22 de junho de 2013

Return to 36th Chamber (Retorno a 36ª Câmara do Templo Shaolin/1980)

return Chun Jen-Chieh se perfazendo de San Te.

Return to 36th Chamber é uma sequência do excelente The 36th Chamber of Shaolin. Neste filme somos apresentado a um novo personagem principal, porém com uma cara familiar. Chun Jen-Chieh é um artista de rua que tenta enganar os outros como forma de ganha pão. Quando os trabalhadores da tinturaria onde seu irmão trabalha começam a ser oprimidos pelos Machúrios, seus colegas o convencem a se perfazer como lendário monge shaolin San Te para intimidar os opressores.

Claro que tudo dá errado e Chun Jen-Chieh jura aprender kung fu shaolin com o verdadeiro San Te e livrar seus amigos da opressão. Gordon Liu volta a interpretar o papel principal. A princípio é meio confuso essa questão de Gordon Liu de ao mesmo tempo interpretar e não interpretar o seu personagem do filme anterior. Mas sua atuação neste filme mesmo com outro personagem continua igualmente prazeroso e divertido. O monge San Te continua fazendo parte do universo do filme porém interpretado por outro ator e com o status de um respeitado mestre de kung fu shaolin.

O filme tem um ritmo mais cadenciado e adiciona um humor que não havia no original, porém mantendo o elemento forte da série: o nosso herói deverá dominar os desafios da câmara do templo shaolin. No entanto, somente a 36ª Câmara comandada pelo Monge San Te é apresentada ao nosso herói Chu Jen-Chieh. Apesar do tempo de filme menor dedicado ao treinamento e do risco de cair na mesmice, Return to 36th Shaolin Chamber consegue entreter muito com os criativos treinos improvisado.

Return to 36th Chamber,ao invés de seguir a história do monge San Te, busca reaproveitar o mesmo enredo do seu antecessor mas com personagens principais novos. O grande barato do filme era ver justamente o personagem principal superando os desafios de cada câmara do templo shaolin. Dessa vez somos apresentados somente a 36º câmara criada por San Te no filme anterior, mas essa parte do treinamento continua sendo muito divertido. Além disso, o principal “defeito” do primeiro filme é corrigido para a alegria dos puristas que criticavam a falta do embate final entre o herói e o vilão. Vemos Chu Jen-Chieh usar todo o seu kung-fu shaolin improvisado para chutar a bunda do chefe manchúrio, sendo a luta ao mesmo tempo cômico e muito bem coreografado.

Hong Kong feelings: 4/5

Título original: 少林搭棚大師 (Siu Lam Ta Pung Tai Si)

Diretor: Lau-Kar-Leung

Elenco: Gordon Liu Chia-Hui, Johnny Wang Lung-Wei, Chen Szu-Chia, Kara Hui Ying-Hung, Hsiao Hou, Wong Gam-Fung, Cheng Wai-Ho, Wong Ching-Ho, Wa Lun, Lee King Chue, Yau Chiu-Ling, Cheng Miu, Kong Do

2 de junho de 2013

Jorney to the West–Conquering the Demons (Jornada ao Oeste-Expurgando os Demônios/2013)

journey to west História de pescador.

Jorney to the West é o primeiro filme de Stephen Chow em cinco anos. As expectativas sobre o filme não poderiam ser maiores. Apesar de Chow não estar no elenco, a sua presença na direção mais que garante o sucesso comercial. Com adiamentos da data de lançamento e um orçamento inflado, sendo o maior de todos os tempos para uma produção de Hong Kong, Journey to the West busca um lugar ao sol entre as inúmeras adaptações do livro homônimo.

Na cena de abertura somos apresentado a Xuanzhang (Wen Zhang), um caçador de demônios que segue os preceitos budistas. O nosso jovem herói tenta salvar o vilarejo do ataque. A cena é muito bem elaborada, porém peca em gastar tempo demais sem estabelecer a história do filme e os personagens principais, chegando a ser alienante. Se esperávamos uma história centrada no Macaco-Rei, o filme traz um frescor ao contar a origem do monge Tripitaka e como ele recruta seus discípulos para a jornada em busca dos sutras buditas. Porém este é somente um sub-enredo. A história central do filme foca no romance entre Xuanzhang e Miss Duan (Shu Qi), que remete a mesma temática explorada na adaptação dirigida por Jeff Lau com Stephen Chow como Joker/Macaco-Rei.

