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3 de fevereiro de 2014

Legendary Tai Fei (Jovens e Perigosos: História do Lendário Tai Fei/1999)

LTaiFei Emocionante encontro entre pai e filho (só que não).

Aproveitando da imensa popularidade da série Young and Dangerous, diversos spin-offs foram feitos. Dessa vez o personagem Tai Fei, interpretado por Anthony Wong, tem um filme para chamar de só seu. Em Legendary Tai Fei acompanhamos as desventuras de protagonista quando ele descobre ter um filho. No entanto para seu desalento, seu filho é um delinquente a serviço da odiada Sociedade Tung Sing.

Em um primeiro momento, a história do filme parece ser interessante. Ainda mais quando temos Anthony Wong protagonizando um personagem excêntrico. Apesar do protagonismo, o ator não é consegue justificar a existência do filme. Do fraco elenco até os personagens pouco interessantes, Legendary Tai Fei é um desperdício de tempo.

O diretor Kent Leung jamais consegue delinear uma personalidade para o filme. O filme não consegue nem ser cômico muito menos dramático. Poucas cenas são medianas e passáveis. A história é extremamente rasa, com personagens medíocres.

Provavelmente os fãs ardorosos de Young and Dangerous verão valor no filme, pois nem mesmo o protagonismo de Anthony Wong salva o fiasco.Ao contrário de Once Upon a Time n Triad Society que é tosco, mas por esse fato acaba sendo divertido em certos momentos, Legendary Tai Fei é totalmente insípido.

Hong Kong feelings: 2/5

Título Original: 古惑仔激情篇洪興大飛哥 (Goo Waak Chai Gei Qi Pang Hung Hing Tai Fei Guo)

Diretor: Kent Leung Wang Fat

Elenco: Anthony Wong Chau-Sang, Teresa Mak (Ga Kei), Lai Chun, Lam Chi Sin, Law Kwan Yee, Chiu Lai Yee, Samuel Leung (Cheuk Moon), Chan Nam Wing, Chat Pui Wan, Tsui Ling Ling, Lee Siu-Kei.

9 de janeiro de 2014

Once Upon a Time in Triad Society (Era Uma Vez na Tríade/1996)

OUITS

Não há dúvidas de que o melhor personagem da série Young and Dangerous foi Ugly Kwan. A popularidade do vilão foi tamanha que Once Upon a Time in Triad Society é o primeiro spin-off da série Young and Dangerous. O filme se passa em um universo paralelo à série, com Kwan como personagem principal.

O filme num primeiro momento se apresenta como um filme que conta as origens de Ugly Kwan. Mas a medida que a história vai se desenrolando, esta se torna confusa e sem sentido. Parece que os produtores tentaram produzir uma paródia com Kwan e alguns outros personagens secundários, porém o resultado final é extremamente infeliz.

Apesar da proposta de um filme baseado em Kwan ser boa, a narrativa em off é eloquente e irritante. A boa atuação de Francis Ng consegue entreter em poucas cenas, mas não é o suficiente para salvar o filme. Alguns personagens conhecidos como o padre (Spencer Lam) dão uma familiaridade ao filme que no primeiro momento é bacana.

Criar um filme para o personagem mais divertido do primeiro Young and Dangerous foi uma ideia. É uma pena que a execução tenha sido horrível. Once Upon a Time é completamente desnecessário que não acrescenta em nada ao universo construído pela série Young and Dangerous.

Hong Kong Feelings: 2/5

Título original: 旺角揸Fit人 (Wong Kok cha 'fit' yan)

Diretor: Cha Yuen-Yee

Elenco: Francis Ng Chun-Yu, Loletta Lee Lai-Chun, Edmond So Chi-Wai, Pauline Chan Bo-Lin, Spencer Lam Seung-Yi,Michael Chan Wai-Man, Allen Ting Chi-Chun, Farini Chang, Jamie Luk Kin-Ming, Bat Leung-Gum

27 de dezembro de 2013

Tricky Brains (Trapaceiro Profissional/1991)

TBrains Uma das bizarrices (e engraçadas) de Wong Jing: parodiar uma ópera de Pequim.

Koo é um profissional na arte da trapaça. Seu ganha pão é enganar as pessoas. Ele é contratado pelo invejo Macky, que quer se livrar do seu colega de trabalho Kit. Ambos são rivais e disputam pela atenção da filha do dono da empresa. Koo arquiteta um engenhoso plano para dar um fim em Kit através de meios poucos ortodoxos. Para isso ele finge ser Jing, irmão bastardo de Kit.

Ng Man-Tat é Yan, pai de Kit e de seu suposto filho Jing. A parceria entre Ng Man-Tat e Stephen Chow é diversão na certa. Porém, Andy Lau surpreende ao compor um personagem sério e introvertido. Apesar da atuação ser nada especial, o seu Kit e Koo formam uma dupla divertida que se contrastam em personalidades. O segundo é o fanfarrão arrogante que Chow faz com maestria.

O trio tenta viver uma família “normal”. Porém o objetivo de Koo é atazanar a vida do correto Kit, atrapalhando seu namoro com Lucy, a filha do presidente da empresa onde trabalha. Algumas situações são tão absurdas que conseguem ser bem engraçadas, pena que não é regra. O grande ponto fraco do filme acaba sendo a direção. Wong Jing transforma o filme em uma coletânea de gags sem muito nexo. Algumas são engraçadas como a cena inicial onde Koo deixa um cliente completamente maluco. E algumas de mal gosto como uma que envolve AIDS.

O nível das piadas diminuem muito ao longo do filme, o que infelizmente se resulta do esgotamento da criatividade dos roteirista. A parte final é totalmente sustentado pela atuação de Chow. Infelizmente, o que começou como sendo um filme sensacional termina como sendo mediano.

Tricky Brains é um bom filme de Stephen Chow apesar do filme se escorar em demasia no talento dele. Diversas vezes o filme é obrigado a quebrar o ritmo para se focar na história do filme, o que demonstra as claras limitações de Wong Jing como cineasta. Sua presença como ator também não eleva o filme. No entanto, nunca é demais ver a genial parceria entre Stephen Chow e Ng Man-Tat.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título Original: 整蠱專家 (Jing gu jyun ga)

Diretor: Wong Jing

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Andy Lau Tak-Wah, Ng Man-Tat, Rosamund Kwan Chi-Lam, Chingmy Yau Suk-Ching, Waise Lee Chi-Hung, Wong Jing, Shing Fui-On, John Ching Tung,Charlie Cho Cha-Lei

5 de outubro de 2013

Running on Karma (O Ciclo do Carma/2003)

runningonkarma Biggie (Andy Lau) e Yee (Cecilia Cheung) unidos pelo carma.

A primeira vista Running on Karma é mais uma comédia romântica de Johnnie To feita para as massas. Nas próprias palavras do diretor, filmes comerciais como Loving on Diet e Needing You são necessários para financiar projetos pessoais como The Mission e Sparrow. O par principal é estrelado pelos astros Andy Lau e Cecília Cheung. Porém a adição de Wai Ka-Fai como codiretor torna o filme uma grata surpresa que subverte completamente as expectativas.

Andy Lau é Biggie, um go go boy que faz a alegria da mulherada com seu corpo de fisiculturista. Em uma batida policial, ele acaba conhecendo a policial novata Yee interpretada pela Cecilia Cheung. Biggie sabe que uma morte terrível aguarda Yee, pois ele tem o dom de ver o carma de qualquer ser vivo. A história fica ainda mais estranha quando sabemos que antes Biggie era um monge budista, mas que abandona o seu mosteiro depois de um trágico incidente.

Os dois acabam se aproximando, e Biggie passa a questionar se é justo uma pessoa tão bondosa e inocente quanto Yee merecer um destino tão terrível por conta das atrocidades cometidas pela sua vida egressa. Contra os princípios budistas ele tenta ajudá-la a pegar um impiedoso assassino na esperança de que seja possível reverter o carma.

