24 de junho de 2012

Way of the Dragon (O voô do Dragão/1972)

voododragao O resultado dessa luta é bem óbvio.

Bruce Lee versus Chuck Norris. Como seria essa batalha de dois titãs das artes marciais? Certamente seria uma batalha de proporções épicas. E se o palco fosse o Coliseu? A luta do século no palco perfeito. O melhor disso tudo? Essa luta aconteceu em Way of the Dragon.

O filme também representa vários marcos na carreira do lendário ator. A primeira é a estreia dele como diretor. A segunda é o papel diferente do que ele vinha interpretando nos filmes anteriores. Em Way of the Dragon, Bruce Lee continua chutando bundas, mas entre umas porradas e outras ele faz piadas e gracejos. Apesar dos elementos cômicos funcionarem muito bem, o filme essencialmente é de artes marciais. As cenas de lutas são de um apuro técnico incrível, bem coreografadas e que mostram todo o talento de Lee.

Mas como a ação pode ocorrer em Roma, uma cidade distante de Hong Kong? Pois Bruce Lee estrela Tang Lung, um caipira que por capricho do destino foi parar em Roma para ajudar seus primos nos negócios do restaurante. Porém chegando lá ele se depara com um grupo de bandidos que constantemente assaltam o restaurante. Tang, obviamente, acaba despertando a ira da máfia. O chefão do sindicato decide contratar os melhores lutadores de artes marciais do Japão e da Europa para destruir Tang. Ao final resolvem apelar para Colt, o heptacampeão americano de karatê. Para quem não associou o estilo de luta e a nacionalidade, Colt é interpretado por Chuck Norris!

As lutas são fantástica, com o embate entre Bruce Lee e Chuck Norris sendo a cereja do bolo. E a luta final ainda tem espaço para uma de suas famosas citações: “Absorva o que é útil. Rejeite o que é inútil. Acrescente o que é especificamente seu”. Só um grande mestre como ele seria capaz de misturar filosofia com humor escatológico.

Hong Kong Feelings: 4/5

Título original: 猛龍過江 (Meng long guo jiang)

Diretor: Bruce Lee Siu-Lung

Elenco: Bruce Lee Siu-Lung, Nora Miao, Chuck Norris, Bob Wall, Whang Ing-Sik, John Benn, Unicorn Chan, Wei Ping-Ao.

12 de junho de 2012

Needing You… (Precisando de você…/2000)

needing you Andy Lau segurando cartaz que dá o nome ao filme: “Eu preciso de você”

Dia dos namorados, nada melhor que um filme de comédia romântica para alegrar os casais e deprimir os solteiros. No entanto ficar deprimido é muito difícil com este filme, pois Needing You antes de tudo é um ótimo filme com ótimos personagens e um inteligente roteiro.

Os fãs de Johnnie To o conhecem mais pelos seus filmes de tríade como The Mission e Exiled. Em Needing You, ele retoma ao gênero do filme de sua estreia na direção. O filme também marca uma mudança na carreira do diretor. O gênero foi escolhido justamente pelo apelo comercial. Mas antes de torcemos os narizes, o filme merece uma chance pois não é de um diretor qualquer.

A começar pelo tema do filme que envolve o cotidiano de qualquer um: romance no trabalho e as fofocas. O diretor escalou a estrela pop Sammi Cheng para interpretar Kinki, uma mulher que acabou de descobrir a traição do namorado. Ela também enfrenta dificuldades na sua vida profissional, pois recentemente se transferiu de setor na empresa de eletrônicos onde trabalha. Seu novo chefe é Wah-Siu que a acha uma péssima empregada mas acaba se comovendo ao descobrir sua situação pessoal e tenta ajudá-la a resolver a situação com Dan, o namorado. Porém Wah-Siu, interpretado por Andy Lau, é um mulherengo e logo as fofocas começam a se reproduzirem. Uma ex-affair de Wah-Siu ao ficar sabendo das fofocas tenta cortar a relação dos dois, porém o tiro acaba saindo pela culatra.