Por falar em A Chinese Odyssey, a sua trilha sonora é tão marcante que algumas composições de Jorney to the West são inspirados no filme de Jeff Lau. O momento mais inspirador certamente é da Shu Qi cantando a música Love of a Lifetime. Impossível não lembrar da cena final de A Chinese Odyssey Part II: Cinderella que encerra magistralmente a história de Joker e Zixia após uma longa jornada de amor dedicado e arrependimento irreconciliável. Ao mesmo tempo a cena é um ponto negativo para Journey to the West, apesar do casal Xuanzhang e Senhorita Duan seguirem os mesmos passos de Joker e Zixia não existe o mesmo peso emocional.

O elenco pouco estelar evidencia a crise que se passa no cinema de Hong Kong. O nome de maior apelo comercial acaba sendo o Shu Qi, uma atriz/modelo famosa mais por sua beleza do que por boas atuações. Sua atuação é totalmente inconsistente, incapaz de interpretar uma personagem durona de forte personalidade. O que é um grave problema, pois a Senhorita Duan forma o casal de personagens principais do filme. Todo o peso acaba caindo nas costas de Wen Zhang. Seu Xuanzhang funciona, no final, como um típico herói muito atrapalhado que descobre ser dono de um grande poder. Um papel que Stephen Chow teria interpretado a perfeição. Porém, o elenco não está a altura do talento de Chow. Inclusive o roteiro não colabora. Chen Bingqian e Shing Cheung-Lee interpretam respectivamente KL Hog e o demônio da água, mesmo na forma humana, o máximo que os atores tem que fazer é grunhir.

Por ser um filme de Stephen Chow é mais do que esperado cenas de comédia, porém além delas Journey to the West tem uma direção surpreendentemente sombria. Muitas mortes são chocantes criando um forte contraste com a sensação de um clima familiar na maior parte do filme. Temos uma mistura de gêneros, porém não funciona tão bem quanto em Shaolin Soccer ou King of Comedy.

O filme é uma fantasia com seres místicos e sobrenaturais, porém as escolhas de estética e figurino dos personagens são estranhas. Os demônios são retratados como seres bestiais numa modelagem mais realista, porém não ajudam a criar um ambiente fantástico. A falta de uma identidade visual própria é agravada pelo uso excessivo de computação gráfica para gerar paisagens simplesmente genéricas. Mesmo assim, tais cenas são as melhores que o cinema chinês já ofereceu, porém, anos-luz atrás de Hollywood.

Infelizmente, Jorney to the West é um dos filmes mais fracos de Stephen Chow. Há algumas cenas bem engraçadas, o que mostra que o rei da comédia não perdeu seu instinto cômico. Porém, Chow parece mostrar sinais de estar enferrujado depois de tanto tempo sem dirigir um filme. O filme tem um ritmo estranhamente cadenciado, como se não soubessem qual direção tomar. O drama e o romance não funcionam, no entanto parte da culpa reside na falta de química entre Wen Zhang e Shu Qi. As referências à Dragon Ball Z no final do filme, infelizmente, fazem um desserviço aos fãs. A imensa expectativa criada somente aumenta a decepção. É um filme que pode ser considerado bom para os padrões atuais de Hong Kong, porém mediano para os padrões do diretor.

Hong Kong feelings: 2,5/5

Título original:西遊.降魔篇 (Xi You Xiang Mo Pian)

Diretor: Stephen Chow Sing-Chi, Derek Kwok Chi-Kin

Elenco: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Luo, Chrissie Chau Sau-Na, Lee Sheung-Ching, Chen Bing-Qiang, Xing Yu, Zhang Chao-Li, Cheng Sihan, Chiu Chi-Ling, Lu Zhengyu, Yang Di, Ge Xing-Yu, Fung Min-Hun, Xie Jingjing, He Wen-Hui, Tang Yi-Xin.

29 de abril de 2013

Organized Crime And Triad Bureau (OCTB/1994)

octb Cindy (Cecília Yip) e Tung (Anthony Wong)

O chefe da divisão contra crime organizado e tríades da polícia de Hong Kong (em inglês Organized Crime and Triad Bureau) fará de tudo para prender o líder de uma tríade especializado em assaltos a joalherias. Para capturá-lo, Inspetor Lee desafiará os limites da lei. Então começa uma caçada que se torna cada vez mais pessoal.

Em filmes do gênero policial/tríade, usualmente temos um inescrupuloso chefe da tríade que adora matar inimigos de várias formas criativas e que vive cercado de belas mulheres. Do outro lado, temos o policial mocinho que trabalhará dia e noite para capturar o vilão. O roteiro de OCTB contém todos esses elementos, porém com algumas modificações. O mocinho não é tão mocinho, nem o vilão é tão vilão.