A trama se desenvolve entrelaçada a uma enorme mistura de gêneros. Do suspense sobre o passado de Biggie e o futuro de Yee aos elementos de ação e comédia, Running on Karma é soberbo em todos os gêneros que transita. As cenas de ação remetem aos filmes de kung fu de época fantásticos, onde Biggie escala paredes e dá saltos sobrehumanos em uma cidade moderna ao invés de uma vila medieval. O resultado é extremamente cartunesco, mas que graças a excelente coreografia fica longe de ser ridículo.

Até o final do segundo ato, temos um filme extremamente divertido e inteligente que mescla perfeitamente cenas humoradas e de ação com uma trama sobre redenção. Porém o grande trunfo do filme é que uma vez engajados emocionalmente com os dois personagens principais, no terceiro ato o filme se torna sombrio e se revela, na verdade, como um profundo drama moralista sobre autoconhecimento. Porém a falta de conhecimento prévio sobre a filosofia budista pode acabar gerando confusão nesse ponto. O carma é um dos conceitos budistas mais complicados de compreender com diversas definições e interpretações. Mas o roteiro de Wai Ka-Fai oferece uma excelente explicação que se infunde perfeitamente a narrativa.

Running on Karma é uma peculiar mistura de gêneros que desobedece quase todas as regras relacionadas a como fazer um filme pipoca, e ainda sim sucede de forma espetacular. As atuações de Andy Lau e Cecilia Cheung são excelentes. O primeiro consegue retratar muito bem o cara que tenta fazer a coisa certa mas incapaz de compreender o que é o certo. Já Cecilia Leung transmite uma doçura e inocência que nenhuma outra atriz de Hong Kong é capaz. A narrativa fluída de Johnnie To e o rico roteiro de Wai Ka-Fai, fazem do filme o melhor da parceria desses dois gênios do cinema de Hong Kong.

Hong Kong feelings: 5/5

Título original: 大隻佬 (Daai zek lou)

Diretores: Johnnie To Kei-Fung e Wai Ka-Fai

Elenco: Andy Lau Tak-Wah, Cecilia Cheung Pak-Chi, Eddie Cheung Siu-Fai, Karen Tong Bo-Yu, Chun Wong, Yuen Bun.

4 de outubro de 2013

Men Sunddenly in Black (Maridos Infiéis/2003)

msib Eric Tsang (no sofá) é o líder da tríade ou do grupo dos maridos infiéis.

Quando suas esposas vão para a Tailândia em uma viagem de um dia, um grupo de amigos resolvem aproveitar o momento para pular a cerca. A missão é cuidadosamente preparada para que as cônjuges jamais descubram. Devidamente municiados de camisinhas, o grupo usa um carro camuflado de taxi para não levantar suspeita alguma. Porém o meticuloso plano cai água abaixo quando eles descobrem que suas esposas estão em seu encalço.

Tin (Eric Tsang), Cheung (Jordan Chan), Chao (Chapman To) and Paul (Spirit Blue) são movidos por diferentes motivações. Tin busca honrar um camarada que se sacrificou para que ele pudessem usufruir desse momento, enquanto Paul busca perder a virgindade. O que os une são os fortes laços de camaradagem, algo típico de filme de outro gênero. Substituindo os maridos por membros da tríade e as mulheres por policiais, temos um filme que funciona exatamente como um drama sobre policiais e tríades. Claro que as situações transformam o filme em uma deliciosa comédia.

Do outro lado temos as respectivas esposas Carrie (Teresa Mo), Anna (Candy Lo), Ching (Masha Yuen) and Luk (Tiffany Lee) sedentas por justiça. Munidas de câmeras, elas tentam a qualquer custo, inclusive o casamento, pegar no flagra os maridos infiéis. O jogo de gato e rato atingem proporções simplesmente épicas.

No meio de tudo isso ainda temos uma participação especial hilária de Tony Leung Ka-Fai como Uncle Ninth. Ele interpreta um prisioneiro de guerra nessa sangrenta batalha para pular a cerca. Igualmente hilário é a participação de Sandra Ng como a esposa que busca usar de todos artifícios para que Uncle Ninth entregue o nome dos amigos que participaram de uma noitada regada a álcool e várias acompanhantes.

O filme contém algumas das paródias mais criativas e divertidas já boladas. As referências mais óbvias são Infernal Affairs e os filmes de John Woo. A cena dos paparazzi perseguindo os maridos infiéis é um dos mais criativos tiroteios já bolados, com o som dos flashes sendo substituídos por som de balas em meio a tomadas de câmeras em slow motion. Igualmente hilária são os momentos que Eric Tsang parodia o seu próprio personagem de Infernal Affrais.

Men Suddenly in Black é uma comédia bem criativa e engraçada. A narrativa do filme é bastante inteligente, oferecendo uma generosa dose de humor negro. Talvez o único problema do filme seja o seu final. Este acaba sendo frustrante, pois a sensação é de que o diretor tentou ludibriar o expectador de forma totalmente desnecessária. Ainda sim o filme é genial na comédia e na paródia.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título original: 大丈夫 (Daai Cheung Foo)

Diretor: Pang Ho-Cheung

Elenco: Eric Tsang Chi-Wai, Jordan Chan Siu-Chun, Chapman To Man-Chat, Teresa Mo Sun-Kwan, Candy Lo Hau-Yam, Marsha Yuan Ji-Wai, Tiffany Lee Lung-Yi, Spirit Blue (Jia Zongchao), Maria Cordero, Tony Leung Ka-Fai, Sandra Ng Kwun-Yu, Teresa Mak Ka-Kei, Stephanie Che Yuen-Yuen, Nat Chan Bak-Cheung, Lam Suet, Jim Chim Sui-Man,Annabelle Lau Hiu-Tung, Chin Kar-Lok, Ellen Chan Ar-Lun, Carlo Ng Ka-Lok, Timmy Hung Tin-Ming, Belinda Hamnett, Kitty Chu Kit-Yi, Eric Kot Man-Fai, Cheung Tat-Ming, Ken Wong Hap-Hei, Iris Wong Yat-Tung, Jackie Lui Chung-Yin, Coco Chiang Yi,Sammo Hung Kam-Bo, Alan Tam Wing-Lun, Gia Lin, Osman Hung Chi-Kit, Otto Wong,Eddie Peng Wai-On, Eric Tse

24 de setembro de 2013

Magic Cop (Detetive Espiritual/1989)

magicops  “A verdade está lá fora”

Uncle Feng é um policial especializado em casos sobrenaturais. Ele aparece para solucionar uma série de assassinatos misteriosos em Hong Kong. Feng ao usar suas técnicas taoístas descobre que alguém está transformando os mortos em vampiros e usando-os como mulas para transportar drogas. Ao longo do filme ele terá a ajuda do cético sargento Lam.

A trama do filme poderia ser perfeitamente uma descarada mistura entre Arquivo X e A Chinese Ghost Story. Ao manter o tom da narrativa leve, Magic Cop perde uma oportunidade de explorar melhor o ceticismo do sargento Lam, além de não ser capaz de criar a tensão necessária para que o filme funcione plenamente.

A tentativa de ser mais comédia e menos suspense acaba atrapalhando os atores também. O personagem de Wilsom Lam ao não ter uma abordagem mais séria, acaba quebrando um pouco o fantasioso. Sua interpretação acaba sendo razoável. Já Uncle Feng parece ter sido transportado direto de A Chinese Ghost Story com suas técnicas taoístas expurgar os espíritos malignos, além de um kung fu apurado. Porém a atuação Lam Ching-Ying também não consegue criar o contraste necessário para que as diferentes crenças ente Feng e Lam seja interessante ou pelo menos engraçada.

Magic Cop marca a estreia de Stephen Tung na direção. Como ator, ele tem várias participações medíocres. Porém, Tung tem uma carreira destacada como diretor assistente de ação. Em seu currículo estão filmes como A Better Tomorrow e As Tears Go By. As melhoras partes do filme são exatamente as cenas de ação.

A produção toda parece um filme B, porém não é. A trama sobrenatural, a produção de baixo orçamento, elenco pouco estelar remetem a um filme de B. Ao invés de investir no gore, o diretor preferiu investir em comédia. O resultado é um filme incapaz de se destacar em nenhum gênero que o compõe. No fim, Magic Cop acaba divertindo pela sua temática taoísta e pelas cenas de ação bem executadas.

