11 de fevereiro de 2013

Bullet in the Head (Bala na Cabeça/1990)

bulletinthehead Amigos ou Inimigos? Waise Lee (esq.), Jacky Cheung (centro) e Tony Leung (dir.)

John Woo foi responsável pela criação e popularização do gênero Heroic Bloodshed (em tradução livre derramamento de sangue heróico). Seus filmes, como A Better Tomorrow e The Killer, o transformaram em um dos diretores de ação mais cultuados do mundo. Porém, em Bullet in the Head o diretor subverte completamente o genêro.

Ainda temos uma aula de como filmar cenas de ação com direito a muitas explosões e muito sangue derramado. A princípio, o trio de personagens são movidos pela amizade. Mas os laços de amizade serão testados assim que os personagens chegam à um Vietnã imerso na violenta guerra civil. A visão de John Woo sobre a Guerra do Vietnã é nada menos que brutal. O diretor não poupa ninguém. Inclusive, Woo ainda acha espaço para criticar o governo chinês em uma cena onde um jovem para diante de um tanque em clara alusão a cena de um jovem solitário parando uma fileira de tanques na Praça da Paz Celestial.

A história começa em Hong Kong, onde conhecemos Ben (Tony Leung), Frank (Jacky Cheung) e Paul (Waise Lee). Três amigos inseparáveis que moram no subúrbio da cidade. Porém depois de um assassinato, Ben passa a ser procurado pela lei. O trio decidem ir para o Vietnã lucrar com a guerra através do contrabando e de outras atividades ilegais com o sonho de um dia voltar a Hong Kong. A primeira parte do filme é fraca, por problemas narrativos ela é mais longa do que deveria ser. O diretor não consegue ser tão efetivo em estabelecer os personagens como em The Killer, por exemplo.

John Woo sempre teve problema em manter as emoções em tom comedido. Porém neste filme, as atuações exageradas se encaixam perfeitamente com o desespero e loucura de uma guerra. Até mesmo a atuação do mediano Jacky Cheung é estupenda. O personagem passional e até certo ponto ingênuo se encaixa como uma luva. Já Waise Lee é um ator completamente oposto, pois possuí muito menos expressividade, encarna perfeitamente Paul, que é alguém que coloca sua ambição acima de tudo. Outro que tem uma atuação fenomenal é Tony Leung. Assim como seu personagem, sua atuação é um ponto de equilíbrio do filme.

Inicialmente o roteiro que deu base ao Bullet in the Head seria usado em A Better Tomorrow III. No entanto, uma briga entre o diretor e o produtor, por conta de divergências criativas, fez com que John Woo abandonasse a franquia e aproveitasse o seu roteiro para filmar Bullet in the Head. O personagem de Simon Yam seria interpretado por Chow Yun-Fat, mas foi uma perda mínima. Como Luke, Simon Yam consegue ser tão carismático quanto Chow Yun-Fat.

O filme é longe de ser perfeito, pois demora para engrenar. Porém uma vez embalado, o filme oprime o expectador com os personagens em meio a guerra lutando para sobreviver.  Sem misericórdia, somos esmagados por um sentimento de angústia e com o desenrolar do filme o sentimento somente se intensifica. Além disso em momento algum Woo nos oferece um esperança, como forma de alívio. Até mesmo, os pombos, um símbolo recorrente em quase todos os filmes de Woo, está ausente em Bullet in the Head. Para os que procuram heroísmo, John Woo nos mostra que em uma guerra o buraco é mais embaixo.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título original: 喋血街頭 (Die xue jie tou)

Diretor: John Woo

Elenco: Tony Leung Chiu-Wai, Jacky Cheung Hok-Yau, Waise Lee Chi-Hung, Simon Yam Tat-Wah, Fennie Yuen Kit-Ying, Yolinda Yan Chor-Sin, Lam Chung, Chang Gan-Wing, Leung Biu-Ching, Bau Hei-Jing, John Woo

7 de dezembro de 2012

As Tears Go By (Carmen de Mongkok/1988)

atgb Andy Lau e Maggie Cheung ao som de Take my breath away.

