29 de abril de 2015
One-Armed Swordsman (Espadachim de um Braço/1967)
22 de junho de 2013
Return to 36th Chamber (Retorno a 36ª Câmara do Templo Shaolin/1980)
Chun Jen-Chieh se perfazendo de San Te.
Return to 36th Chamber é uma sequência do excelente The 36th Chamber of Shaolin. Neste filme somos apresentado a um novo personagem principal, porém com uma cara familiar. Chun Jen-Chieh é um artista de rua que tenta enganar os outros como forma de ganha pão. Quando os trabalhadores da tinturaria onde seu irmão trabalha começam a ser oprimidos pelos Machúrios, seus colegas o convencem a se perfazer como lendário monge shaolin San Te para intimidar os opressores.
Claro que tudo dá errado e Chun Jen-Chieh jura aprender kung fu shaolin com o verdadeiro San Te e livrar seus amigos da opressão. Gordon Liu volta a interpretar o papel principal. A princípio é meio confuso essa questão de Gordon Liu de ao mesmo tempo interpretar e não interpretar o seu personagem do filme anterior. Mas sua atuação neste filme mesmo com outro personagem continua igualmente prazeroso e divertido. O monge San Te continua fazendo parte do universo do filme porém interpretado por outro ator e com o status de um respeitado mestre de kung fu shaolin.
O filme tem um ritmo mais cadenciado e adiciona um humor que não havia no original, porém mantendo o elemento forte da série: o nosso herói deverá dominar os desafios da câmara do templo shaolin. No entanto, somente a 36ª Câmara comandada pelo Monge San Te é apresentada ao nosso herói Chu Jen-Chieh. Apesar do tempo de filme menor dedicado ao treinamento e do risco de cair na mesmice, Return to 36th Shaolin Chamber consegue entreter muito com os criativos treinos improvisado.
Return to 36th Chamber,ao invés de seguir a história do monge San Te, busca reaproveitar o mesmo enredo do seu antecessor mas com personagens principais novos. O grande barato do filme era ver justamente o personagem principal superando os desafios de cada câmara do templo shaolin. Dessa vez somos apresentados somente a 36º câmara criada por San Te no filme anterior, mas essa parte do treinamento continua sendo muito divertido. Além disso, o principal “defeito” do primeiro filme é corrigido para a alegria dos puristas que criticavam a falta do embate final entre o herói e o vilão. Vemos Chu Jen-Chieh usar todo o seu kung-fu shaolin improvisado para chutar a bunda do chefe manchúrio, sendo a luta ao mesmo tempo cômico e muito bem coreografado.
Hong Kong feelings: 4/5
Título original: 少林搭棚大師 (Siu Lam Ta Pung Tai Si)
Diretor: Lau-Kar-Leung
Elenco: Gordon Liu Chia-Hui, Johnny Wang Lung-Wei, Chen Szu-Chia, Kara Hui Ying-Hung, Hsiao Hou, Wong Gam-Fung, Cheng Wai-Ho, Wong Ching-Ho, Wa Lun, Lee King Chue, Yau Chiu-Ling, Cheng Miu, Kong Do
12 de fevereiro de 2013
Chinese Odyssey (Odisséia Chinesa/2002)
Sob as pétalas de uma pessegueira Tony Leung e Faye Wong são uma só alma.
No Festival Lunar se comemora a passagem do ano novo. É tradição do cinema de Hong Kong lançar filmes de comédia romântica nesse período. Chinese Odyssey é um raro filme comercial produzido pela produtora de Wong Kar-Wai, famoso por filmes mais artísticos, em parceria com seu amigo Jeff Lau. O resultado é hilário e surpreendente.