Hong Kong feelings: 3/5

Título original: 驱魔警察 (Qu Mo Jing Cha)

Diretor: Stephen Tung Wai

Elenco: Lam Ching-Ying, Wilson Lam Chun-Yin,Miu Kiu-Wai, Wong Mei-Wah, Michiko Nishiwaka, Wu Ma, Billy Chow Bei-Lei, Chan Chi-Leung, Wong Yuk-Hang, Sung Yat-Lin

23 de setembro de 2013

Fight Back to School (Um Maluco na Escola/1991)

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Caso de Polícia: Chow tenta solucionar uma prova de matemática.

Stephen Chow é um veterano da SDU, esquadrão tático da polícia de HK, que está à beira de ser demitido pois sua abordagem estilo Rambo coloca seus colegas em perigo. Porém o comissário de polícia lhe dá uma missão para salvar sua carreira. Chow Sing-Sing deverá encontrar uma arma que o seu superior perdeu para alguns delinquentes de uma escola.

Para ter sucesso em sua missão, Chow terá a ajuda do esquizofrênico tio Tat (Ng Man-Tat). Porém alguns obstáculos escolares surgem diante do nosso anti-herói. Antes de cumprir a missão principal, ele terá que primeiro fazer algo que ele odeia profundamente: estudar. Nessa parte ele terá ajuda da bela orientadora Senhorita Ho (Sharla Cheung). Outra missão paralela é lidar com os valentões da escola que fazem bullying com todos, e que possuem conexão com a tríade.

O roteiro tem altos e baixos. De negativo podemos apontar para a falta de personalidade de todos os personagens secundários, exceto por Ng Man-Tat. Este último mesmo com um roteiro limitado consegue estabelecer uma química incrível com Stephen Chow. As melhores cenas do filme são quando os dois dividem a tela. Além disso, a relação de amizade e rivalidade com o colega de classe Turtle (Gabriel Wong) é um dos pontos positivos também. Roy Cheung mais uma vez encarna um chefe de tríade, porém sendo bastante caricato e com uma interpretação pouco inspirada. A trilha sonora é muito fraca que sempre remete a desenho animado. Existe ainda alguns problemas irritantes de sonoplastia, que torna as cenas de ação sem graça.

Dois diretores em especial contribuíram para a carreira prolífica de Stephen Chow. O primeiro foi Jeff Lau ao explorar não somente o talento de comediante, mas também o seu potencial como ator para cenas românticas e dramáticas. Já Gordon Chan deu a base do que seria uma marca registrada de Stephen Chow. O humor mo lei tau (无厘头) em tradução literal significa sem sentido, sendo um fenômeno recente em Hong Kong. Esse tipo é bastante peculiar pois usa-se justaposições de contrastes, paródias sem sentido ou até anacronismos deliberados. Como requer muitas vezes um conhecimento popular, o entendimento das piadas se perdem principalmente quando traduzidas. Nesse filme, o diretor abusa do talento de Chow em falar com rapidez e desenvolturas frases extremamente complexas que acabam surpreendendo e sendo bem engraçadas.

Apesar de zombar do sistema, o filme jamais se leva a sério. Fight Back to School, antes de tudo, é filme que se apoia no talento de Chow, colocando o seu personagem em um ambiente inusitado e que odeia. O sucesso comercial somente ajudou a alavancar Stephen Chow ao estrelato ainda no início de sua carreira como ator.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título Original: 逃學威龍 (To hok wai lung)

Diretor: Gordon Chan Car-Seung

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Ng Man-Tat,Cheung Man, Roy Cheung Yiu-Yeung,Wong Chi-Yeung, Gabriel “Turtle” Wong Yat-San, Paul Chun Pui, Dennis Chan Kwok-San, Yuen King-Tan, Barry Wong Ping-Yiu, Teddy Chan Tak-Sum, Nip Pang-Fung, Tse Wai-Kit, Leung Sap-Yat

21 de setembro de 2013

God of Gamblers (Deus da Jogatina/1989)

God of Gamblers Ko Chun (dir.) aka God of Gamblers desafia a lógica, a probabilidade e a astrologia.

God of Gamblers é um clássico do cinema de Hong Kong da década de 80. O filme é estralado por Chow Yun-Fat, em mais um papel marcante. Ele interpreta Ko Chun, um lendário apostador profissional que possui a alcunha de God of Gamblers graças à sua capacidade quase que divina de desafiar as probabilidades na arte da jogatina.

O filme é extremamente formulaico. Além de Ko Chun temos Knife, um apostador amador que é um completo zero a esquerda. A vida dos dois acabam se cruzando quando Ko Chun despenca de um barranco, bate a cabeça e perde a memória. A partir daí o filme explora situações onde o personagem de Andy Lau tem que fazer de babá do personagem de Chow Yun-Fat, além de tentar aproveitar os poderes quase que sobrenaturais do último para conseguir um dinheiro fácil.

Wong Jing consegue imprimir um ritmo muito bom, mesmo que algumas piadas sejam estúpidas. O filme se sustenta graças a atuação sensacional de Chow Yun-Fat. O ator esbanja carisma seja como o invencível Deus da Jogatina ou como um menino de 5 anos de idade mimado que adora comer chocolate. A dinâmica com Andy Lau também funciona, apesar do último mostrar limitações não conseguindo chegar nem perto do talento de Chow Yun-Fat. No elenco de suporte temos ainda Joey Wong como a namorada de Knife e Ng Man-Tat como um agiota.

Se Michael Bay está para os filmes de ação, Wong Jing está para os filmes de comédia. O seu talento é comparável ao de Uwe Boll. O diretor tem em seu currículo atrocidades como Future Cops, um filme que parodia Street Fighter, porém sem os direitos de licença. Em sua defesa, ele dirigiu alguns filmes que são clássicos do cinema de Hong Kong. God of Gamblers é certamente o melhor filme de sua carreira. Com uma excelente atuação de Chow Yun-Fat e um elenco de suporte que não compromete, God of Gamblers arranca muitas risadas.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título original: 賭神 (Dou San)

Diretor: Wong Jing

Elenco: Chow Yun-Fat, Andy Lau Tak-Wah, Joey Wong Cho-Yin, Charles Heung Wah-Keung, Cheung Man, Ronald Wong Ban, Shing Fui-On, Lung Fong,Ng Man-Tat, Michiko Nishiwaka,Dennis Chan Kwok-San

2 de junho de 2013

Jorney to the West–Conquering the Demons (Jornada ao Oeste-Expurgando os Demônios/2013)

journey to west História de pescador.

Jorney to the West é o primeiro filme de Stephen Chow em cinco anos. As expectativas sobre o filme não poderiam ser maiores. Apesar de Chow não estar no elenco, a sua presença na direção mais que garante o sucesso comercial. Com adiamentos da data de lançamento e um orçamento inflado, sendo o maior de todos os tempos para uma produção de Hong Kong, Journey to the West busca um lugar ao sol entre as inúmeras adaptações do livro homônimo.

Na cena de abertura somos apresentado a Xuanzhang (Wen Zhang), um caçador de demônios que segue os preceitos budistas. O nosso jovem herói tenta salvar o vilarejo do ataque. A cena é muito bem elaborada, porém peca em gastar tempo demais sem estabelecer a história do filme e os personagens principais, chegando a ser alienante. Se esperávamos uma história centrada no Macaco-Rei, o filme traz um frescor ao contar a origem do monge Tripitaka e como ele recruta seus discípulos para a jornada em busca dos sutras buditas. Porém este é somente um sub-enredo. A história central do filme foca no romance entre Xuanzhang e Miss Duan (Shu Qi), que remete a mesma temática explorada na adaptação dirigida por Jeff Lau com Stephen Chow como Joker/Macaco-Rei.