Muito antes de “ganhar” o status de auteur, Wong Kar-Wai era somente um obscuro roteirista de filmes genéricos. As Tears Go By marca a estreia de Wong Kar-Wai como diretor de um filme. E não poderia ser em outro gênero que não fosse o mais representativo do cinema de Hong Kong.

As Tears Go By é um melodrama cujo personagem central é um membro inferior da tríade interpretado por Andy Lau. Wah é uma pessoa pouco ambiciosa o que reflete em sua baixa posição hierárquica dentro da organização, apesar de ter o respeito dos chefes da tríade. Seu único subordinado é Fly (Jacky Cheung), que se mete em confusão por conta de seu pavio curto. Para piorar Fly tenta sempre provar a si mesmo que é um importante membro da tríade arrumando encrenca com o perigoso Tony (Alex Man), o que leva a Wah sempre salvá-lo das enrascadas.

Paralelamente, Wah conhece sua prima Ngor que veio da Ilha de Lantau para Mongkok consultar um médico. Ao contrário da subtrama formulaica envolvendo Wah e Fly, Wong Kar-Wai demostra seu talento para falar sobre o romance entre Ngor e Wah se utilizando de uma narrativa pouco convencional. Este filme também seja o único da filmografia de Wong onde um roteiro completo foi escrito, o que resulta em várias passagens que são um tanto quanto previsíveis. O modo de trabalho em seus próximos filmes sofreria uma mudança radical com a abolição do roteiro, somente existindo rascunhos de ideias.

Por conta do roteiro, o filme possui uma narrativa bastante linear. As Tears Go By é no fundo um filme convencional, mas nota-se algumas sementes do que se tornaria o estilo de direção de Wong Kar-Wai único. Em algumas cenas é possível observar alguns experimentos com a câmera, criando efeitos interessantíssimos. Mas não tem um impacto tão profundo na narrativa nem na experiência do filme. Também há de se considerar que o início da vindoura parceria com o diretor de fotografia Christopher Doyle ocorre somente no filme seguinte. Para quem já viu outros filmes de Wong Kar-Wai, em As Tears Go By falta um jogo de cores entre as cenas. Mas uma coisa ele já demonstrava ter um grande talento.

O talento de um diretor pode ser medido, não somente pela capacidade de extrair atuações fantásticas de grandes atores, mas principalmente pela capacidade de extrair excelentes atuações de atores limitados. E em neste filme de estreia, Wong Kar-Wai conseguiu um feito incrível. No elenco está nada menos que o astro pop Andy Lau. Posteriormente, o cantor provou ser um grande ator, mas naquela época era nada além de um ator medíocre, apesar de esforçado. A sua atuação neste filme é simplesmente fantástica, sem seus habituais maneirismos irritantes, ainda mais se comparando com os outros filmes da década de 80 estrelados por ele. Outra escolha muito feliz foi da Maggie Cheung para Ngor. Para a atriz, o filme foi um marco pessoal pois foi a partir de As Tears Go By que ela viu que levava jeito para atuar. Maggie Cheung ainda voltaria a trabalhar com Wong Kar-Wai em mais quatro filmes, se tornando a musa predileta do diretor.

Outra escolha (estranha, mas para atender a interesses comerciais dos produtores) que se mostra igualmente acertada foi a inclusão do astro pop Jacky Cheung. Assim como Andy Lau, Jacky Cheung é conhecido pelas suas atuações exageradas e muitas vezes irritante. Mas nas mãos de Wong Kar-Wai, Jacky tem uma das melhores atuações de sua carreira. O seu personagem Fly é incrivelmente carismático apesar de ser extremamente importuno. Alex Man também é outro que entrega a melhor atuação de sua carreira como o antagonista de Jacky Cheung e Andy Lau.