Um das grandes habilidades de Johnnie To é filmar gestões e ações que valem mais que mil diálogos. Se em seus filmes de ação as emoções fluem com uma incrível naturalidade, isso também se faz presente nas cenas de romance e de humor de Needing You. A fofoca se espalhando pelos dutos do ar-condicionado é uma das sacadas mais geniais do filme. É incomum um filme desse gênero ter um humor inteligente, apesar de que na parte final o filme começa a ficar bobo quando se vê obrigado a ceder aos clichês.

Ao trazer elementos novos para o gênero de comédia romântica, o filme se destaca em todos os aspectos. Mas de modo algum Johnnie To tenta revolucionar o gênero cujos temas foram explorados e reciclados a exaustão pelo cinema mundial. É impossível não cair no clichê, mas o filme possui cativantes personagens e uma história interessante capazes de agradar solteiros e casais.

Hong Kong feelings: 4,5/5 

Título original: 孤男寡女 (Goo nam gwa neui)

Diretor: Johnnie To Kei-Fung, Wai Ka-Fai

Elenco: Andy Lau Tak-Wah, Sammi Cheng Sau-Man, Fiona Leung Ngai-Ling, Raymond Wong Ho-Yin, Hui Siu-Hung, Lam Suet, Gabriel Morrison, Florence Kwok Siu-Man.

20 de maio de 2012

The Killer (The Killer–O Matador/1989)

killer Esta icônica cena entre Chow Yun-Fat e Danny Lee se tornou referência no gênero.

John Woo possui, basicamente, três tipos de fãs. Os que acham que A Better Tomorrow (1 ou 2) é o melhor filme já dirigido pelo diretor. Outros acham que é Hard Boiled. Por último, existem os fãs que acreditam que The Killer seja sua maior obra-prima. Independentemente se é fã ou não, é impossível não admirar este filme.

O gênero Heroic Bloodshed, que o próprio John Woo moldou, nasceu como uma forma de recontar histórias e valores dos filmes de artes marciais chineses da década de 70 em um ambiente urbano. Em ambos os gêneros, os personagens principais são movidos por um estrito código de honra. Nesse contexto urbano, porém, esses personagens ganham uma dimensão extra, pois são espécies em extinção dentro de uma sociedade corrompida pelo dinheiro.

Mas é esse mesmo dinheiro que Jeff busca quase que desesperadamente. Apesar de traído pelo seu agenciador, a vingança não é sua principal motivação. Há elementos batidos como “um último trabalho”, mas que tem um peso dramático essencial para que o enredo funcione.

A história do filme é uma das melhores já contadas pelo diretor, com inesperadas reviravoltas na trama. Atualmente, apesar de todos os elementos do filme terem se tornados clichês do gênero, The Killer não envelheceu nem um pouco. Por mais que a tecnologia atual ofereça cenas de ações incríveis, o filme possui uma intensidade que poucos filmes conseguem alcançar.

Os créditos também devem ser divididos com Chow Yun-Fat. O ator interpreta Jeff com maestria. Seu assassino profissional sempre aparenta frieza, mas as expressões faciais traem o personagem mostrando os conflitos internos que o angustiam. Sua atuação é rivalizada por Danny Lee com seu Inspetor Li cujo código de conduta o conduz a tênue linha entre dever e honra. O policial é tão carismático quanto Jeff. Apesar de estarem em lados opostos da lei, os dois têm pontos bastante em comuns.  

The Killer possui grandiosas cenas de ação que não deve a nenhum arrasa quarteirão hollywoodiano. Apesar do ritmo intenso de um filme de ação, John Woo consegue sempre manter o suspense em alto nível. Lealdade e amizade são forjadas e destruídas com bala. Com estilo e substância, o filme termina com um épico derramamento de sangue.