Por falar em A Chinese Odyssey, a sua trilha sonora é tão marcante que algumas composições de Jorney to the West são inspirados no filme de Jeff Lau. O momento mais inspirador certamente é da Shu Qi cantando a música Love of a Lifetime. Impossível não lembrar da cena final de A Chinese Odyssey Part II: Cinderella que encerra magistralmente a história de Joker e Zixia após uma longa jornada de amor dedicado e arrependimento irreconciliável. Ao mesmo tempo a cena é um ponto negativo para Journey to the West, apesar do casal Xuanzhang e Senhorita Duan seguirem os mesmos passos de Joker e Zixia não existe o mesmo peso emocional.

O elenco pouco estelar evidencia a crise que se passa no cinema de Hong Kong. O nome de maior apelo comercial acaba sendo o Shu Qi, uma atriz/modelo famosa mais por sua beleza do que por boas atuações. Sua atuação é totalmente inconsistente, incapaz de interpretar uma personagem durona de forte personalidade. O que é um grave problema, pois a Senhorita Duan forma o casal de personagens principais do filme. Todo o peso acaba caindo nas costas de Wen Zhang. Seu Xuanzhang funciona, no final, como um típico herói muito atrapalhado que descobre ser dono de um grande poder. Um papel que Stephen Chow teria interpretado a perfeição. Porém, o elenco não está a altura do talento de Chow. Inclusive o roteiro não colabora. Chen Bingqian e Shing Cheung-Lee interpretam respectivamente KL Hog e o demônio da água, mesmo na forma humana, o máximo que os atores tem que fazer é grunhir.

Por ser um filme de Stephen Chow é mais do que esperado cenas de comédia, porém além delas Journey to the West tem uma direção surpreendentemente sombria. Muitas mortes são chocantes criando um forte contraste com a sensação de um clima familiar na maior parte do filme. Temos uma mistura de gêneros, porém não funciona tão bem quanto em Shaolin Soccer ou King of Comedy.

O filme é uma fantasia com seres místicos e sobrenaturais, porém as escolhas de estética e figurino dos personagens são estranhas. Os demônios são retratados como seres bestiais numa modelagem mais realista, porém não ajudam a criar um ambiente fantástico. A falta de uma identidade visual própria é agravada pelo uso excessivo de computação gráfica para gerar paisagens simplesmente genéricas. Mesmo assim, tais cenas são as melhores que o cinema chinês já ofereceu, porém, anos-luz atrás de Hollywood.

Infelizmente, Jorney to the West é um dos filmes mais fracos de Stephen Chow. Há algumas cenas bem engraçadas, o que mostra que o rei da comédia não perdeu seu instinto cômico. Porém, Chow parece mostrar sinais de estar enferrujado depois de tanto tempo sem dirigir um filme. O filme tem um ritmo estranhamente cadenciado, como se não soubessem qual direção tomar. O drama e o romance não funcionam, no entanto parte da culpa reside na falta de química entre Wen Zhang e Shu Qi. As referências à Dragon Ball Z no final do filme, infelizmente, fazem um desserviço aos fãs. A imensa expectativa criada somente aumenta a decepção. É um filme que pode ser considerado bom para os padrões atuais de Hong Kong, porém mediano para os padrões do diretor.

Hong Kong feelings: 2,5/5

Título original:西遊.降魔篇 (Xi You Xiang Mo Pian)

Diretor: Stephen Chow Sing-Chi, Derek Kwok Chi-Kin

Elenco: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Luo, Chrissie Chau Sau-Na, Lee Sheung-Ching, Chen Bing-Qiang, Xing Yu, Zhang Chao-Li, Cheng Sihan, Chiu Chi-Ling, Lu Zhengyu, Yang Di, Ge Xing-Yu, Fung Min-Hun, Xie Jingjing, He Wen-Hui, Tang Yi-Xin.

10 de março de 2013

Zu: Warriors from Mountain Magic (Zu: Guerreiros da Montanha Mágica/1983)

zu O monge sendo exorcizado pela Condessa.

Baseado na obra de  Lee Sau-Man, Zu: Warriors from Mountain Magic foi produzido por Raymond Chow e dirigido por Tsui Hark. Situado no século V, o oeste da China é assolado por recorrentes guerras civis. Neste mundo fantasioso, guerreiros são capazes de façanhas inacreditáveis. Raymond e Tsui tiveram a proeza de adaptar 50 volumes em frenéticos 110 minutos.

Sem perder tempo, somos apresentados ao personagem principal. Ti Ming Chi (Yuen Biao) é um batedor do exército azul. Porém em meio ao caos da batalha, fugindo de seus perseguidores Ti chega até a Montanha Mágica Zu. Lá ele conhece Ting-Yin (Adam Cheng), um exímio espadachim capaz de controlar sua espada com a força de sua mente. Ti tenta convencer Ting a ser seu mestre e se junta a busca por duas lendárias espadas gêmeas capazes de destruir um demônio sanguinário. Mas antes eles conhecem o monge budista Hsiao Yu (Damian Lau) e seu discípulo Yi Chen (Mang Hoi).

Tudo isso acontece na primeira hora de filme. O desenvolvimento da trama é rápido demais, porém Tsui Hark contrabalanceia com uma história rasa de forma que o desenrolar das cenas em momento algum é confuso. Diversos personagens parecem ter sido jogados a esmo, sem muita lógica dentro da trama. Apesar dos problemas, Tsui Hark consegue contorná-los razoavelmente bem. Mesmo diante da falta de uma boa contextualização do passado dos personagens, Hark consegue fazer com que nos importemos pelo destino de cada um. Porém isso gera mais problemas.

Falta mais carisma ao personagem principal. Ti consegue ser o menos interessante. Para um zero a esquerda, seu personagem pouco evoluí, a não ser no final. Por ser um estranho nesse mundo repleto de guerreiros com superpoderes, sua relação com os outros personagens é de total inferioridade. Os diversos personagens que aparecem pouco interagem com o personagem principal. Se por um lado isso é ruim, por outro lado algumas dessas interações são bem divertidas. O monge Hsiao nutre um sentimento de rivalidade em relação Ting, mesmo que o mais racional fosse juntar forças contra o inimigo em comum. Outra relação interessante é o romance entre Ting e a Condessa (Brigitte Lin). Porém fica faltando o  passado deles para entender melhor as atitudes de cada um.

Zu: Warriors from the Magic Mountain foi um filme que marcou época. Apesar da dificuldade em adaptar uma história tão complexa, Tsui Hark consegue entregar um filme que diverte. Os efeitos especiais são datados, mas muito bem utilizados. A falta de uma boa história é parcialmente compensada pela bela ambientação. Ainda por cima o filme tem no elenco Sammo Hung interpretando mestre ancião Cheng Mei. Uma pena que Sammo ficou de fora de quase todas as cenas de luta do filme.

Hong Kong feelings: 3/5

Título original:蜀山 - 新蜀山劍俠 (Shu Shan - Xin Shu Shan Jian Ke)

Diretor: Tsui Hark

Elenco:Yuen Biao, Adam Cheng Siu-Chow,Brigitte Lin Ching-Hsia, Damian Lau Chung-Yun, Sammo Hung Kam-Bo, Randy Man, Judy Ong, Moon Lee Choi-Fung, Tsui Siu-Keung, Mang Hoi, Dick Wei, Chung Fat, Fung Hak-On.

12 de fevereiro de 2013

Chinese Odyssey (Odisséia Chinesa/2002)

chineseodyssey Sob as pétalas de uma pessegueira Tony Leung e Faye Wong são uma só alma.

No Festival Lunar se comemora a passagem do ano novo. É tradição do cinema de Hong Kong lançar filmes de comédia romântica nesse período. Chinese Odyssey é um raro filme comercial produzido pela produtora de Wong Kar-Wai, famoso por filmes mais artísticos, em parceria com seu amigo Jeff Lau. O resultado é hilário e surpreendente.