Em sua estreia, Wong Kar-Wai dirige seu filme mais acessível. Porém o filme sofre de um grande problema, as duas tramas do filme, apesar de serem muito boas, faltam uma coesão entre elas. Ao final parece que são duas histórias distintas mesmo Wah sendo o personagem em comum. Mesmo assim, o filme foi sucesso de crítica e público, o que foi importante para que Wong pudesse prosseguir com a carreira e para que em seus filmes seguintes se estabelecesse como um dos grandes diretores de Hong Kong.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 旺角卡門 (Wong Kok Ka Moon)

Diretor: Wong Kar-Wai

Elenco: Andy Lau Tak-Wah, Maggie Cheung man-Yuk, Jacky Cheung Hok-Yau, Alex Man Chi-Leung, Ronald Wong Ban, Kong To-Hoi, Ang Wong, Huang Pa-Ching.

3 de dezembro de 2012

Overheard (Overheard–Informações Sigilosas/2009)

overheard Daniel Wu  (esquerda), Lau Ching-Wan (centro) e Louis Koo (direita)

Dos aclamados diretores da trilogia Infernal Affairs, Alan Mak e Felix Chong retomam a parceria para mais um filme de suspense envolvendo policiais, mas que neste filme enfrentam criminosos de colarinho branco. Com uma dupla renomada de diretores e um elenco respeitável, a enorme expectativa criada sobre Overheard é mais do que justificado.

O resultado é filme comercial sólido, com boas atuações e uma narrativa com poucos tropeços. O filme colheu críticas boas em geral e foi um sucesso de público. Alan Mak e Felix Chong entregam um filme que consegue entreter com bastante tensão e algumas surpresas. Porém não espere por um novo Infernal Affairs, apesar de guardar alguns resquícios do filme mais sucedido da dupla.

A história de Overheard gira em torno de três policiais do Departamento de Crimes Comerciais (CCB) da Polícia de Hong Kong. O trabalho de Johnny (Lau Ching-Wan), Gene (Louis Koo) e Max (Daniel Wu) é de espionar a empresa E&T suspeita de manipular suas próprias ações na bolsa de valores e de outros esquemas ilegais. As câmeras e os microfones escondidos no escritório transformam o trabalho dos policiais numa espécie de Big Brother. A princípio nada de suspeito acontece, no máximo flagram um dos executivos, Sr. Low (Waise Lee), dando uns amassos na deliciosa atriz Queenie Chu. Porém quando o trio de policiais escutam sobre o esquema de manipulação das ações se sentem tentados a aproveitar para ganhar uma grana preta.

Claro que tal atitude é completamente antiético, porém cada um têm suas motivações para se inclinarem a cometer tal delito. Gene sofre de câncer terminal e, sem dinheiro, ele observa aquilo como uma oportunidade de deixar para sua família um bom patrimônio. Max se deslumbra com a possibilidade de ficar rico e logo apoio a ideia de apagar as gravações incriminadoras para tirar vantagem das informações privilegiadas. Já Johnny é um policial correto e se sente incomodado com aquela situação. Não somente pela conduta dos seus colegas, mas pelo seu próprio dilema moral: Johnny tem um caso com Mandy (Zhang Jingchu), a mulher de seu amigo e também policial Kelvin (Alex Fong).

Porém seguindo um ditado de Wall Street, não existe almoço grátis. O uso dessas informações logo trará problema para os policias. E é nesse ponto do filme que surge o vilão Sr. Ma, responsável por todas essas falcatruas e manipulações, interpretado epicamente pelo péssimo Michael Wong. É incrível como ele consegue permanecer na indústria apesar de ser muito fraco tecnicamente. Descendente de chinês, ele nasceu nos EUA. Depois de formar no ensino médio, Wong decidiu cruzar o Pacífico e tentar a sorte em Hong Kong como ator. Fluente em inglês mas não em cantonês, tal peculiaridade é sua marca registrada. Michael Wong mescla frases em chinês e inglês numa combinação bizarra, mas nunca sabemos se isso é improvisado ou faz parte embebedar os roteiristas e incluir linhas de diálogo apropriadas para o calibre do ator.