O filme se passa em algum período da China Medieval. O princípe (Cheng Che) e a princesa (Faye Wong), cansados da vida palaciana, decidem fugir do rígido controle da Rainha (Rebecca Pan). O principe acaba sendo capturado, mas a princesa consegue fugir. Vestida como um andarilho, a princesa chega até um vilarejo onde conhece Ah Long (Tony Leung), temido pelos moradores locais, e sua irmã Phoenix (Vicki Zhao), dona de uma estalagem. A partir daí começa uma série de cenas hilárias, com diversos elementos caracaterísticos do humor chinês como, por exemplo, situações envolvendo a troca de genêros. No primeiro encontro entre a princesa e Ah Long, ela é confundida com um homem e o rapaz fará de tudo para que ela se apaixone e se case com sua irmã Phoenix.
Para os que se apaixanoram com a dupla em Chungking Express, poder rever os dois atuando juntos é mais do que especial. A química dos dois se manteve intacta durante todo esse tempo. Tantos nas cenas de comédia quanto nas cenas mais românticas, os dois mostram formidável sintonia. Temos ainda a breve participação de Roy Cheung, cujo guerreiro Liangshim é responsável por oferecer algumas entretidas lutas de artes marciais. Outra aparição especial é de Athena Chiu como a enigmática Amour Amour.
Para aproveitar 100% o filme é necessário ter assistido pelo menos um filme de Wong Kar-Wai. Tanto o produtor quanto o diretor fazem piadas de si mesmos, como as diversas cenas contendo comentários em off, recorrentes nos personagens de Wong, sobre trivialidades ao invés da instropecção. Existem também referências à A Chinese Odyssey, filme homônimo que conta a jornada do Macaco-Rei e que foi dirigido por Jeff Lau, além de muitas outras piadas relacionadas a diversas obras dos dois.
Chinese Odyssey é um típico filme de comédia romântica feita para o Festival Lunar, com seus protagonistas buscando seu amor verdadeiro em meio a situações hilárias. Porém a parte final toma um caminho completamente surpreendente, ao explorar o tema com uma profundidade incomum. O humor tolo se evapora e temos um filme único. E essa transição funciona perfeitamente, graças à comovente atuação de Tony Leung e Faye Wong. Mesmo Wong Kar-Wai não sendo o diretor ainda temos uma dose de sua visão ímpar sobre o amor.
Muitas vezes, se uma pessoa ama exageradamente, isto se torna inebriante, Se um odeia por muito tempo, o coração se parte facilmente. Porém, a experiência mais dolorosa na vida é o de ficar esperando.
Hong Kong feelings: 4/5
Título original: 天下无双 (Tianxia Wushuang)
Diretor: Jeff Lau Chun-Wai
Elenco: Tony Leung Chiu-Wai, Faye Wong, Vicki Zhao Wei, Chang Chen, Rebecca Pan, Athena Chu Yun, Eric Kot Man-Fai, Ning Jing, Roy Cheung Yiu-Yeung.
16 de setembro de 2012
Drunken Master (O Mestre Bêbado/1978)
Jackie Chan (direita) e Hwang Jan-Lee (esquerda) brigam por bebida.
Drunken Master conta a história do herói Wong Fei-Hong quando jovem. Interpretado por Jackie Chan, Wong Fei-Hung é retratado como um artista marcial com grande potencial, mas que possui uma arrogância da mesma proporção que seu talento. Isso o leva a arrumar todos os tipos de confusão para o desespero do pai, Wong Kei-Ying. Este último decide mandar seu filho para ser treinado por Beggar So, um velho bebum que nas horas vagas é um grande mestre de kung-fu.
O elenco tem renomados nomes. A destacar Yuen Hsia-Ten, veterano ator da Ópera de Pequim e pai do diretor. Apesar da idade avançada Yuen pai mostra desenvoltura nas cenas que exigem mais de seu físico. A atuação é divertida retratando muito bem um velhinho inofensivo, mas que na verdade é um grande mestre kung-fu do estilo “Os Oito Imortais Bêbados”. Outro destaque do elenco é Hwang Jan-Lee, famoso por ser um especialista em chutes extremamente potentes e violentos tendo a alcunha de Senhor dos super-chutes. No filme Hwang Jan-Lee é o formidável assassino Yan. Claro que Jackie Chan e ele duelam no filme, inclusive duas vezes, e certamente são os pontos altos do filme.