O senso de justiça do Inspetor Lee é totalmente questionável, porém sua paixão pela profissão consegue de alguma forma cativar compensando suas ações. A interpretação de Danny Lee é muito boa, mesmo sendo impossível odiar ou adorar seu personagem policial. Do outro lado, Anthony Wong mostra ser um dos atores mais talentosos do cinema de Hong Kong. Não há ninguém melhor para interpretar personagens ambíguos como ele. A sua atuação neste filme não é de longe a melhor de sua carreira, mas é impossível não simpatizarmos com Tung e não torcer para que ele consiga fugir do obcecado inspetor.

Da dupla de atores principais não se poderia esperar menos que uma boa atuação. Apesar dos antagonistas serem o centro das atenções quem surpreende mesmo é Cecília Yip. A atriz interpreta Cindy, amante de Tung e cúmplice nas atividades criminosas do amado. A medida que a história avança compreendemos a lealdade e o amor que Cindy nutre pelo chefe de tríade. A química entre os dois é excelente e é um dos pontos mais interessantes do filme.

Organized Crime and Triad Bureau tem uma boa história, sólidas atuações, porém falha em sua execução. O filme demora para atingir seu clímax. O tiroteio que encerra o filme é pífio, mesmo descontando o fato que Kirk Wong não tem a mesma capacidade técnica em filmar cenas de tiroteio como seu contemporâneo John Woo. Apesar disso a cena final encerra satisfatoriamente a história.

Kirk Wong foi mais um que entrou para a lista de diretores hong kongneses formada por nomes como John Woo, Tsui Hark e Ringo Lam que migraram para Hollywood. Inclusive o seu estilo de direção se assemelha ao do último. No entanto o diretor está vários degraus abaixo da santa trindade de diretores da década de 80. Mas isso não impediu de Hollywood contratá-lo para dirigir Tiro e Queda (1998), estrelado por Mark Wahlberg.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original:重案實錄O記 (Chung Ngon Sat Luk O Gei)

Diretor: Kirk Wong Chi-Keung

Elenco: Danny Lee Sau-Yin, Anthony Wong Chau-Sang, Cecilia Yip Tung, Roy Cheung Yiu-Yeung, Parkman Wong Pak-Man, Elizabeth Lee Mei-Fung, Fan Siu-Wong, Michael Lam Wai-Leung.

10 de março de 2013

Zu: Warriors from Mountain Magic (Zu: Guerreiros da Montanha Mágica/1983)

zu O monge sendo exorcizado pela Condessa.

Baseado na obra de  Lee Sau-Man, Zu: Warriors from Mountain Magic foi produzido por Raymond Chow e dirigido por Tsui Hark. Situado no século V, o oeste da China é assolado por recorrentes guerras civis. Neste mundo fantasioso, guerreiros são capazes de façanhas inacreditáveis. Raymond e Tsui tiveram a proeza de adaptar 50 volumes em frenéticos 110 minutos.

Sem perder tempo, somos apresentados ao personagem principal. Ti Ming Chi (Yuen Biao) é um batedor do exército azul. Porém em meio ao caos da batalha, fugindo de seus perseguidores Ti chega até a Montanha Mágica Zu. Lá ele conhece Ting-Yin (Adam Cheng), um exímio espadachim capaz de controlar sua espada com a força de sua mente. Ti tenta convencer Ting a ser seu mestre e se junta a busca por duas lendárias espadas gêmeas capazes de destruir um demônio sanguinário. Mas antes eles conhecem o monge budista Hsiao Yu (Damian Lau) e seu discípulo Yi Chen (Mang Hoi).

Tudo isso acontece na primeira hora de filme. O desenvolvimento da trama é rápido demais, porém Tsui Hark contrabalanceia com uma história rasa de forma que o desenrolar das cenas em momento algum é confuso. Diversos personagens parecem ter sido jogados a esmo, sem muita lógica dentro da trama. Apesar dos problemas, Tsui Hark consegue contorná-los razoavelmente bem. Mesmo diante da falta de uma boa contextualização do passado dos personagens, Hark consegue fazer com que nos importemos pelo destino de cada um. Porém isso gera mais problemas.

Falta mais carisma ao personagem principal. Ti consegue ser o menos interessante. Para um zero a esquerda, seu personagem pouco evoluí, a não ser no final. Por ser um estranho nesse mundo repleto de guerreiros com superpoderes, sua relação com os outros personagens é de total inferioridade. Os diversos personagens que aparecem pouco interagem com o personagem principal. Se por um lado isso é ruim, por outro lado algumas dessas interações são bem divertidas. O monge Hsiao nutre um sentimento de rivalidade em relação Ting, mesmo que o mais racional fosse juntar forças contra o inimigo em comum. Outra relação interessante é o romance entre Ting e a Condessa (Brigitte Lin). Porém fica faltando o  passado deles para entender melhor as atitudes de cada um.