Ao menos, a atuação de Michael Wong é balanceada pela boa atuação do trio de atores principais. Louis Koo demonstra uma evolução constante e interpreta bem a fragilidade e desespero de Gene. Daniel Wu encarna perfeitamente o ingênuo policial Max. Já Lau Ching-Wan, o melhor ator disparado do elenco do filme, interpreta com bastante efetividade a ambiguidade de Johnny.

O principal defeito do filme é quando o roteiro se vê obrigado a apagar o tom cinza da narrativa para atender aos interesses comerciais. Infelizmente, a China continental se tornou o principal mercado do decadente cinema de Hong Kong e os filmes devem passar antes pela censura chinesa para que possam ser comercializados por lá. Overheard sofreu muitos problemas, inclusive obrigando os codiretores a refilmar cenas e editar outras, para atender as exigências do órgão de censura chinesa. A cena final, onde o bem triunfa sobre o mal, é ridícula, talvez até sendo, ouso dizer, uma crítica velada ao problema de censura que o filme sofreu durante a sua produção.

Hong Kong feelings: 3,5/5

Título original: 竊聽風雲 (Sit yan fung wan)

Diretor: Alan Mak Siu-Fai, Felix Chong Man-Keung

Elenco: Lau Ching-Wan, Louis Koo Tin-Lok, Daniel Wu, Alex Fong Chung-Sun, Zhang Jingchu, Lam Ka-Wah, Michael Wong Mun-Tak, Waise Lee Chi-Hung, William Chn Wai-Tung, Sharon Luk Tze-Wan, Stephen Au Kam-Tong, Queenie Chu Wai-Man, Felix Lok Ying-Kwan, Henry Fong Ping.

18 de novembro de 2012

Love on Delivery (Amor Expresso/1994)

lodHo Kam-An aka Ultraman (Stephen Chow) encara seu desafeto (Lam Kwok-Bun)

Stephen Chow estreia na direção como codiretor. O resultado não poderia ser menos que formidável. Love on Delivery é um filme de comédia puro sendo facilmente um dos mais hilários de toda sua filmografia. É um daqueles raros filmes capazes de arrancar lágrimas de tanto gargalhar.

Ho Kam-An é um inocente entregador de dim-sum que se apaixona pela musa do clube do judô. Ho se mete em confusão atrás de confusão, sempre levando a pior. Até que um dia ele conhece Tat, Devil Killer, que se apresenta como um fodástico mestre de kung fu, porém na realidade é só um charlatão que passa a perna facilmente no herói do filme. Porém, por incrível que pareça ele se torna um invencível mestre de artes marciais, a ponto de vestir uma mascara de Garfield e proteger sua amada Lily.

A química entre Ng Man-Tat e Stephen Chow é absurdamente estupenda. Ng Man-Tat em seu papel de mentor de Ho esbanja perspicácia e malícia. Personalidade completamente oposta do seu ingênuo e dócil pupilo. Sempre que ambos dividem uma cena em qualquer filme é de se esperar algo extremamente engraçado independentemente do tipo de personagen estejam interpretando, e neste filme não é diferente. Completando a dupla, Christy Chung mostra carisma suficiente para encantar o nosso ingênuo herói e o expectador. Lily possui uma forte personalidade para se proteger das investidas do seu instrutor de judô.

Love on Delivery é uma metralhadora de gags, incluindo piadas envolvendo fantasias de Ultramen a Garfield. As cenas são uma mais engraçada que a outra. Stephen Chow adiciona mais um personagem memorável em seu vasto repertório. O seu personagem ingênuo e a sequência de gags lembra bastante os primeiros filmes de Jim Carrey, com a diferença que Chow é um ator muito mais completo.

A luta final consegue a façanha de ser a cena mais engraçada do filme, ao mesmo tempo sendo muito empolgante. O trabalho de Stephen Chow tanto como ator quanto como diretor é magnífica. O filme não se torna cansativo em nenhum momento apesar de sua quantidade infinita de gags além de ter um ritmo fluído, mesmo com sua longa duração. Para os fãs do “Deus da Comédia”, Love on Delivery é imperdível.