O filme se passa em algum período da China Medieval. O princípe (Cheng Che) e a princesa (Faye Wong), cansados da vida palaciana, decidem fugir do rígido controle da Rainha (Rebecca Pan). O principe acaba sendo capturado, mas a princesa consegue fugir. Vestida como um andarilho, a princesa chega até um vilarejo onde conhece Ah Long (Tony Leung), temido pelos moradores locais, e sua irmã Phoenix (Vicki Zhao), dona de uma estalagem. A partir daí começa uma série de cenas hilárias, com diversos elementos caracaterísticos do humor chinês como, por exemplo, situações envolvendo a troca de genêros. No primeiro encontro entre a princesa e Ah Long, ela é confundida com um homem e o rapaz fará de tudo para que ela se apaixone e se case com sua irmã Phoenix.

Para os que se apaixanoram com a dupla em Chungking Express, poder rever os dois atuando juntos é mais do que especial. A química dos dois se manteve intacta durante todo esse tempo. Tantos nas cenas de comédia quanto nas cenas mais românticas, os dois mostram formidável sintonia. Temos ainda a breve participação de Roy Cheung, cujo guerreiro Liangshim é responsável por oferecer algumas entretidas lutas de artes marciais. Outra aparição especial é de Athena Chiu como a enigmática Amour Amour.

Para aproveitar 100% o filme é necessário ter assistido pelo menos um filme de Wong Kar-Wai. Tanto o produtor quanto o diretor fazem piadas de si mesmos, como as diversas cenas contendo comentários em off, recorrentes nos personagens de Wong, sobre trivialidades ao invés da instropecção. Existem também referências à A Chinese Odyssey, filme homônimo que conta a jornada do Macaco-Rei e que foi dirigido por Jeff Lau, além de muitas outras piadas relacionadas a diversas obras dos dois.

Chinese Odyssey é um típico filme de comédia romântica feita para o Festival Lunar, com seus protagonistas buscando seu amor verdadeiro em meio a situações hilárias. Porém a parte final toma um caminho completamente surpreendente, ao explorar o tema com uma profundidade incomum. O humor tolo se evapora e temos um filme único. E essa transição funciona perfeitamente, graças à comovente atuação de Tony Leung e Faye Wong.  Mesmo Wong Kar-Wai não sendo o diretor ainda temos uma dose de sua visão ímpar sobre o amor.

Muitas vezes, se uma pessoa ama exageradamente, isto se torna inebriante, Se um odeia por muito tempo, o coração se parte facilmente. Porém, a experiência mais dolorosa na vida é o de ficar esperando.

Hong Kong feelings: 4/5

Título original: 天下无双 (Tianxia Wushuang)

Diretor: Jeff Lau Chun-Wai

Elenco: Tony Leung Chiu-Wai, Faye Wong, Vicki Zhao Wei, Chang Chen, Rebecca Pan, Athena Chu Yun, Eric Kot Man-Fai, Ning Jing, Roy Cheung Yiu-Yeung.

18 de novembro de 2012

Love on Delivery (Amor Expresso/1994)

lodHo Kam-An aka Ultraman (Stephen Chow) encara seu desafeto (Lam Kwok-Bun)

Stephen Chow estreia na direção como codiretor. O resultado não poderia ser menos que formidável. Love on Delivery é um filme de comédia puro sendo facilmente um dos mais hilários de toda sua filmografia. É um daqueles raros filmes capazes de arrancar lágrimas de tanto gargalhar.

Ho Kam-An é um inocente entregador de dim-sum que se apaixona pela musa do clube do judô. Ho se mete em confusão atrás de confusão, sempre levando a pior. Até que um dia ele conhece Tat, Devil Killer, que se apresenta como um fodástico mestre de kung fu, porém na realidade é só um charlatão que passa a perna facilmente no herói do filme. Porém, por incrível que pareça ele se torna um invencível mestre de artes marciais, a ponto de vestir uma mascara de Garfield e proteger sua amada Lily.

A química entre Ng Man-Tat e Stephen Chow é absurdamente estupenda. Ng Man-Tat em seu papel de mentor de Ho esbanja perspicácia e malícia. Personalidade completamente oposta do seu ingênuo e dócil pupilo. Sempre que ambos dividem uma cena em qualquer filme é de se esperar algo extremamente engraçado independentemente do tipo de personagen estejam interpretando, e neste filme não é diferente. Completando a dupla, Christy Chung mostra carisma suficiente para encantar o nosso ingênuo herói e o expectador. Lily possui uma forte personalidade para se proteger das investidas do seu instrutor de judô.

Love on Delivery é uma metralhadora de gags, incluindo piadas envolvendo fantasias de Ultramen a Garfield. As cenas são uma mais engraçada que a outra. Stephen Chow adiciona mais um personagem memorável em seu vasto repertório. O seu personagem ingênuo e a sequência de gags lembra bastante os primeiros filmes de Jim Carrey, com a diferença que Chow é um ator muito mais completo.

A luta final consegue a façanha de ser a cena mais engraçada do filme, ao mesmo tempo sendo muito empolgante. O trabalho de Stephen Chow tanto como ator quanto como diretor é magnífica. O filme não se torna cansativo em nenhum momento apesar de sua quantidade infinita de gags além de ter um ritmo fluído, mesmo com sua longa duração. Para os fãs do “Deus da Comédia”, Love on Delivery é imperdível.

Hong Kong feelings: 5/5

Título original: 破壞之王 (Poh Waai Ji Wong)

Diretor: Stephen Chow Sing-Chi, Lee Lik-Chee

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Ng Man-Tat, Christy Chung Lai-Tai, Lam Kwok-Bun, Wong Yat-Fei, Vincent Kok Tak-Chiu, Leo Koo Ka-Kui, Joe Cheng Bo, Lee Lik-Chee, Paul Chun Pui, Gabriel “Turtle” Wong Yat-San, Leung Wing-Chung.

16 de setembro de 2012

Drunken Master (O Mestre Bêbado/1978)

drunkenmaster Jackie Chan (direita) e Hwang Jan-Lee (esquerda) brigam por bebida.

Drunken Master conta a história do herói Wong Fei-Hong quando jovem. Interpretado por Jackie Chan, Wong Fei-Hung é retratado como um artista marcial com grande potencial, mas que possui uma arrogância da mesma proporção que seu talento. Isso o leva a arrumar todos os tipos de confusão para o desespero do pai, Wong Kei-Ying. Este último decide mandar seu filho para ser treinado por Beggar So, um velho bebum que nas horas vagas é um grande mestre de kung-fu.

O elenco tem renomados nomes. A destacar Yuen Hsia-Ten, veterano ator da Ópera de Pequim e pai do diretor. Apesar da idade avançada Yuen pai mostra desenvoltura nas cenas que exigem mais de seu físico. A atuação é divertida retratando muito bem um velhinho inofensivo, mas que na verdade é um grande mestre kung-fu do estilo “Os Oito Imortais Bêbados”. Outro destaque do elenco é Hwang Jan-Lee, famoso por ser um especialista em chutes extremamente potentes e violentos tendo a alcunha de Senhor dos super-chutes. No filme Hwang Jan-Lee é o formidável assassino Yan. Claro que Jackie Chan e ele duelam no filme, inclusive duas vezes, e certamente são os pontos altos do filme.

Mesmo com um elenco secundário de peso, Jackie Chan não faz feio. Inclusive a cena impagável do filme é dele ao imitar a Imortal Ho. Desde jovem, Chan já mostrava ser um ator extremamente carismático. Além disso, as cenas de luta que utilizam os objetos do cenário como armas estão no filme. São simples, nada que seja tão complexo como em seus filmes posteriores, mas ainda sim divertem. Com uma boa atuação e sólido desempenho nas cenas de luta, a carreira de Jackie Chan decolou a partir de Drunken Master. Do começo como dublê do Bruce Lee, ele galgou até a posição de astro de Hollywood.

Dirigido pelo lendário coreógrafo Yuen Woo-Ping, infelizmente o filme está anos-luz de ser lendário. Produzido e filmado em menos de três meses, o filme apresenta problemas visíveis de edição em diversas cenas e uma trilha sonora quase inexistente. No entanto, no quesito em que é quase uma divindade no panteão do cinema de Hong Kong, Yuen Woo-Ping mostra todo o seu talento. A coreografia das cenas de luta são boas, sendo as cenas que envolvem o estilo de kung-fu bêbado as melhores.