Zu: Warriors from the Magic Mountain foi um filme que marcou época. Apesar da dificuldade em adaptar uma história tão complexa, Tsui Hark consegue entregar um filme que diverte. Os efeitos especiais são datados, mas muito bem utilizados. A falta de uma boa história é parcialmente compensada pela bela ambientação. Ainda por cima o filme tem no elenco Sammo Hung interpretando mestre ancião Cheng Mei. Uma pena que Sammo ficou de fora de quase todas as cenas de luta do filme.

Hong Kong feelings: 3/5

Título original:蜀山 - 新蜀山劍俠 (Shu Shan - Xin Shu Shan Jian Ke)

Diretor: Tsui Hark

Elenco:Yuen Biao, Adam Cheng Siu-Chow,Brigitte Lin Ching-Hsia, Damian Lau Chung-Yun, Sammo Hung Kam-Bo, Randy Man, Judy Ong, Moon Lee Choi-Fung, Tsui Siu-Keung, Mang Hoi, Dick Wei, Chung Fat, Fung Hak-On.

1 de março de 2013

Election 2 (Eleição 2–A tríade/2006)

election2 Deja vù? Gordon Lam (esq.) e Simon Yam (dir.) em uma tarde de pescaria.

Dois anos se passaram desde os eventos do primeiro filme, é época de nova eleição na tríade Sociedade Wo Sing. A tríade continua em seu processo de renovação, além de expandir seus negócios na China comunista. Novamente as tradições serão questionadas, mas dessa vez sem encenações dos cultos.

Simon Yam volta a interpretar Lok. Dessa vez a ganância lhe sobe a cabeça, e ele teima em largar o osso. Lok fará de tudo para quebrar a tradição e conseguir um segundo mandato. No primeiro filme, o embate entre Lok e Big D era formidável, pois ambos tinham personalidades contrastantes. Dessa vez Jimmy é o grande favorito de Uncle Teng (Wong Ting Lam). O personagem de Louis Koo ganha em importância nessa sequência sendo o principal personagem da história. Porém com dois personagens com características similares, a rivalidade entre Lok e Jimmy não chegue nem perto do antagonismo entre Lok e Big D.

Apesar dessa ser a trama principal, a subtrama envolvendo Jimmy e as autoridades da China continental acaba sendo a mais interessante. Apesar de um primeiro momento não se mostrar interessado no cargo de presidente da tríade, Jimmy muda de ideia depois que o Chefe da Unidade de Segurança Chinesa (You Yong) veta suas operações de venda de filmes pornôs dentro do território comunista. Porém, caso Jimmy se torne presidente da Sociedade Wo Sing, ele poderia negociar um acordo para voltar a operar lá.

Diversos personagens secundários retomam, como Big Head (Lam Suet) e Brother Kun (Gordon Lam). Porém nesta sequência são meros figurantes, sem relevância alguma na história do filme. Jet (Nick Cheung) é outro personagem que nada acrescenta nesse filme. Dentre alguns personagens novos, o mais interessante é ambíguo Chefe da Unidade de Segurança Chinesa. Apesar das breves cenas, sua atuação convence a todos de sua autoridade sendo alguém que detêm um poder maior do que a Sociedade Wo Sing.

Johnny To tenta retratar o papel das tríades na sociedade atual. Em Election 2, fica evidente que seu poder e influência são somente uma sombra pálida se comparado com outrora. A história tinha bastante potencial, porém o desenrolar da trama é num ritmo irritantemente lento com algumas situações que parecem ser forçadas. Para quem curtiu o primeiro filme, ainda é possível apreciar a trama desta sequência. Porém, em vários aspectos o filme decepciona.

Hong Kong feelings: 3/5

Título original: 黑社會2 以和為貴 (Hak Se Wui 2 Yi Wo Wai Kwai)

Diretor: Johnnie To Kei-Fung

Elenco: Louis Koo Tin-Lok, Simon Yam Tat-Wah, Wong Tin-Lam, You Yong, Lam Suet, Eddie Cheung Siu-Fai, Nick Cheung Ka-Fai, Gordon Lam Ka-Tung, Mark Cheng Ho-Nam,Andy On Chi-Kit, Tam Ping-Man.