Hong Kong feelings: 5/5

Título original: 破壞之王 (Poh Waai Ji Wong)

Diretor: Stephen Chow Sing-Chi, Lee Lik-Chee

Elenco: Stephen Chow Sing-Chi, Ng Man-Tat, Christy Chung Lai-Tai, Lam Kwok-Bun, Wong Yat-Fei, Vincent Kok Tak-Chiu, Leo Koo Ka-Kui, Joe Cheng Bo, Lee Lik-Chee, Paul Chun Pui, Gabriel “Turtle” Wong Yat-San, Leung Wing-Chung.

12 de novembro de 2012

Prison on Fire (Prisoneiro do Inferno/1987)

prisononfireChung (Chow Yun-Fat) a esquerda e Hung (Roy Cheung) a direita.

No mesmo ano que o aclamado City on Fire estreou, a colaboração entre Ringo Lam e Chow Yun-Fat rendeu outro fruto. Prison on Fire conta a história de Lo Ka Yiu (Tony Leung Ka Fai), um moço de família prestes a noivar e que ajuda o pai no negócio de mercearia. Porém, um dia Lo acidentalmente mata um delinquente ao tentar proteger o seu pai. Injustamente ele é sentenciado a cumprir pena na cadeia.

A ingenuidade de Lo logo lhe trará problemas com os perigosos chefes de gangues Micky (Ho Ka-Kui) e Bill (Tommy Wong). Para sorte de Lo, ele acaba conhecendo Chung (Chow Yun-Fat) que o ajudará a sobreviver nesse ambiente tão hostil.

Só com a atuação carismática de Chow Yun-Fat (o que é chover no molhado) já transforma Prison on Fire num grande filme. Mas a presença de Tony Leung Ka Fai, apesar de não se destacar nas principais cenas por falta de oportunidade dadas pelo roteiro, é uma das peças fundamentais do filme. A interação entre o ingênuo e tímido Lo e Chung, brincalhão mas hábil político, é o que torna a história do filme tão envolvente. A construção dos laços de amizade entre Chung e Lo é um dos pilares que move o filme.

Outro pilar do filme, mesmo sendo secundário, é Hung. Roy Cheung é um ator bastante subestimado pelo público e pelos críticos, mas neste filme sua atuação, em diversos momentos, é capaz de rivalizar com a atuação de Chow Yun-Fat e de Tony Leung Ka Fai. O seu diretor do presídio não é retratado como alguém que faz da vida dos detentos um inferno por ser um cara perverso, mas ele faz da vida deles um inferno pois sabe que a qualquer momento pode ser esfaqueado pelas costas. Apesar de apelar para o uso da violência quando julga necessário, Hung prefere um canal mais diplomático ao instigar as rivalidades entre as diversas facções dentro da cadeia. O antagonismo entre Roy Cheung com os detentos, principalmente com Chung, é formidável.

Ringo Lam retrata muito bem a politicagem que existe dentro da prisão. Mesmo os criminosos e agentes do Estado serem duas entidades opostas é necessário certos arranjos para que ambos possam coexistir em um mesmo espaço. Enquanto Lo é incapaz de compreender aquele universo por ser uma pessoa do bem, Chung compreende como poucos as regras não escritas e aproveita-se desse conhecimento para manter uma boa relação com os outros detentos e com os carcereiros.

No entanto, o filme jamais se propõe a fazer um estudo minucioso sobre as relações de poder que se manifestam ali dentro da prisão. O diretor prefere, a partir desta contextualização, focar nos personagens e suas interações diante de determinadas situações.  Prison on Fire pode não ter uma trama brilhante, mas Ringo Lam transforma o argumento em um ótimo drama com personagens memoráveis e intensas emoções.

Hong Kong feelings: 4,5/5

Título Original: 監獄風雲 (Gam Yuk Fung Wang)

Diretor: Ringo Lam Ling-Tung

Elenco: Chow Yun-Fat, Tony Leung Ka-Fai, Tommy Wong Kwong-Leung, Roy Cheung, Yiu-Yueng, Victor Hon Kwan, Ho Ka-Kui, Shing Fui-On, Ng Chi-Hung.