Hong Kong feelings: 5/5

Título original: 喋血雙雄 (Dip huet seung hung)

Diretor; John Woo

Elenco: Chow Yun-Fat, Danny Lee Sau-Yin, Sally Yeh, Kenneth Tsang Kong, Shing Fui-On, Paul Chu Kong, Dion Lam Dik-On.

15 de abril de 2012

Protègè (O Protegido/2007)

protege Da direita para esquerda: Louis Koo, Anita Yeun, Andy Lau, Daniel Wu e Zhang Jingchu

O policial Nick está há mais de 7 anos infiltrado nas operações de um mega-traficante de heroína. Nesse meio tempo ele se torna o braço direito de Quin. Acompanhamos o seu dia a dia, quando Nick, ironicamente, conhece Jane, uma usuária de heroína. Ao mesmo tempo que tenta lidar com a problemática vizinha, ele tem que gerenciar os choques de interesse entre seus dois “patrões”.

Além da temática sobre drogas, outras questões são exploradas pelo filme. A principal delas é a relação ambígua de Nick com a polícia e o crime organizado. Ao longo do filme essas intricadas relações que cerceiam ele vão ficando cada vez mais complexa. Ao mesmo tempo que este é o elemento que torna o filme interessantíssimo é também o mais frágil.

O diretor Derek Yee conduz bem a trama, com o filme ganhando ritmo e tensão no seu desenrolar. O diretor lança questões interessantes como a falta de interesse de Quin em entender os seus “consumidores” ao mesmo tempo que se sente frustrado diante de sua filha adolescente fumante e problemática. Outra cena provocante é quando traficante e produtor de ópio fazem uma avaliação econômica do mercado com dados da ONU. Porém o potencial total do enredo não é atingido seja pela falta de profundidade dos temas abordados, seja pelo desenvolvimento incompleto dos personagens.

Assim como o roteiro, as atuações são boas porém nada que seja brilhante. Daniel Wu como Nick lhe falta intensidade para um personagem que deveria estar a beira do abismo. Já Andy Lau consegue interpretar muito bem a fragilidade de Quin, causado por problemas renais, ao mesmo tempo que seu personagem amoral se sente incerto sobre seu futuro por conta da doença. Ora o simpatizamos, ora repudiamos. Zhang Jingchu mostra competência ao interpretar Jane. O destaque negativo é Louis Koo. Apesar do pouco tempo de tela e um personagem secundário destoante, o ator consegue entregar uma péssima atuação. A relação conturbada entre Jane, seu marido, a filha e as drogas acaba sendo mal discutida.

Derek Yee não entrega o que prometeu na cena de prólogo, mas ainda sim é um filme sólido com poucas falhas. Nick se defronta com vários dilemas, mas o personagem parece conseguir lidar com certa tranquilidade a maioria delas. Este detalhe é o que faz o filme ser bom, quando poderia ser excelente. A grande cena fica sendo sua mensagem anti-drogas que desfecha o filme.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 門徒 (Moon to)

Diretor: Derek Yee Tung-Sing

Elenco: Daniel Wu, Andy Lau Tak-Wah, Louis Koo Tin-Lok, Anita Yuen Wing-Wee, Zhang Jingchu, Derek Yee Tung-Sing, Liu Kai-Chi

8 de abril de 2012

A Chinese Odyssey Part 2: Cinderella (Odisseia Chinesa Parte 2: Cinderela/1995)

acoc Hail to the king, baby!

A segunda da parte da odisseia chinesa traz o fim da jornada do Macaco-Rei em busca de redenção. Pode-se dizer que nessa parte é onde a jornada realmente começa. O filme se esforça em consertar os erros do anterior e reforçar os pontos positivos. A comédia não mais dita o ritmo do filme, abrindo espaço para uma história centrada nos elementos budistas da obra.