Mesmo com um elenco secundário de peso, Jackie Chan não faz feio. Inclusive a cena impagável do filme é dele ao imitar a Imortal Ho. Desde jovem, Chan já mostrava ser um ator extremamente carismático. Além disso, as cenas de luta que utilizam os objetos do cenário como armas estão no filme. São simples, nada que seja tão complexo como em seus filmes posteriores, mas ainda sim divertem. Com uma boa atuação e sólido desempenho nas cenas de luta, a carreira de Jackie Chan decolou a partir de Drunken Master. Do começo como dublê do Bruce Lee, ele galgou até a posição de astro de Hollywood.
Dirigido pelo lendário coreógrafo Yuen Woo-Ping, infelizmente o filme está anos-luz de ser lendário. Produzido e filmado em menos de três meses, o filme apresenta problemas visíveis de edição em diversas cenas e uma trilha sonora quase inexistente. No entanto, no quesito em que é quase uma divindade no panteão do cinema de Hong Kong, Yuen Woo-Ping mostra todo o seu talento. A coreografia das cenas de luta são boas, sendo as cenas que envolvem o estilo de kung-fu bêbado as melhores.
O filme Drunken Master tem as cenas de luta como ponto positivo e negativo. São bem coreografadas mas sofrem de uma fraca edição. As atuações são boas, mas nada excepcional. No geral Drunken Master é um filme abaixo da média dentro da filmografia de Jackie Chan. Mas ainda sim, o filme foi um marco que direcionou a carreira de Jackie Chan para filmes que misturassem comédia e artes marciais. Vale a pena conferir os malabarismos de um jovem Chan e observar o quanto ele evoluiu na parte técnica e na atuação.
Hong Kong feelings: 2,5/5
Título original: 醉拳 (Jui Keun)
Diretor: Yuen Woo-Ping
Atores: Jackie Chan, Simon Yuen Hsia-Ten, Hwang Jang-Lee, Hsu Hsia, Dean Shek Tin.
16 de julho de 2012
The 36th Chamber of Shaolin (A 36ª Câmara do Templo Shaolin/1978)
Old but gold: Gordon Liu é Liu YangDe/San Te.
Shaw Brothers Studio foi a principal produtora de filmes em Hong Kong no século passado. Fundada em 1930, a produtora já produziu centenas de filmes, apesar de que atualmente esta está em franca decadência não chegando nem perto do seu glamour de outrora. Porém, a sua importância para o gênero de artes marciais pode-se dizer que é maior até mesmo que o grande ícone Bruce Lee. The 36th Chamber of Shaolin representa uma de suas principais joias que redefiniu o gênero.
Se passando no período que a China era controlada pela Manchúria, o jovem Liu YingDe (Gordon Liu) é filho de um humilde vendedor de frutos do mar. Durante o dia ele estuda no Colégio Chong Wen sob a tutela do Senhor Ho (Wai Wang). Vendo o seu povo oprimido pelo Império Qin, Liu decide se aliar aos rebeldes, sendo o próprio Senhor Ho um deles. Porém as forças imperiais logo descobrem as atividades clandestinas e massacram os rebeldes. O único sobrevivente é Liu que se refugia em um templo Shaolin.
Ao ser admitido no templo, Liu recebe um novo nome, San Te. Para se tornar um mestre de kung fu shaolin, ele deve passar pelas 35 câmaras do templo. Cada uma das câmaras possui um desafio diferente, sendo um mais inventivo que o outro. Ver Liu completando cada desafio é extremamente empolgante.
