menos interessante, pelo contrário.

Uma sequência que iguala e em alguns momentos supera seu antecessor, este é Infernal Affairs 2. Diversas pontas que ficaram soltas no filme original são amarradas. Assim como no primeiro, o sucesso deste apoia-se no drama e desenvolvimento dos personagens. Do universo estabelecido no primeiro filme da série, sua sequência consegue construir uma história nova e que enriquece o original.

Hong Kong Feelings: 5/5

Título original:無間道 II (Moou Gan Dou II)

Diretor: Andrew Lau, Alan Mark

Elenco: Anthony Wong Cha-Sang, Eric Tsang Chi-Wai, Francis Ng Chun-Yu, Carina Lau Ka-Ling, Shawn Yue, Edison Chen, Hu Jun, Champ To Man-Chat, Roy Cheung Yiu-Yueng, Liu Kai-Chi

12 de novembro de 2011

Hard Boiled (Fervura Máxima/1992)

hardboiled Yepee-kay-yay motherfucker! Ops, filme errado.

Hard Boiled foi o último filme de John Woo antes de tentar a sorte na terra do Tio Sam (o diretor voltou em 2008 para dirigir o épico chinês Red Cliff). E neste filme de despedida entrega um dos maiores filmes de ação de todos os tempos.

Dividido em três arcos, o filme é minimalista no desenvolvimento dos personagens e em seu enredo, tudo isso para maximizar o tempo destinado para o que realmente interessa, os tiroteios desenfreados. As cenas de ação são bem longas, mas de forma alguma são chatas ou ficam cansativas. Os dois primeiros tiroteios, na casa de chá e no galpão, são épicos, mas são somente aperitivos para a parte final onde os mocinhos e bandidos se digladiam em um hospital por exatos 46 minutos de ação ininterrupta da mais pura epicidade. As coreografias, elaboradas ou improvisadas, garantem cenas de grande impacto visual, realçados pelos efeitos de câmera lenta (invenção de John Woo!).

Apesar do pouco tempo destinado para os personagens, os atores entregam boas atuações. Chow Yun Fat, maior astro de Hong Kong na época, interpreta o marrento policial Tequila que quebra todas as leis e está nem aí. Tony Leung é um assassino da tríade, cujos conflitos morais tornam o personagem bastante denso mas sem se destoar no filme. Antagonista de Tequila, Tony Leung entrega uma atuação tão carismática quanto de Chow Yun Fat. Anthony Wong interpreta Johnny, chefe de uma tríade e o cara mal do filme. Wong é o que tem o menor tempo de cena, mas também faz um bom trabalho. O papel feminino neste tipo de filme coube a Teresa Mo, que interpreta a superiora de Tequila e serve somente como interesse amoroso.

O enredo é direto e simplório, mas é perfeito para o filme. O parceiro de Tequila morre no primeiro tiroteio numa operação policial malfada, e o policial fará de tudo para saciar sua sede de vingança.

Hard Boiled é uma verdadeira aula de como fazer filme de ação. Ainda está para ser feito uma cena de ação que seja capaz de superar o icônico tiroteio no hospital. Neste filme, quantidade é sinônimo de qualidade.

Hong Kong feelings: 5/5

Título original: 辣手神探 (Lat sau san taam)

Diretor: John Woo

Elenco: Chow Yun-Fat, Tony Leung Chiu-Wai, Anthony Wong Chau-Sang, Teresa Mo Sun-Kwan, Philip Chan Yan-Kin.

19 de setembro de 2011

Infernal Affairs (Conflitos Internos/2002)

Infernalaffairs   Ming (Andy Lau) e Yang (Tony Leung) conversam no topo de um arranha-céu.

Sem dúvida alguma Infernal Affairs foi o filme de maior sucesso de público e crítica em Hong Kong na década passada. Inclusive Hollywood fez um remake, ‘Os Infiltrados’, dirigido por um tal de Martin Scorsese. O filme gerou duas sequências lançadas em 2003.

A história é sobre dois espiões, um infiltrado na polícia de Hong Kong e outro na tríade, equivalente à máfia italiana. A partir de uma frustrada operação, tanto a tríade quanto a polícia descobrem que existem espiões em suas fileiras. Porém, num gênero tão extensivamente explorado, Infernal Affairs consegue se destacar pois o seu enredo investe no drama de seus dois personagens principais.

Já no primeiro ato, sabemos quem são os infiltrados de cada lado. Mas isso não diminui nem um pouco a tensão, muito menos o enredo fica óbvio. O enredo coloca os dois personagens diametralmente opostos, explorando perfeitamente o inferno da vida de dupla de cada um.

Yang é um cadete que foi expulso da academia pois sua família têm conexões com a tríade. Apesar disso, ele é candidato perfeito para ser o espião da polícia. Tony Leung interpreta Yang com grande intensidade. O ator é um dos mais talentosos do cinema de Hong Kong, ele possui um dom incrível de expressar diferentes emoções somente com o olhar. É visível a angústia cada vez maior no personagem, com a linha que separa entre o bandido e policial cada vez mais tênue. Tony Leung consegue transmitir toda a instabilidade emocional que Yang carrega.

Já Ming aparentemente tem uma vida muito mais tranquila em relação a Yang. Desde a academia, mostra-se ser um policial talentoso. Ainda sim, o personagem tem muito a perder. A rápida ascensão profissional, o noivado com uma escritora, tudo isso levanta questionamentos onde reside sua lealdade. Andy Lau oferece uma carismática e interessante interpretação de Ming, constantemente nos fazendo questionar quais interesses ele está buscando atender, seja da polícia, da tríade ou de seus próprios.

No elenco de suporte, Eric Tsang, como o paranoico chefe da tríade, e Anthony Wong, o inspetor da polícia que é o único a saber da verdadeira identidade de Yan, igualam no nível de interpretação dos atores principais. A rivalidade que existem entre os dois somente alimenta ainda mais a pressão sobre os espiões.

Infernal Affairs é basicamente um filme no estilo gato e rato, mas que consegue construir muito bem a tensão, enquanto trabalha os personagens, até o seu clímax. Um excelente filme, mesmo com algumas inconsistências no roteiro. A cena final é simplesmente foda.

O título original ‘Mou gaan dou’ é uma referencia ao nível mais baixo dos infernos budistas, o inferno contínuo.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título original: 無間道 (Mou Gaan dou)

Diretor: Andrew Lau Wai-Keung, Alan Mak Siu-Fai

Elenco: Tony Leung Chiu-Wai, Andy Lau Tak-Wah, Anthony Wong Chau-Sang, Eric Tsang Chi-Wai, Sammi Cheng Sau-Man, Kelly Chen, Elva Hsiao, Chapman To Man-Chat,Gordon Lam Ka-Tung, Edison Chen, Shawn Yue