O filme começa do ponto onde o anterior terminou. Continuando a aventura, Joker usa a Caixa de Pandora e volta 500 atrás onde tudo começou. Ele encontra com o seu destino. O começo é um tanto arrastado, mas bem menos enrolado que o antecessor, com o roteiro sendo desenvolvido de forma lenta. O filme ganha momento quando Joker encontra o seu mestre, o Monge da Longevidade. Law Kar-Ying consegue ser irritantemente hilário, transmitindo bem a capacidade do seu personagem de levar os outros à loucura. A partir desse ponto até a parte final do filme, a escalada é épica.

O roteiro tem alguns problemas, pois algumas informações sobre os personagens ficam faltando. As motivações de Zixia em abandonar o seu posto de Imortal, dentro do universo do filme um ser que atingiu o Nirvana, para buscar um amor carnal não são explicadas em momento nenhum. Zixia deveria servir de contraponto ao Macaco-Rei, pois enquanto um tenta voltar ao Reino Celestial o outro decide abandonar. Outros personagens também sofrem com uma vaga introdução de quem são, sendo necessário conhecê-los previamente de outras adaptações ou do livro original.

No primeiro filme, a rusga entre o Macaco-Rei e Ping Ping foi construída de maneira implícita uma vez que os acontecimentos eram de 500 anos atrás. No segundo filme, fica claro que o personagem de Chow era um mulherengo. Tal elemento é mal explorado, pois o foco é no triângulo amoroso envolvendo Ping Ping, Zixia e Joker. Mas a recusa do diretor em prover motivações, quando revela é de forma indireta, aliena o expectador sobre o porque das escolhas e preferências de Joker. Inclusive, Karen Mok que foi o grande destaque do primeiro filme, só faz uma breve aparição neste apesar de ser o grande motivo por detrás das ações de Joker.

Ainda sim o talento de Anthena Chu e Stephen Chow sustentam o filme, com o romance de Zixia e Joker rivalizando com o de Ping Ping e Joker no primeiro filme. Apesar de sua delicada fisionomia causar indiferença em um primeiro momento, a atriz consegue cativar o expectador com uma excelente atuação. Mas ela não chega a eclipsar o personagem principal, como aconteceu no filme anterior. Pelo contrário, Stephen Chow é o centro das atenções sem sombra de dúvidas. Seu Joker é um personagem mais completo com seus inúmeros dilemas. Mas o ápice da atuação é quando ele se transforma no Macaco-Rei. Chow encarna a figura folclórica com grande paixão. O ator literalmente desaparece na pesada maquiagem dando vida ao personagem mais fascinante do filme. O trejeito, tom de voz, maneirismo, ele construiu uma versão definitiva do Macaco-Rei.

O personagem extrai ainda mais do talento de Chow quando este tem que lidar de forma definitiva os dilemas que o atormentam. Méritos também para o diretor Jeff Lau. Nessa segunda parte fica claro que a decisão dos produtores em dividir em dois filmes por questões mercadológicas prejudicou o trabalho de edição do diretor. Os pontos baixos do filme certamente não são ruins. Os aspectos técnicos são ótimos dentro das limitações orçamentárias e tecnológicas.

Apesar de ter cenas engraçadíssimas, o filme se destaca pelos momentos de romance e drama. As cenas de luta também agradarão os fãs de artes marciais. Stephen Chow oferece uma das melhores atuações de sua carreira, se não a melhor. É triste que Macaco-Rei tenha aparecido em sua forma plena somente nos momentos finais do filme, poucos minutos para um personagem tão memorável. A imersão de Chow dentro do personagem é comparável ao trabalho de Heath Legder com o seu psicótico Coringa em Cavaleiro das Trevas. A Odisseia Chinesa é um clássico do cinema de Hong Kong.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título original: 西遊記 II 仙履奇緣

Diretor: Jeff Lau

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Ng Man-Tat, Athena Chu Yun, Ada Choi Siu-Fun, Yammie Nam Kit-Ying, Karen Mok Man-Wai, Kong Yeuk, Luk Su-Ming, Ng Yuk-Kan, Jeff Lau Chun-Wai, Law Kar-Ying.