O filme Drunken Master tem as cenas de luta como ponto positivo e negativo. São bem coreografadas mas sofrem de uma fraca edição. As atuações são boas, mas nada excepcional. No geral Drunken Master é um filme abaixo da média dentro da filmografia de Jackie Chan. Mas ainda sim, o filme foi um marco que direcionou a carreira de Jackie Chan para filmes que misturassem comédia e artes marciais. Vale a pena conferir os malabarismos de um jovem Chan e observar o quanto ele evoluiu na parte técnica e na atuação.

Hong Kong feelings: 2,5/5

Título original: 醉拳 (Jui Keun)

Diretor: Yuen Woo-Ping

Atores: Jackie Chan, Simon Yuen Hsia-Ten, Hwang Jang-Lee, Hsu Hsia, Dean Shek Tin.

8 de julho de 2012

A Chinese Ghost Story 3 (Uma história chinesa de fantasma/1991)

image_thumb2 Tony Leung sendo seduzido por uma fantasma.

A série cinematográfica Chinese Ghost Story chega ao seu terceiro e último filme. Depois de um desastroso e incompreensível segundo filme, o produtor Tsui Hark e o diretor Ching Siu-Tung tentam ainda aproveitar esse fascinante mundo criado no primeiro filme. Nesse terceiro filme, a dupla joga de forma ainda mais segura.

Na história deste terceiro filme, temos Fong como personagem principal. Ele é um aprendiz de monge e acompanha seu mestre em uma jornada para levar uma estátua de Buda até um templo. O destino faz com que os dois tenham que passar algumas noites no Templo da Orquídia. Lá, ele acaba conhecendo Lotus, uma fantasma escravizada pelo demônio da árvore. O filme se desenvolve no mesmo lugar do primeiro filme. E o enredo desemboca numa conflitante relação entre Fong e Lotus.

A história é praticamente a mesma do primeiro filme. Inclusive Joey Wong retorna para interpretar uma personagem idêntica do primeiro filme, porém não é a mesma. A grande mudança é no personagem principal. Sai de cena o coletor de impostos e entra um monge budista. No lugar de Leslie Cheung, entra Tony Leung. A troca é bem-vinda pois Tony Leung é anos-luz mais ator que Leslie Cheung, sem desmerecer o excelente trabalho do último. Mesmo Tony Leung sendo um grande ator, a química entre ele e Joey Wong não consegue superar o casal do primeiro filme.

Outro ator que retorna do segundo filme, mas para interpretar um personagem diferente também é Jackie Cheung. Com um personagem menos ridículo e mais fodão, Jackie Cheung dessa vez não fez feio com seu Yin. Apesar de aparecer bem menos, o espadachim mercenário consegue ser surpreendentemente interessante. Lau Shun interpreta o mestre de Fong e chutador de bundas demoníacas ao lado de Yin.

O resultado é zero de originalidade, mas a história do primeiro é tão boa que pouco importa se estamos assistindo a mesma coisa. O filme consegue entreter tanto quanto o primeiro filme seja nas partes de ação, fantasia, drama ou comédia. E assistir a encantadora Joey Wong nunca é demais.

Hong Kong feelings: 3/5

Título original: 倩女幽魂III 道道道 (Sien Nui Yau Wan III Do Do Do)

Diretor: Ching Siu-Tung

Elenco: Tony Leung Chi-Wah, Joey Wong Cho-Yin, Nina Li Chi, Lau Siu-Ming, Lau Shun, Tommy Wong Kwong-Leung.

1 de julho de 2012

A Chinese Ghost Story 2 (Uma história chinesa de fantasma 2/1990)

ghost2 Da esquerda para direita: Leslie Cheung, Joey Wong e Wu Ma.

Diante da boa recepção pelo público, A Chinese Ghost Story ganhou uma sequência. Os atores principais retornaram em seus respectivos papeis, exceto por Joey Wong que nesse filme interpreta uma mulher de carne e osso ao invés de uma fantasma. A fórmula do primeiro filme se manteve intacta. Mas o resultado é deveras decepcionante.

O diretor Ching Siu-Tung retorna para dirigir o filme. Encorajado pelo sucesso do filme anterior, o diretor se arrisca mais nos efeitos especiais. O resultado não podia ser mais desastroso. Era notório o esforço em esconder as limitações dos efeitos especiais, mas neste filme o diretor as escancara sem nenhum pudor. Mas esse é o menor dos males. O filme tem um ritmo letárgico, com um enredo incapaz de estabelecer qualquer lógica sobre as situações que assistimos.

Depois de perder seu grande amor, o coletor de impostos Ning Tai-Shen passa a levar uma vida nem um pouco pacata. Por uma mágica que só a ficção é capaz de fazer, ele se mete numa conspiração contra o tirano governo imperial. Os rebeldes o confundem com o líder revolucionário, dentre eles está a belíssima Windy, cuja aparência é idêntica à Nieh Hsiao-Tsing. Ning Tai-Shen passa quase que todo o filme tentando se convencer que aquela pessoa não é o seu grande amor. A história do filme beira a esquizofrenia, com o sobrenatural sendo tacado no meio da trama quando os roteiristas se lembram que o filme deveria ser uma história de fantasmas e outros seres do além.

Até as lutas parecem insossas, mas nesse ponto a culpa deve ser dividida com o ator que substitui Wu Ma no papel de caçador de fantasmas. Jacky Cheung é um ator esforçado, mas a sua escalação para o papel foi de grande infelicidade. O seu personagem Autumn não somente é o responsável pelas lutas mas é o principal alívio cômico. Jacky Cheung nem de longe consegue rivalizar em carisma com Wu Ma. Por falar neste último, ele faz uma breve aparição na parte final do filme alimentando uma esperança de salvar o filme, além dos mocinhos.

Com um roteiro extremamente fraco, as limitações dos dois atores principais ficam completamente expostas. A grande química que havia entre Leslie Cheung e Joey Wong desaparece nesse filme. Leslie Cheung troca a inocência de seu personagem pela idiotice completa. Enquanto que Joey Wong fica completamente perdida, sem saber o que fazer diante da crise de identidade que sua personagem sofre causada porque um cara no mínimo esquisito a chama por outro nome. Até Michelle Reis que interpreta a irmã de Windy consegue ter mais personalidade, mas que também não é nada demais. A adição no elenco mais interessante fica sendo Waise Lee ao interpreta um oficial do governo que se sente divido entre seguir as ordens e agir conforme o que lhe parece ser correto.

O filme consegue entreter em raros momentos, principalmente quando as cenas fazem referências ao primeiro filme. Mas o momento mais inspirado do filme é quando o personagem de Waise Lee continua a lutar mesmo depois de perder um dos braços, numa clara referência ao clássico One Armed Swordman da década de 1960. Mas nem de longe o filme conseguiu repetir o mesmo sucesso, apesar de repetir a mesma fórmula. A comédia e o romance são forçados goela abaixo do expectador. O resultado final é indigesto.

Hong Kong feelings: 2/5

Título original: 倩女幽魂II 人間道 (Sien Nui Yau Wan II Yan Gaan do)

Diretor: Ching Siu-Tung

Elenco: Leslie Cheung Kowk-Wing, Joey Wong Cho-Yin, Jacky Cheung Hok-Yau, Michelle Reis, Wu Ma, Lau Siu-Ming, Tin Kai-Man, Waise Lee Chi-Hung.

A Chinese Ghost Story (Uma história chinesa de fantasma/1987)

ghost Boo!! Leslie Cheung é um cobrador de impostos.

Filmes como Tigre e Dragão, Fong-Sai Yuk e muitos outros filmes do gênero são internacionalmente reconhecidos graças ao sucesso de um filme do final da década de 80. A Chinese Ghost Story não é uma referência no gênero por suas qualidades, que na verdade são limitadas, mas sim pela sua originalidade ao beber bastante do folclore chinês.