O filme gastar bastante tempo com a introdução, mas ela é tão importante quanto a parte do treinamento nas câmaras. As suas motivações para aprender a luta shaolin são bem claras, mas não são exatamente alinhadas com os preceitos budistas desse estilo de kung fu. O diretor soube explorar muito bem esse conflito moral que existe dentro de Liu YingDe/San Te, mas sem tornar o filme pesado demais com uma discussão filosófica que poderia mais distrair do que contribuir para o desenvolvimento do herói. Além disso é um importante elemento para explicar o título do filme.
A riqueza do personagem principal e uma trama bem trabalhada fizeram o filme uma verdadeira referência no gênero de artes marciais. O final do filme é bem polêmico e pode ser frustrante. Mas é preciso saber que essa decisão dos produtores e do diretor foi tomada diante das críticas da época que questionavam a qualidade dos filmes de artes marciais. Eles criticavam que as tramas eram quase sempre recicladas e soavam mais como uma (péssima) desculpa para o embate final entre o herói e o vilão. O final de The 36th Chamber of Shaolin tem como objetivo reforçar o que é mais importante do filme, a jornada de Liu e não o seu destino. O filme é fantástico do começo ao fim, com uma ótima trama e sequências de lutas sensacionais.
Hong Kong feelings: 4,5/5
Título original: 少林三十六房 (Siu lam san sap lok fong)
Diretor: Lau Kar-Leung
Elenco: Gordon Liu Chia-Hui, Lo Lieh, Lau Kar-Wing, Wilson Tong Wai-Shing, Wong Yue, Lee Hoi-Sang, Henry Yu Yang, Austin Wai Tin-Chi, Wai Wang.
24 de junho de 2012
Way of the Dragon (O voô do Dragão/1972)
O resultado dessa luta é bem óbvio.
Bruce Lee versus Chuck Norris. Como seria essa batalha de dois titãs das artes marciais? Certamente seria uma batalha de proporções épicas. E se o palco fosse o Coliseu? A luta do século no palco perfeito. O melhor disso tudo? Essa luta aconteceu em Way of the Dragon.
O filme também representa vários marcos na carreira do lendário ator. A primeira é a estreia dele como diretor. A segunda é o papel diferente do que ele vinha interpretando nos filmes anteriores. Em Way of the Dragon, Bruce Lee continua chutando bundas, mas entre umas porradas e outras ele faz piadas e gracejos. Apesar dos elementos cômicos funcionarem muito bem, o filme essencialmente é de artes marciais. As cenas de lutas são de um apuro técnico incrível, bem coreografadas e que mostram todo o talento de Lee.
Mas como a ação pode ocorrer em Roma, uma cidade distante de Hong Kong? Pois Bruce Lee estrela Tang Lung, um caipira que por capricho do destino foi parar em Roma para ajudar seus primos nos negócios do restaurante. Porém chegando lá ele se depara com um grupo de bandidos que constantemente assaltam o restaurante. Tang, obviamente, acaba despertando a ira da máfia. O chefão do sindicato decide contratar os melhores lutadores de artes marciais do Japão e da Europa para destruir Tang. Ao final resolvem apelar para Colt, o heptacampeão americano de karatê. Para quem não associou o estilo de luta e a nacionalidade, Colt é interpretado por Chuck Norris!
As lutas são fantástica, com o embate entre Bruce Lee e Chuck Norris sendo a cereja do bolo. E a luta final ainda tem espaço para uma de suas famosas citações: “Absorva o que é útil. Rejeite o que é inútil. Acrescente o que é especificamente seu”. Só um grande mestre como ele seria capaz de misturar filosofia com humor escatológico.
Hong Kong Feelings: 4/5
Título original: 猛龍過江 (Meng long guo jiang)
Diretor: Bruce Lee Siu-Lung
Elenco: Bruce Lee Siu-Lung, Nora Miao, Chuck Norris, Bob Wall, Whang Ing-Sik, John Benn, Unicorn Chan, Wei Ping-Ao.