O filme é baseado em uma das histórias do livro Estranhos contos de um atelier chinês (聊斋志异) do escritor Pu Songling. Considerado um dos canônicos da literatura chinesa, a coletânea foi publicada no século XVIII. Os personagens dos contos vão desde seres humanos mesquinhos até espíritos moralistas. Esse aspecto satírico da obra é deixada de lado pelos produtores de A Chinese Ghost Story, que preferiram focar nas figuras folclóricas.

O resultado disso é um filme com bastante apelo comercial, ainda mais com a escolha de Leslie Cheung para interpretar o personagem principal. Apesar de Leslie Cheung ser um ator bastante limitado, sua escolha foi extremamente feliz. Interpretando um dócil coletor de impostos, Ning é extremamente ingênuo e que se torna uma presa fácil para a encantadora fantasma Nie (Joey Wong), mas ambos acabam apaixonando um por outro. A química entre Leslie e Joey é fantástica. Todas as cenas independentemente se é de drama, comédia e/ou romance funcionam com o casal.

As cenas de ação ficam a cargo de outro personagem. Yin é um monge taoísta e é interpretado pelo simpático Wu Ma. É uma pena que o personagem é mal desenvolvido com poucas informações sobre a sua vida de caçador de fantasmas, apesar de ser um dos personagens mais interessantes do filme. Quanto a ação, esta é muito bem feita inclusive com direito à cenas de computação gráfica. Porém os efeitos especiais estão completamente datados, sendo bastante injusto criticá-los dado às limitações orçamentárias e tecnológicas da época. Para esconder as limitações, o diretor preferiu usar cenários com poucas iluminação o que às vezes é incomodo. Mas a ambientação construída, repleta de monstros, espíritos, fantasmas e monges taoístas, é deveras fascinante.

A Chinese Ghost Story definitivamente oferece uma requintada experiência da mistura ímpar de comédia-ação-romance-drama do cinema Hong Kong. O filme não é excepcional em nenhum dos gêneros que fazem parte da salada, mas é bom o suficiente em todos tornando-o bastante palatável.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 倩女幽魂 (Sien Nui Yau Wan)

Diretor: Ching Siu-Tung

Elenco: Leslie Cheung Kowk-Wing, Joey Wong Cho-Yin, Wu Ma, Lau Siu-Ming, Lin Wei, David Wu Dai-Wai.

12 de junho de 2012

Needing You… (Precisando de você…/2000)

needing you Andy Lau segurando cartaz que dá o nome ao filme: “Eu preciso de você”

Dia dos namorados, nada melhor que um filme de comédia romântica para alegrar os casais e deprimir os solteiros. No entanto ficar deprimido é muito difícil com este filme, pois Needing You antes de tudo é um ótimo filme com ótimos personagens e um inteligente roteiro.

Os fãs de Johnnie To o conhecem mais pelos seus filmes de tríade como The Mission e Exiled. Em Needing You, ele retoma ao gênero do filme de sua estreia na direção. O filme também marca uma mudança na carreira do diretor. O gênero foi escolhido justamente pelo apelo comercial. Mas antes de torcemos os narizes, o filme merece uma chance pois não é de um diretor qualquer.

A começar pelo tema do filme que envolve o cotidiano de qualquer um: romance no trabalho e as fofocas. O diretor escalou a estrela pop Sammi Cheng para interpretar Kinki, uma mulher que acabou de descobrir a traição do namorado. Ela também enfrenta dificuldades na sua vida profissional, pois recentemente se transferiu de setor na empresa de eletrônicos onde trabalha. Seu novo chefe é Wah-Siu que a acha uma péssima empregada mas acaba se comovendo ao descobrir sua situação pessoal e tenta ajudá-la a resolver a situação com Dan, o namorado. Porém Wah-Siu, interpretado por Andy Lau, é um mulherengo e logo as fofocas começam a se reproduzirem. Uma ex-affair de Wah-Siu ao ficar sabendo das fofocas tenta cortar a relação dos dois, porém o tiro acaba saindo pela culatra.

Um das grandes habilidades de Johnnie To é filmar gestões e ações que valem mais que mil diálogos. Se em seus filmes de ação as emoções fluem com uma incrível naturalidade, isso também se faz presente nas cenas de romance e de humor de Needing You. A fofoca se espalhando pelos dutos do ar-condicionado é uma das sacadas mais geniais do filme. É incomum um filme desse gênero ter um humor inteligente, apesar de que na parte final o filme começa a ficar bobo quando se vê obrigado a ceder aos clichês.

Ao trazer elementos novos para o gênero de comédia romântica, o filme se destaca em todos os aspectos. Mas de modo algum Johnnie To tenta revolucionar o gênero cujos temas foram explorados e reciclados a exaustão pelo cinema mundial. É impossível não cair no clichê, mas o filme possui cativantes personagens e uma história interessante capazes de agradar solteiros e casais.

Hong Kong feelings: 4,5/5 

Título original: 孤男寡女 (Goo nam gwa neui)

Diretor: Johnnie To Kei-Fung, Wai Ka-Fai

Elenco: Andy Lau Tak-Wah, Sammi Cheng Sau-Man, Fiona Leung Ngai-Ling, Raymond Wong Ho-Yin, Hui Siu-Hung, Lam Suet, Gabriel Morrison, Florence Kwok Siu-Man.

8 de abril de 2012

A Chinese Odyssey Part 2: Cinderella (Odisseia Chinesa Parte 2: Cinderela/1995)

acoc Hail to the king, baby!

A segunda da parte da odisseia chinesa traz o fim da jornada do Macaco-Rei em busca de redenção. Pode-se dizer que nessa parte é onde a jornada realmente começa. O filme se esforça em consertar os erros do anterior e reforçar os pontos positivos. A comédia não mais dita o ritmo do filme, abrindo espaço para uma história centrada nos elementos budistas da obra.

O filme começa do ponto onde o anterior terminou. Continuando a aventura, Joker usa a Caixa de Pandora e volta 500 atrás onde tudo começou. Ele encontra com o seu destino. O começo é um tanto arrastado, mas bem menos enrolado que o antecessor, com o roteiro sendo desenvolvido de forma lenta. O filme ganha momento quando Joker encontra o seu mestre, o Monge da Longevidade. Law Kar-Ying consegue ser irritantemente hilário, transmitindo bem a capacidade do seu personagem de levar os outros à loucura. A partir desse ponto até a parte final do filme, a escalada é épica.

O roteiro tem alguns problemas, pois algumas informações sobre os personagens ficam faltando. As motivações de Zixia em abandonar o seu posto de Imortal, dentro do universo do filme um ser que atingiu o Nirvana, para buscar um amor carnal não são explicadas em momento nenhum. Zixia deveria servir de contraponto ao Macaco-Rei, pois enquanto um tenta voltar ao Reino Celestial o outro decide abandonar. Outros personagens também sofrem com uma vaga introdução de quem são, sendo necessário conhecê-los previamente de outras adaptações ou do livro original.

No primeiro filme, a rusga entre o Macaco-Rei e Ping Ping foi construída de maneira implícita uma vez que os acontecimentos eram de 500 anos atrás. No segundo filme, fica claro que o personagem de Chow era um mulherengo. Tal elemento é mal explorado, pois o foco é no triângulo amoroso envolvendo Ping Ping, Zixia e Joker. Mas a recusa do diretor em prover motivações, quando revela é de forma indireta, aliena o expectador sobre o porque das escolhas e preferências de Joker. Inclusive, Karen Mok que foi o grande destaque do primeiro filme, só faz uma breve aparição neste apesar de ser o grande motivo por detrás das ações de Joker.

Ainda sim o talento de Anthena Chu e Stephen Chow sustentam o filme, com o romance de Zixia e Joker rivalizando com o de Ping Ping e Joker no primeiro filme. Apesar de sua delicada fisionomia causar indiferença em um primeiro momento, a atriz consegue cativar o expectador com uma excelente atuação. Mas ela não chega a eclipsar o personagem principal, como aconteceu no filme anterior. Pelo contrário, Stephen Chow é o centro das atenções sem sombra de dúvidas. Seu Joker é um personagem mais completo com seus inúmeros dilemas. Mas o ápice da atuação é quando ele se transforma no Macaco-Rei. Chow encarna a figura folclórica com grande paixão. O ator literalmente desaparece na pesada maquiagem dando vida ao personagem mais fascinante do filme. O trejeito, tom de voz, maneirismo, ele construiu uma versão definitiva do Macaco-Rei.

O personagem extrai ainda mais do talento de Chow quando este tem que lidar de forma definitiva os dilemas que o atormentam. Méritos também para o diretor Jeff Lau. Nessa segunda parte fica claro que a decisão dos produtores em dividir em dois filmes por questões mercadológicas prejudicou o trabalho de edição do diretor. Os pontos baixos do filme certamente não são ruins. Os aspectos técnicos são ótimos dentro das limitações orçamentárias e tecnológicas.

Apesar de ter cenas engraçadíssimas, o filme se destaca pelos momentos de romance e drama. As cenas de luta também agradarão os fãs de artes marciais. Stephen Chow oferece uma das melhores atuações de sua carreira, se não a melhor. É triste que Macaco-Rei tenha aparecido em sua forma plena somente nos momentos finais do filme, poucos minutos para um personagem tão memorável. A imersão de Chow dentro do personagem é comparável ao trabalho de Heath Legder com o seu psicótico Coringa em Cavaleiro das Trevas. A Odisseia Chinesa é um clássico do cinema de Hong Kong.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título original: 西遊記 II 仙履奇緣

Diretor: Jeff Lau

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Ng Man-Tat, Athena Chu Yun, Ada Choi Siu-Fun, Yammie Nam Kit-Ying, Karen Mok Man-Wai, Kong Yeuk, Luk Su-Ming, Ng Yuk-Kan, Jeff Lau Chun-Wai, Law Kar-Ying.

31 de março de 2012

A Chinese Odyssey Part 1: Pandora Box (Odisséia Chinesa Parte 1: A Caixa de Pandora/1995)

copbOs súditos saúdam a volta do Rei!

‘Jornada ao Oeste’ é um dos grandes clássicos da literatura chinesa. No livro o monge budista Xuanzang junto com seus discípulos (o Macaco-Rei, o Porco, o Monge Shaolin e o Príncipe Dragão) partem para o oeste em busca dos sutras, escrituras sagradas budistas. Durante a jornada monstros, fantasmas e demônios tentam devorar Xuanzang, pois sua carne pode garantir a imortalidade para quem a consumir. A obra influenciou profundamente o folclore chinês. Dentre as inúmeras adaptações nas mais variadas mídias, a mais famosa adaptação é a animação japonesa Dragon Ball. Este filme, dirigido por Jeff Lau, tal qual a animação japonesa é levemente baseada na obra original.

Na história do filme o Macaco-Rei é sucumbido pelo mal e tenta devorar o seu próprio mestre com o objetivo de se tornar imortal. A Deusa da Misericórdia tenta matar o Macaco-Rei, porém o compassivo monge intervém e troca a sua vida pelo do seu discípulo. O Macaco-Rei é então banido do reino celestial para reencarnar na forma humana. O prólogo tem um clima épico, tanto que a história foi dividida em duas partes. Nesta primeira parte, duas irmãs demoníacas procuram pelo Monge da Longevidade no local onde o Macaco-Rei reencarnou 500 anos depois do prólogo. Lá encontram  Joker, líder de um bando de bandidos e um zero a esquerda nas horas vagas.

Stephen Chow interpreta Joker mostrando ser, desde o início de sua carreira, um ator com bastante potencial para papéis mais “sérios”. O diretor Jeff Lau consegue extrair o melhor de Chow como ator e também como comediante. É até redundante, mas a química entre Ng Man Tat e Stephen Chow é estupenda. Até em momentos cuja atuação é mais sóbria, quando os dois estão dividindo a mesma cena eles são capazes de arrancar gargalhadas genuínas.

No entanto, quem oferece a melhor atuação é a Karen Mok. Com uma incrível naturalidade, ela dá conta do turbilhão de emoções que assola a sua personagem Jing Jing, conhecida pela alcunha demônio do Osso Branco. Do sadismo inerente a natureza da sua personagem até a desilusão amorosa que comove o espectador, ela ainda consegue ajudar a elevar o nível de interpretação dos seus companheiros de cena. Uma das mais beneficiadas do talento da Karen Mok, é a Yammie Nam Kit-Ying, que interpreta a irmã, também demoníaca, da Osso Branco.

Apesar das cenas de comédia, ação e drama funcionarem bem, o filme tem um ritmo inconsistente. Por mais que as cenas de comédia sejam muito engraçadas, dignas da filmografia de Chow, o filme acaba sendo repetitivo e até cansativo. Problema causado pelo enredo, que só toma uma direção ao final do filme quando prepara a história para a segunda parte.

Essa primeira parte funciona como uma longa introdução antes do início da jornada de redenção do Macaco-Rei. A sequência final é uma das mais inventivas viagens ao tempo. O filme é divertido, apesar de se seus altos e baixos. A sua grande falha é a incapacidade de criar expectativa para a segunda parte.

Hong Kong Feelings: 3,5/5

Título original: 西遊記 I 月光寶盒

Diretor: Jeff Lau

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Ng Man-Tat,Yammie Nam Kit-Ying, Karen Mok Man-Wai, Kong Yeuk, Luk Su-Ming, Ng Yuk-Kan, Jeff Lau Chun-Wai, Law Kar-Ying.

14 de fevereiro de 2012

Kung Fu Hustle (Kung-Fusão/2004)

kunfuhustle Stephen Chow homenageia Bruce Lee mais uma vez.

O prolífico ator-diretor Stephen Chow entrega o seu filme mais ambicioso. O resultado é mais uma obra com o seu selo de qualidade. Dessa vez a história se passa numa Xangai da década de 30 dominada por gangsteres. Stephen Chow é Sing, um zero a esquerda que tenta se passar como um membro da temida Gangue do Machado.

Mas por incrível que pareça ele não é o centro das atenções. O que assistimos é um desfile de personagens caricatos. Destaque para o casal Yuen Qiu e Yuen Wah que fazem uma hilária aparição como os senhorios do ‘Beco do Chiqueiro’. Lam Ching-Chu, figura carimbada na filmografia de Chow, interpreta o inútil braço direito de Sing. A grande decepção mesmo é a ausência de Ng Man-Tat.

O humor “mo lei tau” (sem sentido em tradução literal) de Chow transborda para o roteiro. A história inexiste, mas ainda sim o filme consegue prender a atenção do expectador desde a cena inicial. Graças ao talento de Chow, como ator e diretor, as cenas, desde romance até as de ação, são bem construídas.

Se em Shaolin Soccer Stephen Chow obteve sucesso ao usar cenas em computação gráfica pela primeira vez, agora ele dá mais um passo adiante. Mostrando total domínio da tecnologia, ele consegue transportar gags que antes eram exclusivas em desenhos animados para cenas com atores de carne e osso. O resultado é simplesmente hilário e surpreendente. Os efeitos especiais são nem um pouco realistas, mas são bem empregadas de forma que não traz aquela sensação negativa de falsidade.

As lutas de kung fu são bem coreografadas e criativas, capaz de agradar até mesmo os fãs do gênero. Algumas são bem engraçadas como a luta final contra o chefão. Mas apesar disso, as cenas de luta são geralmente intercaladas com cenas de humor. Por falar em humor, como este se baseia mais nos efeitos especiais mirabolantes, parte da graça se perde quando se assiste uma segunda vez.

No final das contas, Kung Fu Hustle é um bom filme de comédia com um estilo que remete aos desenhos animados americanos, mas que preserva alguns elementos do humor cantonês. A fórmula mágica do sucesso se mantém intacta, porém com doses homeopáticas de drama e romance.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 功夫 (Kung Fu)

Diretor: Stephen Chow

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Lam Chin-Sin, Lam Chi-Chung, Chan Kowk-Kwan, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang Sheng-Yi, Tin Kai-Man, Feng Xiao-Gang, Bruce Leung Siu-Lung, Xing Yu, Lam Suet